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quinta-feira, março 27, 2008

Teatro ou ... «my mental condition is illegal»

Está aí uma arte que ainda não esgotou todas as suas possibilidades. Uma pessoa está à beira da loucura e porque leu uma obra de Beckett que lhe sussura «podes aproveitar isso» ou uma frase de Nietzche que lhe segreda aos ouvido «a loucura é rara nos indivíduos mas que é norma nas colectividades» resolve, por isso, subir para palco e terapiar-se em meia ou uma hora. Mas há técnicas que é preciso aprender - a colocação de voz, o timbre, a postura corporal, o controlo de si e do público, etc, etc. Já vi muito teatro por aí que não é exactamente o que se prega á volta disso. «Será isso teatro!?» Quantas vezes fazemos essa pergunta ao sair de um espectáculo. Bem, «tudo é teatro» - responderá certamente alguem com bom senso. Não é por acaso que certos criadores têem aproveitado dos loucos e doentes mentais para a sua criação inserindo-os em contexto alheios aos estabelecimemto psiquiátricos. E as prisões? O que se faz com o facto de hoje em dia sentirmo-nos prisioneiros, refens das pessoas sem que tenhamos físicamente correntes ou mordaças . Que teatro se pode fazer apartir disso? Há algum que tenha já sido feita na cidade da Praia? Ah, espera aí não há nenhum teatro ou cinema a funcionar no país. Com o actual estado do mundo e neste tempo de lobos o teatro não deveria funcionar a tempo inteiro em várias sessões diárias para todas as idades e mentalconditions ? Ou estarei enganado? Mas não sou eu quem poderia dizer mais sobre o assunto até porque, a meu ver, alguem já disse tudo o que precisamos saber sobre as origens do teatro. E não é nenhum historiador ou director teatral. Basta ler as obras de Michel Foucault.

sexta-feira, março 14, 2008

Mulher

Estou de castigo estes dias. Chamaram-me de criança, infantil e mandaram-me escrever uma composição sobre a mulher por ter infringido uma das suas regras básicas. Por isso cá vai a composição, como as que costumamos fazer na escola primária:


Composição


«A Mulher»


A Mulher é uma criatura rara (ponto). Faz as coisas com determinação, pensa em vários assuntos ao mesmo tempo e é demasiado séria nas negociações (ponto). Decididamente ela já fez cair o mito do sexo fraco. Mas numa coisa continua sempre mulher, sempre ela: a sua própria composição (ponto parágrafo).

A necessidade imperiosa de se sentir adorada leva-a, por vezes, a trair-se nesse intento quando, por exemplo, leva involuntariamente os dedos ao cabelo a meio de uma reunião de trabalho enquanto observa o potencial admirador ou mesmo quando, abusivamente, não quer parar de falar sobre um não sei quê de inovação (ponto). Para se elevar ao pedestal de idolatrada e venerada está disposta a tudo até a transmutar-se nas suas origens e modos (ponto e continua na mesma linha). A mulher africana quer parecer-se com a latina alisando o cabelo, pintando os lábios; a mulher latina quer parecer-se nórdica, alisando ainda mais o cabelo, branqueando-a, acinzentando-a e esforça-se para que a sua expressão facial pareça mais fria e glacial possível; a mulher nórdica quer parecer-se com a africana trançando o cabelo e, não raras vezes, vestindo os seus trajes tropicais.(ponto e espera aí: onde é que está a minha mulher?). Só sei sei uma coisa sobre a mulher: de que nada sei sobre a mulher senão aquilo que me é dado saber. Eureka.(final da composição).


Nome: Mário C.F.V Turma: @ Fila: dos Traquinas e Terríveis


segunda-feira, março 03, 2008

Amistad

Ainda não percebi porquê essa euforia toda por uma réplica do Amistad, atracada no Porto da Praia? Culpa da história (que não abona a nosso favor) ou de Spielberg?

sábado, março 01, 2008

Cabo Verde: País de Desenvolvimento Médio

A UE doa um fundo de 3 milhões de euros para iniciativas culturais dos PALOP, valor esse que será gerido pela Guiné-Bissau (salva-se os escultores Joaquim e N'Djai ... espero bem que sim). A Embaixada de França doa 150.000 euros para a Associação de Cineastas Moçambicanos sendo 30 % desse valor para as primeiras produções. E nós?! Isso de País de Desenvolvimento Médio já nos está a afastar da mesa do bolo ! O sector Audiovisual em Cabo Verde será muito provavelmente da inteira responsabilidade e autoria do seu governo. Está na cara: o dinheiro não vem para cá. Os cineastas e realizadores têem que ir busca-lo a outras paragens devendo criar, para o efeito, uma associação que terá ainda que pressionar a nível interno o governo. Em Novembro próximo realizar-se-á um Fórum sobre Cultura e Economia idealizado por Leão Lopes e, em princípio, sairá desse fórum a estrutura mais adequada para gestão do sector e sua regulamentação, segundo o Ministro da Cultura, que afirmou ainda que a portaria para a atribuição de uma Bolsa de Criatividade já está aprovada desde ontem. Anualmente será atribuída 1.000.000 de escudos caboverdeanos para suportar uma obra mas apenas numa area específica. A primeira área a ser privilegiada é ... a música. Como se a odisseia da Cize não fosse prova suficiente de que somos bons nessa matéria. Valha-nos Deus!!

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

«Wetland Bird Outside of its Natural Inhabitat» - Joe Underwood




O meu compromisso com Joe Underwood mantem-se. Já lhe prometi mil vezes de que um dia ainda conseguirei fazer uma viagem até Londres para bebermos uma caneca de cerveja num bar irlandês. Só que o meu amigo já deixou de beber e eu já não sei que argumentos inventar. Agora enviou-me esta tela irónica «Wetland Bird Outside of its Natural Inhabitat». Publico-a com a naturalidade com o qual que olho para a minhas próprias reflexões nestes tempos difíceis em que quase todos os dias uma pessoa se sente estrangeiro na sua própria terra sem que para isso lhe dêem muitos motivos. Basta que lhe digam duas ou três palavras entrecortadas com sorrisos maliciosos e esgares maquiavélicos.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Era uma vez um país...



Hoje em dia toda a gente vai para Londres. Eu fui parar a Guiné-Bissau para participar num workshop sobre documentários naquele continente, pois, foi lá que deixei o meu cordão umbilical. Ando em busca das origens ... e isso é já uma boa razão para reiniciar este blogue depois de uma inter-missão (entenda-se intervalo para realizar uma missão).


Ah..., para quem tem lido este blogue ao longo destes dois anos devo dizer que decidi não disponibilizar aqui as minhas imagens video, por uma questão de bom senso (conselho do meu amigo realizador de documentários Miguel Clara Vasconcelos, da Andar Filmes). Para este suporte de informação a internet já está a tornar-se um local pouco seguro. Alem disso o fenómeno do video-instalação parece ser mais consistente do que ter um V.log na internet, pois acaba por criar uma experiência mais humana no espaço relacional da arte, mais interessante do que esse espaço impessoal e virtual da net. Claro que isso não é novidade para ninguem mas eu procurei descobri-la do modo mais radical possível ...


Portanto fui parar á Guine-Bissau, considerado já um narcoestado. Aí, valiosos Jeeps e outros carrões percorrem ruas arruinadas e parece que, como em qualquer governo corrupto, lá as coisas são obtidas não pelo esforço de construção de um país mas sim por expedientes obscuros e continuados que não atendem ás concequências morais e sociais que daí advêem. As ruas da capital Bissau são despojos da guerra e da pobreza; os passeios estão literalmente arrancados do chão; o antigo palacio do governo está todo esburracado e, pasme-se, é diante dela que se levanta a bandeira do país ás duas horas da tarde. Conheci lá dois jovens talentos da escultura - o Joaquim e o N'Djai - que ocupam o seu espírito durante o dia, no Centro Artístico Juvenil, na produção em pau de sangue de figuras e símbolos da sua cultura étnica como régulos e irans, cuja força mitológica equivale no mundo moderno ao papel dos nossos parlamentaristas, políticos e religiosos. A partilha destes dois universos não os confunde. Agarram-se a velhas formas e ontologias porque acreditam que é dali que vem a sua força e é talvez por isso que os centros urbanos (a capital do pais espelha isso) não tem importância enquanto construção do espírito humano. Enquanto trabalham morosamente o seu material o mundo lá fora deixa de existir: se não se puder salvar um país em vias de se transformar na «Colombia da África» salve-se pelo menos o Joaquim e o N'Djai. Se fores a Guiné Bissau visite o Centro Artístico Juvenil da capital e salve o Joaquim e o N'Djai. Outros esforços em relação aos problemas desse país em http://www.odiaquepassa.blogspot.com/.


Eu, por enquanto, vou salvando as minhas memórias ... neste tempo de lobos ... e o meu blogue já leva - faz hoje - 2 anos de existência, portanto ... velinhas!!

terça-feira, outubro 16, 2007

Z de Zen (a Oriente) e Zweckrationalitãt (a Ocidente)

O melhor de dois mundos - a ocidental e oriental apresenta-se, a meu ver, sob duas formas de consciência expansivas, uma mais racionalizante e metódica do que a outra. Ambos constituem de certo modo o alfa e o ômega da consciência e do labor humano. Isso vem a propósito de algo que li na revista «Exame» sobre gestão e economia: «Sri Sri Ravi Shankar ensina produtividade Zen - uma técnica de respiração indiana ensinada no local de trabalho promete aumentar a produtividade. A PT é uma das 30 empresas que já aderiram.» O guru Sri Sri Ravi Shankar, que já tem milhões de seguidores, criou a Fundação «Arte de Viver» e concebe cursos específicos para empresas onde são ensinadas técnicas de respiração para elevar a satisfação e a produtividade. A busca activa do satori - a libertação ou iluminação - está incluída num programa empresarial mais vasto chamado Achieving Personal Excelence. Neurologistas indianos demonstraram, até esta altura,, que a práctica regular da sudarshan kriya processo de respiração com vários ritmos tem uma taxa de sucesso de 68 a 73% no tratamento da depressão no local do emprego. Respirar com consciência e meditar são prácticas que têem vindo a prender a atenção do mundo ocidental. Com isso a práctica Zen ultrapassou as portas dos templos budistas orientais para chegar ao mundo do trabalho. São os tempos: importamos espiritualidade.


Outro mundo é aquela que parte do conceito originalmente adoptado por Weber: zweckrationalitãt (racionalidade instrumental) e que Feinberg faz recair na importância dos símbolos para a vida pessoal e para a estabilidade social. Não podemos ter uma coerência individual e vida colectiva sem avaliarmos a nós próprios como símbolos e modelos racionalizantes. Isto para a realidade quotidiana é de extrema importância. Ambos os mundos podem ser conciliados, a meu ver, se pretendermos manter-mo-nos «normais» neste tempo de lobos. Seja como for, para muita boa gente basta simplesmente pegar numa bicicleta ao final do dia e avançar em direcção ao pôr do sol...

segunda-feira, outubro 15, 2007

Santa Teresa krê pa pobreza ser
Rainha li di bâxu* y ê sima stá skrebêdu.
Pôkus Kusas è ta flá dês governason,
Y é ka ta fika sô pa detalhes ki ta sobra

Mas pôntu krucial, na sê opinion, kel kusa ki nu ten ki ôdja:
Livre arbítriu ta pêsa, ta argumenta y ta parlamenta,
Dipôs pôbri-di-kurason ta dicidi y ta sigui sê kaminhu.

Kênha ki ta impidi'l? Sê ûniku deseju é ka ôtu
Sinon keli: stá, um dia, entre kel númeru di eleitos
Servidor poderosíssimo, soberânu poderosíssimo.

Pródigu y, acima di tudu, ka ta liga kusas materiais, di ten
Mas ta akumula sempri kûsas ke ba ta sabe:
Pa súbditu tan altivu y livre - ki rainha!

Paul Verlaine [Traduson ku tradison]

* Dicotomia céu-terra, paraíso-inferno.

terça-feira, outubro 09, 2007

Y libre!

Y no es suficiente con que el pensamiento busque su realizason, es preciso que la realidade busque el pensamiento ... y asi pues que no hay gesto radical que la ideologia no intente recuperar... y los que se quedan en contestacion parcial integran la función opressiva del gobierno...y en concecuencia se quedan prisoneros de todo el sistema... y no se cultivan mucho...y no tienen, quizas, una postura y imaginación ficcional... y su realidad es una forma de armazén, sin contenidos; un local donde todos entran e salen iguales... donde la mediocridad es la norma... y no respéctan nada y nadie...y no respectan ya el orden moral y familiar...y no saben cual es sus verdaderos origenes ... y sin intentarlo se créen justos... y sin saberlo todo, se creen inteligentes... y solamente porque compran el ultimo modelo de mobile Nokia se creen llenos de conocimiento y sabedoria sobre las cosas... y, sin saberlo, ya son los nuevos esclavos de la era tecnologica... y solo escuchan la repetición... y nunca escuchan a la cancion... y no danzan una musica que ha sido hecha para danzar... y no saben dialogar uno con el otro... y quando lo hacen es con un transfondo musical inadecuado para hablar... pero lo que me da rabia es que te hacen sentir una mierda quando los dizes que tienen razon, por respecho a su opinion... y si, que son locos, ellos... y tienen una falsa dinamica... y beben mucho ... y sin conocerlo bien ya lo quiéren...
... y, solamente, algunos de ellos (los mejores?) dominam sin esfuerzo los miserables controles de capacidad previstos por los mediocres, los dominan perfectamente porque han compreendido el sistema, porque lo desprecian, y se saben sus enemigos... y asi toman del sistema político lo que tiene de mejor: los privilegios ... aprovechando los fallos de control. Asi ya me gusta.
Fuente: De la miseria y la carcel en el medio estudantil de la nueva generación


Che sempre fumava os charutos mais baratos possíveis, chamados cazadores.

quinta-feira, outubro 04, 2007

X e Z: duas variáveis presas a eXistenZ

No mundo livre contemporâneo estaremos, na verdade, a viver numa imensa prisão? Na sua obra«eXisten, o reconhecido cineasta David Cronenberg apresentou, em 1999, uma tese e transformou o seu cinema num jogo deveras sofisticado. Nesta obra o cineasta observa o mundo como se fosse um campo de novas percepções dentro do qual a espécie humana está começando a sofrer um interessante processo de mutação colectiva. O cineasta canadense parece fusionar os discursos das suas películas anteriores para atribuir um certo sentido a um mundo sem raízes, no qual a substância orgânica se metamorfoseia em mecânica, e a biologia se transforma em química inorgânica. Nesta obra a biologia humana gera novos órgãos, a sexualidade ganha novos canais fisiológicos de experimentação - representados pelo casulo e pela bioporta - e os sujeitos se converteram em seres presos e agarrados a um jogo virtual. Os protagonistas de eXistenZ são conscientes de estarem participando num sofisticado videojogo; atravessam numerosos mundos em busca da sua identidade mas no final de todo o processo apenas adquirem a certeza de se encontrarem perdidos ad eternum num jogo cujos limites com o mundo real se encontram diluídos. Nesta ideia de um mundo de psicose generalizada o programador/arquitecto do jogo surge como o demiurgo que faz a sua aparição como um autêntico deus ex-machina. Muitos filmes posteriores , tal como Matrix, têem sugerido esta lógica de ideias e e, já num registo diferente, o filme Esfera fez convergir o processo todo apresentado-o como cosa mentale. A ideia de prisão e liberdade foi sempre um excelente binómio para multiplos argumentos de cinema mas para mim o mais radical e o mais cinematográfico, ao nivel da forma, talvez tenha sido Underground de Emir Kusturica.

terça-feira, outubro 02, 2007

X... pa Electra: nôs grandi inkógnita

Electra é maior inkognita ki ten na Cabo Verde, em termos di geston i di kapacidadi di soluson de prublemas. Ês é um erro sistemátiku na kualker geston racional di um kasa, di um estado: planeta i universu intêru kumesa pa energia i sê regularizason! Sem kel nu ka ta pôdi faze nada nem siquer tem um ideia di nós própri funsionamentu. Di Elektra dja passa limite, nha guênti. Dj' ê sa ta fika un intropia difícil di resolvi. Xiça!! Desculpan es Xpreson li, leitor.

En vez di buzinon pa kapital debia ta fazeda un romaria de velas pa cidadi. Dja nhós imagina: un multidon, iluminadu apenas pa velas ki kada un stá traze na mon, ta anda na Avenida Marginal ou na Avenida Cidade de Lisboa na mei di sukuru, ta bai manenti ti instalason di Elektra pa bai deposita na sê porta milhares de velas. Ma parcen ma, sima tud alguem dja intendi, si tud bez ki tiver un apagon de Elektra fazedu um romaria, é ta kaba pa bira folklore i passadus di li uns tempos nu ta lê num obskuro revista de turismo internacional álgu n'es stilu li: «Cabo Verde é tambem um país conhecido pela sua romaria silenciosa de velas em tempos de apagão, um problema insóluvel do seu Governo, mas que já se tornou um hábito cultural naquele estranho país da costa ocidental africana». Ayan, parcem m'ê pa Pro Praia i ADECO, na Mindelo, poi di guarda en relason a es tXakóta contra residentes i consumidores.

segunda-feira, setembro 24, 2007

W de What'a-Wonderfull-World-Wide-Web

A Web 3.0 será o futuro da internet. As actuais investigações vão no sentido da criação de uma nova mega estrutura destinada a substituir o actual world wide web. A Web 3.0 está em fase de preparação e representará uma nova forma de navegar, mais rápida e eficaz e principalmente com maiores potencialidades. A velocidade de navegação será de 50 Mb/seg. As causa desta revolução silenciosa que já foi iniciada deve-se ao boom das redes sociais (Myspace, Hi5,...), tv on line, vídeos e redes peer-to-peer. A world wide web deixará de existir, daqui há alguns anos, e passará a assumir a designação de World Wide Database: deixa de ser uma rede de documentos passando a ser uma rede de informação. Uma das grandes revoluções é que a extensão «.com» extinguir-se-á e surgirão dominios mais pessoais e particulares, do estilo http://www.minhapágina.helena.hn/.
Recorde-se que a world wide web foi criada por um inglês Tim Berners-Lee e por um belga Robert Cailiau, cientistas do Centro Europeu de Investigação Nuclear da Suíça.
Wikipedia passará a ser Wika
Jimmy Wales vai apresentar, em Dezembro, a Wika - versão beta do novo motor de busca Wikipedia. O fundador da enciclopedia Wikipedia quer, com esta mudança, fazer frente ao Google em algumas matérias.
Fonte: FCCN / Newsweek

V de «Voyelles» e Visionário



O meu amigo inglês Joe Underwood pintou «The Pile Up of Progression» inspirando-se em «Voyelles»* do visionário-anárquico Arthur Rimbaud (1854—1891):

A noir, E blanc, I rouge, U vert, O bleu: voyelles, / Je dirai quelque jour vos naissances latentes: / A, noir corset velu des mouches éclatantes / Qui bombinent autour des puanteurs cruelles, / Golfes d'ombre; E, candeurs des vapeurs et des tentes, / Lances des glaciers fiers, rois blancs, frissons d'ombelles; / I, pourpres, sang craché, rire des lèvres belles / Dans la colère ou les ivresses pénitentes; / U, cycles, vibrements divins des mers virides, / Paix des pâtis semés d'animaux, paix des rides / Que l'alchimie imprime aux grands fronts studieux; / O, suprême Clairon plein des strideurs étranges, / Silences traversés des [Mondes et des Anges]: / — O l'Oméga, rayon violet de [Ses] Yeux!

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* [Tradução de Gaetan M . de Oliveira]:

Vogais
« A negro, E branco, I vermelho, U verde, O Azul: / Das vogais direi um dia os partos latentes: / A, veloso corpete negro das luzentes / Moscas que rondam fétido e cruel paúl, //
Golfos de sombra; E, candura de fumos e tendas, / Lanças de altivos gelos, reis brancos, tremor de umbela; /
I, púrpuras, cuspo e sangue, furor / No riso dos lábios belos, ébrias emendas; // U, ciclos, vibrações divinas
dos virentes / Mares, paz de pastos e gados, das pacientes / Rugas que a alquimia imprime em sábios sobrolhos; // O, Clarim supremo de estranhos gritos fundo, / Silêncios cruzados por Anjos e por Mundos: / — Ô, de Ômega, raio violeta dos Seus Olhos!»

sexta-feira, setembro 21, 2007

U de Utopia

«O homem não está só na história, mas leva sobre si próprio a história que explora»
Raymond Aron

A crise da realidade provocada pela Guerra do Golfo, em Janeiro de 1999, e posteriormente pela guerra do Afeganistão, em 2001, gerada como represália aos atentados de 11 de Setembro, levantou o problema da utopia da objectividade televisiva: a imposição de uma hipotética história objectiva da guerra não teve sentido. O poder omnisciente da CNN encontrou, desde logo, um contraponto na contra-informação da cadeia televisiva do mundo islâmico AL-Jazeera. O jogo sujo da guerra das imagens - que se impôs e se impõe durante esses acontecimentos - não cessou e numerosas imagens e informações se colocaram sob suspeita. Talvez a única excepção tenha sido, infelizmente, o atentado de 11 de Setembro contra as torres gémeas de Nova York, em que o relato informativo tel quel superou todos os filmes de catástrofes hollywoodescos.

A crise da verdade televisiva e com ele o modelo de utopia da informação pôs em crise um modelo de realismo entendido como afirmação da objectividade e trouxe ao primeiro plano os limites da ficção. O efeito bigger than life hollywoodesco fornecido pelos relatos comoventes dos protagonistas das tragédias tão pouco resolve esta crise. Atente-se por exemplo no caso do casal McCann - cuja filha Madeleine foi supostamente sequestrada – que, para já, começa a ganhar contornos grotescos e assombrosos prefigurando-se, talvez, como o maior embuste televisivo infligido ao espectador.

O problema de fundo é que se começa a estabelecer uma fronteira volúvel e confusa entre o real e a ficção. Estabeleceu-se já, ao nível do conhecimento humano, uma reformulação do conceito clássico de ficção que voltou a centrar o debate na necessidade ficcional como instrumento para o conhecimento e questiona-se, cada vez mais no mundo académico-universitário, a importância que a ficção pode exercer dentro de uma cultura contemporânea na qual se impôs, para já, uma crise de objectividade informativa. Tal constitui, por exemplo, a posição de Jean Marie Schaeffer na sua obra Pourquoi la ficcion? ( Paris, Seuil, 1999).

Para chegar ao conhecimento das causas reais a história teria que deixar de ser explicação para transformar-se em interpretação das intenções, sentimentos e razões das pessoas envolvidas, defendia Georg Simmel, ainda, no inicio do sec. XIX. Deste modo, somos cúmplices de toda a realidade e estaremos, então, a buscar a nossa verdade ao elevar o nosso nível de interpretação, daquilo que levamos em nós, para ultrapassar essa contínua suspeita em relação á informação televisiva.
A tendência actual é que o cinema de ficção como documento histórico pode estar a responder facilmente a algumas das questões que se encontram em contínuo movimento no presente, mediante a sua fabulação. Chegou-se á conclusão de que as imagens já não são o reflexo da realidade mas sim uma construção dela estando condicionada pelo pensamento que o cineasta inscreve, na qualidade de construtor das imagens. Os procedimentos de carácter estrutural, formal ou técnico dos cineastas devem, em princípio, desvelar o pensamento de uma época. Os casos mais significativos dessa construcção talvez sejam a América paranóica de Oliver Stone; o binómio corpo vs. virtualidade de David Cronenberg; ou o absurdo e queda em abismo de Abbas Kiarostami.

quarta-feira, setembro 19, 2007

T de Temperamentu, Tíru y Têra-Têra

T di Têmperamentu

Era un bez un rapaz ki tinha mutu mau tempêramentu. Sempri ku sê rostu runhu é ta txomaba tudu alguem di ignorânti, «besteirol», y ot'ora é tinha un manêra pôku ortodoxu di kôba alguen. Por isso sê pai da'l um bôlsa di prêgus y é fla-l p'e prega-s na parêdi de madêra di ses jardim tudu bez k-e perdi paxenxa ô diskuti ku alguem. Na primêru dia é prêga 37 prêgus. Mas passadu uns semanas é prende kontrola e, asi, númeru di pregus marteladu na parêdi di madêra ba ta diminui dia pa dia: é tinha diskubertu ma era más convenienti pa êl controla sê temperamentu di ki prêga prêgus na parêdi di madera. Uns semanas dispôs é ba djôbi se pai y ê-fla-l ma duranti kel dia é ka martela nenhun prêgu. Sê pai fla-l nton p' ê trá un prêgu pa cada dia ke ka perde paxenxa. Dias ba ta passa y finalmenti rapaz pôde flá sê pai ma dj'ê kaba de trá tudu prêgu di parêdi.
Nton sê Pai, xei di intenson, lêba'l pa djuntu di kel parêdi di madera xeiu di brákus y é fla-l: "Nha fidju, bu comporta drêtu, mas ôdja tudu bráku ki stá na cerca. È ka ta ser jamás kel u-mesmu di antes. Ò ki bu briga ku alguen y bu fla-l algu ki ta mâgua-l ô ta maltrata-l bu ta provokal um pankáda moda keli. Bu pôde mêti un fáka num hômi y dipós bu tra'l, mas ta fika sempri un pankadinha lá. Ka ta importa kantu bez bu pidi-l diskulpa: cicatriz ta fika lá pa sêmpri.»

T de Tíru
Kel stória sta bem a propósitu di un kâsu ridíkulu entre dôs puetas simbolistas francês di sec. XIX, ki dam graça: Paul Verlaine dá sê amigu Rimbaud um tiru dipôs di un discusson, é ba kadeia dôs ânu. Kantu é sai é tenta pidi Rimbaud diskulpa di tudu manêra, duranti tudu sê vida, mas foi en van. Ma si nu djôbi ses skritus nu ka ta ôdja nenhun índice di violencia, só musikalidadi y beleza ráru. È, sim: mediokridadi y arte pôdi convive djuntu na un mêsmu personalidadi.

T di Têra, Têra!
Têra-têra! N têni un grôgu kana-kana lá na kasa ki N ta tôma têpu-têpu, badiomenti y na paz di sprîtu. Sen fadiga txeu ... nes têmpu di lobos.

terça-feira, setembro 18, 2007



APARTIR DE HOJE TEREMOS, PELA PRIMEIRA VEZ, NO TEMPO DE LOBOS UM COLABORADOR - O MEU AMIGO INGLÊS JOE UNDERWOOD QUE VAI CONTRIBUIR COM AS SUAS TELAS E COMPOSIÇÕES PICTÓRICAS, ALGUMAS DELAS FEITAS COM BONECOS INFANTIS, PARA CARACTERIZAR ESTE TEMPO EM QUE VIVEMOS.
JOE UNDERWOOD É TAMBÉM UM VEGETARIANO CONVICTO: ACREDITA QUE A CARNE E OS SEUS DERIVADOS AUMENTAM, EM TERMOS BIOQUÍMICOS, OS ÍNDICES DE VIOLÊNCIA NO HOMEM.
INICIAMOS, ASSIM, COM UM CLOSE UP OF STYLE.

segunda-feira, setembro 17, 2007

S de Site-Sapo.cv

A PT vai arrancar o seu portal www.sapo.cv, exclusivo para Cabo Verde, em Outubro. A organização do portal será idêntica à do sapo.pt, com as naturais adaptações para a realidade cabo-verdiana. O portal terá notícias e uma área da Comunidade, onde estarão alojados videos, blogs, fotos, etc. Joaquim Arena [http://www.asemana.cv/article.php3?id_article=22522], jornalista, escritor e advogado, autor do romance «A verdade de Chindo Luz», é o gestor editorial e pretende contactar bloggers crioulos, de todos os cantos do mundo, para se alojarem também no domínio sapo.cv. Passe a palavra entre o pessoal que mantêem blogs, filmes e fotos na net sobre Cabo Verde, pois será um portal exclusivamente para o nosso país.