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quarta-feira, outubro 26, 2011

REFILADOR: SERVIÇO PÚBLICO PARA AS PESSOAS.




O SÉC. XXI É QUE É O SÉCULO DO POVO!



quinta-feira, outubro 13, 2011

Presidente duas vezes, Presidente para toda a vida.

A Fundação Mo Ibrahim acabou de laurear Pedro Verona Pires pela sua visão e por «transformar Cabo Verde num modelo de democracia, estabilidade e maior prosperidade. Durante os seus dez anos como presidente, a nação tornou-se apenas no segundo país africano a classificar-se na categoria dos Países Menos Desenvolvidos das Nações Unidas e ganhou reconhecimento internacional pelo seu histórico de direitos humanos e boa governação» refere-se no site oficial da fundação.


O ex-Presidente da República receberá 5 milhões de dólares mas de acordo com o que está especificado numa das cláusulas do prémio, o premiado tem até 200 mil dólares por ano para atribuir a projectos filantrópicos. Terá, ainda, que desdobrar-se em conferências, acções de filantropia, viagens e trabalhar com a sociedade civil para o resto da sua vida. Por aquilo que se espera dum laureado com o prémio Mo Ibrahim as instituições governamentais e do estado, este e os próximos Presidentes da Republica, terão que partilhar a esfera de poder com sua excelência Pedro Pires que vê a sua importância histórica aumentada ainda mais com este reconhecimento. Só para se ter uma ideia do peso que esta distinção tem, basta notar que o prémio é muito superior ao dos laureados com o Prémio Nobel e que à frente da instituição estão pessoas que apostaram definitivamente na boa governação em África como a única forma de resolução dos seus problemas e que elogiam pacotes de investimento como o do Millenium Challenge Account. Uma dessas pessoas é o próprio Mo Ibrahim, empresário sudanês, que fundou esta instituição, em 2007 para chamar a atenção para as questões da governação e liderança em África. Na entrevista que deu ao Council on Foreign Relations o milionário fundador da Celtel International, empresa de telecomunicações com presença em 15 países africanos (que foi vendida ao MTC Kuwait por 3,4 mil milhões de dólares), destacou o facto dessas figuras históricas premiadas puderem continuar a servir o continente como um todo, asseverando que «não é necessário ser presidente para prestar serviço; por vezes, a capacidade de servir é muito maior se não estivermos amarrados a protocolos e etiquetas».

Tempo de Lobos congratula-se com este prémio atribuído ao político africano mais hábil da costa ocidental africana: isso para quem sabe a diferença entre um porco-espinhos e uma raposa.




quarta-feira, outubro 05, 2011

ELECTRA

TOP STORY

No recente comunicado do Governo, o Ministro da Industria Energia e Transporte, Dr. Humberto Brito, referiu-se à uns contadores inteligentes que, em princípio, irão ajudar a solucionar, em parte, a problemática do roubo de energia. O ministro, que me pareceu muito melhor e mais seguro de si nesta intervenção à comunicação social (sem aquela coisa penosa de empenar para um lado ou para outro das razões governamentais), deixou claro que o problema da Electra implica toda a gente deixando, indirectamente, a ideia de que em vez de imputar tudo a medidas governamentais o cidadão deveria estar a pensar como ajudar o país a sair da crise. Aliás, esta atitude dos governantes começa a ser propalada a quatro ventos: recentemente a Ministra-adjunta, Cristina Fontes, referiu-se a isso mencionando a famosa frase de John F. Kennedy «não perguntes o que o país pode fazer por ti mas o que tu podes fazer pelo teu país». Até aqui tudo bem: as pessoas não deviam roubar energia da casa dos vizinhos e sobrecarregar, com isso, a Electra. Só que, ironicamente, isso tornou-se um problema político, neste país, em que a solidariedade, entreajuda comunitária e o «omerta» da vizinhança em relação ao desenrascanço do fulano-de-tal que roubou energia para sobreviver, configuraram todo o quadro sociológico cabo-verdiano. Como solucionar um caso assim? Separando o trigo do joio?

Convém dizer que «duas electrinhas» (como o líder do MPD o chamou) pode ser uma solução política para atacar a vaga de cortes de energia no país (uma vez que a energia renovável ainda está longe de se constituir como uma solução) mas nunca conseguirá resolver o problema na sua totalidade. Assim como está, só mesmo com uma central nuclear resolveremos o problema. Um outro país africano, a Nigéria já anunciou um controverso plano de construção de central nuclear depois de 30 anos de crise de electricidade num país em constante crescimento económico. Actualmente somente a Africa do Sul (ª) detém uma central nuclear e é preciso saber que, através de empresas especializadas e com acordos frutíferos com este país, se pode ter em Cabo Verde uma central nuclear pequenina mas que resolve tudo. Porém, o caso Fukushima no Japão abala muito essa confiança pois põe em causa o controle que se pode ter dessa energia. Portanto, energia nuclear: demasiado perigoso!

Por isso, até agora, a única solução criativa passa, sim, por contadores inteligentes, mas de histórias. Em vez da narrativa política desgastada há que saber contar histórias como antigamente, isto é, de modo criativo, que cria expectativas, provérbios e memória colectiva. È que no meio desta escuridão da Electra só nos resta mesmo: ...história...história...kem ki sabe mas konta medjor...
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(ª) A propósito da África do Sul relembramos aqui o alerta que lançamos, num outro post (aqui) para que se veja nesse país uma base frutífera para futuros acordos de desenvolvimento na área da cultura e da arte. É cada vez mais realidade, a a partir desse país do sul do continente, a ideia de que é preciso fomentar a construção de infra-estruturas e a circulação de pessoas e bens culturais entre países do continente africano que, devendo proporcionar um prazer estético de primeira ordem aos seus cultores, tanto africanos como europeus ou asiáticos, criará uma nova forma de economia. A ganância, a especulação e o enriquecimento por enriquecimento (que afundou as economias europeias e americanas) devem ceder lugar ao bem espiritual (emanados em produtos artísticos e culturais) que, ao ser valorizado, criará sustento na maior parte das economias domésticas e comunitárias. Trata-se de um novo modelo de desenvolvimento, mais consentâneo com o espírito dos tempos que vivemos, denominada economia criativa.

quinta-feira, setembro 22, 2011

Coisas inevitáveis!

Aristides Maria Pereira, enquanto 1.º Presidente da República de um país libertado como Cabo Verde teve a tarefa mais difícil de todos os presidentes cabo-verdianos, pois tinha que lidar com uma terra com um clima difícil para o desenvolvimento da agricultura, actividade primária indispensável ao sustento de uma economia que pretendia emergir do nada. Ele, praticamente, teve que "pedir" para todos nós o que, em termos diplomáticos, equivale a dizer "negociações a fundo perdido". O que Cabo Verde tinha a dar, nessa altura? Nada. Só um povo jovem, inteligente e ávido de saber, tinha Aristides Pereira, como «garantia», para «negociar». Tal como os primeiros grandes líderes, saídos da independência dos países africanos, ele teve que viajar para todos os cantos do mundo, mas não o fez para engordar a sua conta bancária, contrariamente às outras figuras históricas que se degeneraram em ditadores monstruosos dessa África libertada.

Se Amílcar Cabral é o arquétipo do que se entende por «herói» clássico, Aristides Pereira é a personificação do «herói» moderno que, ciente das suas fragilidades, fez dela a sua maior força. Isso é o panteão dos notáveis.

Inevitável!

sexta-feira, setembro 09, 2011

JORGE CARLOS FONSECA EMPOSSADO COMO PRESIDENTE DA REPÚBLICA DE CABO VERDE

Foto: Liberal On Line

O discurso de Jorge Carlos Fonseca no acto de empossamento é um sinal claro e inequívoco do Poder que vai passar a exercer de ora em diante. Todas as referencias foram apontadas, num estilo directo, incisivo e académico, como é seu timbre. Trata-se de um discurso que deve ser incorporado / assimilado por todos os cidadãos que assim poderão acompanhar a par e passo as peripécias do governo e da própria presidência. É também um discurso que deve ser estudado depois da sua alocução porque, depois de escrito e lido para uma audiência, pertence a todos.

sexta-feira, agosto 26, 2011

A LÓGICA DOS TRÊS E: ÉTICA, EGOS E EGOCENTRISMO (EEE)

«Ser sujeito é auto-afirmar-se situando-se no centro do mundo, o que é literalmente expresso pela noção de egocentrismo.»

Edgar Morin

Quem vai dizer agora à Dona Engrácia, mulher do povo, que vive na localidade de Pensamento que não, que o Presidente que ela viu na televisão já não é o Presidente da República, se ela insiste em dizer que sim, porque o viu, ainda, a atribuir medalhas aos jornalistas ontem á noite na televisão. Não, Dona Engrácia a senhora tem que parar de ver a TCV. Ontem, a senhora apenas assistiu a uma meta-representação. «Meta-quê?».«Pois é, Dona Engrácia, a senhora não iria compreender. É que nestas coisas o povo não tem razão, não tem olhos nem ouvidos. É massa amorfa!».

O que pensar da responsabilidade para com a visibilidade das coisas quando são os próprios profissionais que aparecem no centro dessa visibilidade? Levado por quem? Conduzido por quem, à visibilidade máxima? Por um ex-Presidente altruísta ou egocêntrico? Talvez, altruísta com o ego dos outros, que o digam os jornalistas que vêem o seu ego «engordar» um bocadinho. Bem o merecem! Pelo trabalho meritório que têm desenvolvido desde sempre em Cabo Verde.

Mas porque só agora? E só para a maioria dos profissionais da RTC? E os da imprensa escrita? Porque não antes das eleições presidenciais? Bem, são coisas que devemos guardar dentro de nós: é isso a ética**. Face a isto nem é preciso a Constituição da República para validar o acto.

Edgar Morin ao falar de ética afirma que «o seu imperativo provém de uma fonte interior ao indivíduo que sente no seu espírito a imposição de um dever» mas para Wittgenstein, o senhor do Tractado Logico-Filosófico, bem vistas as coisas, «é impossível falar de ética».

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** Em “Amistad” o líder da rebelião interpretado por Djimon Hounsou, desalentado, por ainda ter que permanecer nas terras do Tio Sam, por que se remeteu recurso no tribunal, afirma com veemência que na sua terra não existe um seria, ou seja, não existe uma conjugação vital na condicional. Para ele existe um Ser e ponto final - uma coisa é ou não é. Demasiado redutor, mas constitui, igualmente, uma ética.

quarta-feira, agosto 24, 2011

FILÚ - A LENDA DAS PAIXÕES

1. A Imagem Política. Filú** é das coisas mais apaixonantes que há na política cabo-verdiana. Cai junto com o Pai político, Pedro Verona Pires. Comovente! Mas, quando muito, é só até aqui que se consegue salvar a sua figura.

2. O Homem. O ministério que lhe fora atribuído é a sua cara, como um fato feito à medida. Porém, entra em desacordo com o líder do Partido e apoia a candidatura de AL. O seu pedido de exoneração, na consequência da derrota deste nas eleições, não deveria constituir necessariamente uma derrota política dele, para que fosse afastado do cargo. Até aqui ainda se aceitava a razoabilidade das suas acções. Porém, a sua derrota, a mais aparatosa, é o facto de ter pedido a todos que votassem no Manuel Inocêncio Sousa. Inaceitável para um espírito sóbrio! Isso fez tremer muito a sua imagem de homem de carácter.

3. O Carrasco. Agora que estamos no Presente do Indicativo, a cabeça dele é servida de bandeja à mesa do Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca e o seu carrasco é o Primeiro Ministro, José Maria Neves que vai despedaçar e distribuir o seu corpus ministerial pelos vários cantos ministeriais do seu governo

4. A Lenda. A História de Filú** terminaria aqui se os Homens não fizessem, também, Lendas. Não fosse, igualmente, a presença inexcedível do Pai Político que pelos vistos não arreda pé e já disse, uma vez, que se deve contar com ele. O próximo treino político de Filú pode já ter começado a estas horas. Assistiremos a uma rentrée política de Filú daqui há uns dias, meses, anos?

5. O Desfecho. Os militantes tambarinas sempre falaram em duas sensibilidades no seio do seu partido – a de Filú e a de José Maria Neves – e o facto de Pedro Pires ter, aparentemente, apoiado Aristides Lima, pondo-se ao lado de Filú, significa que é a sensibilidade deste que prevalece. E se o processo histórico desse partido não o confirmar, a Lenda se encarregará de fazê-lo. Pois claro, a Lenda: algo que só se compreende no coração dos Homens.

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**Nota: Filú é visto aqui como a imagem lendária do político que foi forjada e conduzida pelos seus militantes e não pelo indivíduo nascido de nome Felisberto Vieira (que deve estar a rir-se de si próprio como um bom cristão, nunca se compadecendo de si mesmo. Como ele deve saber: nenhuma divindade se compadece da nossa impotência.

terça-feira, agosto 23, 2011

JORGE CARLOS FONSECA É O 4.º PRESIDENTE DA REPÚBLICA.

Na democracia o Povo é quem decide. O povo sempre tem uma razão.

1.Vitória. A vitória de Jorge Carlos Fonseca nestas eleições presidenciais traz um dado novo à nossa política. A democracia caboverdeana está de parabéns! Basta ver o modo como tem oscilado, a esse nível, a sucessão dos senhores na casa cor-de-rosa. Nesse capítulo, as presidenciais escaparam às grandes jogatanas, ao tudo por tudo que empesta as legislativas.

2.Nova Realidade Política. Respira-se melhor no novo ambiente político que se formou. Provavelmente abrir-se-á um braço de ferro entre o Presidente e o 1.º Ministro; provavelmente cairá o governo; provavelmente haverá instabilidade política; provavelmente tudo corra pelo melhor sem grandes atropelos de poder; provavelmente … provavelmente…vamos ter que ouvir e ver melhor (o ranger de dentes, palavrões ditos entredentes, sorrisos amarelinhos depois de encontros governo vs. presidência, olhares cínicos, etc.).

3. Improbalidade da Comunicação. Improvável se torna, porém, a permanência da conjuntura anterior tal como temos vindo a assistir. A mudança que se queria com as legislativas chegará, certamente, com este novo Presidente de quem se espera alguma intransigência face aos riscos de inconstitucionalidade nas decisões governamentais. Como diria Niklas Luhman é preciso que o sistema e o meio estejam de acordo para que haja comunicação ipsis facto.

4. A Primeira – Dama. Mesmo sendo bonita, a nossa Primeira-Dama passará a pensar no estilo e nas roupas que passará a usar daqui para frente. Talvez arranje uma estilista particular que lhe oriente nesta fase em que todas as mulheres estarão de olhos postos na sua conduta e postura presidencial. E já se faz muita moda por aí. Uns mais sérios, outros mais naifs. Para já, ela é uma mulher à altura: tem presença e expressa-se bem. As boas acções sociais representarão, obrigatoriamente, a sua co-magistratura.

5. Casa cor de rosa. Mas fica a pergunta: onde é que os dois vão instalar arraiais já que a remodelação da casa cor-de-rosa onde deveriam ir logo nos primeiros dias do seu exercício irá demorar dois anos e meio num catabrum catabrum, sob a supervisão da China*? Um meio golpe de estado dado por PP que vai fazer sentir a sua sombra como um fantasma da ópera que ora se inicia? Mas que desfeita! Não deveria ser o novo inquilino a requerer a remodelação ao dono e proprietário? Um ex-inquilino nunca decide sobre uma remodelação, coisa alguma, só o dono e proprietário da casa o pode fazê-lo. Que significa isso?

Pela lógica escolástica (não erística) o conteúdo dessa anomalia fica assim: se PP manda remodelar a casa cor-de-rosa; logo PP é proprietário da casa; como o proprietário da casa é o Estado, logo PP é o Estado. Conclusão (forçosamente retórica): o PP é a personificação do Estado ?!! Bem, que eu saiba, mesmo que ele tenha sido isso ao longo destes 10 anos, já deixou de sê-lo a partir do dia 21 de Agosto de 2011.

Livra! Que prenda mais embaraçosa!

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* Obs: China não é só uma das maiores potências económicas mundiais. É também o maior aliado ideológico do PAICV e de todos os partidos africanistas independentistas. China, pelo seu poder económico e ideológico, tem servido de escudo protector da ex-políticas africanas de não-alinhamento, ocupando o lugar de sentido anteriormente equacionado pelo conjunto dos países não alinhados [com os valores das grandes democracias capitalistas planetárias]..

quinta-feira, agosto 18, 2011

Debate JCAF vs. MIS. (Score): KNOCK OUT TÉCNICO!

Round 1. Transferência bancária em períodos de campanha. O primeiro knock down que JCAF infligiu a MIS foi no momento em que se referiu ao facto de, constitucionalmente, não se dever fazer transferência em períodos de campanha eleitoral [mesmo que uma testa de ferro como a Cristina Duarte pense que pode fazê-lo]. Esse gancho de direita foi aplicado a MIS numa altura em que ele, precisamente, se sentia seguro da sua argumentação erística* de quem tem sempre razão. Conseguiu, ainda, levantar-se sem perder a postura e a dignidade.

Round 2. Justiça. Neste capítulo MIS foi mesmo ao tapete, clamorosamente, por knock down! A questão da criação do Tribunal Constitucional – pedra de toque do Movimento para a Democracia – como garante efectivo da democracia e a do Provedor da Justiça como garante da justiça nos domínios civil e penal, foi, respectivamente, um gancho de direita seguida de uma esquerda em cheio no dossier levezinho e repetitivo de MIS. Ainda assim, conseguiu levantar-se passados 30 segundos.

Round 3. “Déja Vu”. Muitos momentos de debate foram repetitivos, uma vez que as perguntas tornaram-se recorrentes e as respostas iguais, sobretudo no que toca à posição política de ambos os candidatos. As manobras é que não resultaram bem. Falhou a arbitragem jornalística, que permitiu muitos descansos entre os "ombros suados dos lutadores".

Round 4. A Borboleta e a lagarta. MIS nunca chegou a levantar vôo, sempre metido no seu casulo. Teve um discurso amorfo e inconsequente. JCF esteve a saltar livremente de um lado para outro numa profusão de ideias e palavras, umas academistas outras politizadas, mas sem nunca deixar de se pautar pelo intelecto strictu sensus. Neste domínio JCAF é imbatível! MIS acabou pedindo clemência. Pareceu uma luta entre Muhammad Ali (Cassius Klay) e George Foreman.

Round 5. KNOCK OUT TÉCNICO! Dignidade Ofendida! Nas histórias de Kung Fu e outras Artes marciais um Mestre A de uma escola nunca envia um discípulo para lutar contra um outro Mestre B de uma escola diferente, se ele próprio (o Mestre A) anda estiver vivo. Normalmente essas grandes batalhas travam-se entre mestres de ambas as escolas. Foi, por isso, uma luta desigual entre o Mestre de uma escola política e o discípulo de uma outra escola. E agora quem vai vingar o discípulo? O seu Mestre? Ou um outro discípulo enviado pelo Mestre?
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* Dialética erística ( ou de como vencer um debate sem precisar ter razão) é um importante, porém inconcluso, acréscimo do sistema filosófico de Arthur Schopenhauer. Nele, Schopenhauer analisa os "principais esquemas argumentativos enganosos que os maus filósofos utilizam, com razoável sucesso, para persuadir o público de que 2 + 2 = 5",[1] baseando-se, principalmente, nos Tópicos de Aristóteles. Mencione-se que, por dialética erística, termo que constitui o subtítulo do livro, Schopenhauer entende "a arte de discutir, mais precisamente a arte de discutir de modo a vencer, e isto per fas et nefas (por meios lícitos ou ilícitos)" (In Wikipedia).

terça-feira, agosto 09, 2011

FAILURE SYSTEM

Uma equipa de investigação na área da política cabo-verdiana, denominada NAUSEA, detectou 9 erros de sistema e são os seguintes:

1. Candidato da cidadania. Erros no próprio discurso mediático com variadíssimas discussões sobre qual dos candidatos é o candidato da cidadania, se era o JCAF ou o AL, quando era muito claro que o único candidato da cidadania foi, afinal, o incrível Joaquim Monteiro.

2. “MI É CABO VERDE”. Este slogan da campanha de MIS esconde um terrível epigrama: JMN que orquestrou tudo é o seu autor e afirmou-o às expensas do próprio candidato: “Mi é Cabo Verde”, ou seja, é o próprio Neves a afirmá-lo, em língua crioula, como um semideus.

3. Compra de votos. Inacreditável, mas verdade como água cristalina! È a senda do “povinho” que corrói a democracia cabo-verdiana, por dentro.

4. A Contagem dos Votos. No directo na TCV a amostragem dos dados que começara com um universo de 41 mesas revelando, desde logo, a vantagem de JCAF foi, logo, ignorada por Valdemar Lopes que iria pegar, de boa intenção (sic), numa outra amostragem, com apenas 28 mesas apuradas, anterior àquela, que registava a vantagem de MIS na tabela de percentagens. Denunciava, sem querer, o truca truca que iria prevalecer ao longo das contagens.

5. 2.ª Volta. A passagem de JCAF e MI prova a imaturidade política do Homem cabo-verdiano moderno, ou seja, a cegueira em relação às virtudes de um ou outro candidato e o engajamento, tout court, nos candidatos nomeados pelos partidos.

6. Aristides Lima. Era claro que o JCAF passaria para a 2.ª volta mas já não era tão previsível os resultados para o MI ou para o Aristides Lima. Este último caiu no erro de pretender situar-se acima da história – a história real - «a poeira e sombra»- que existe na política cabo-verdiana. A sua almejada vitória significaria que o Povo cabo-verdiano tinha parado na História, tentando repescar dela uma imagem saudosista de um Aristides Pereira, ou, quando muito, significaria que o povo cabo-verdiano atingiu um nível de sofisticação política, e de análise, que os povos, todavia, nunca costumam ter, precisamente por terem a qualidade de massa conduzida.

7. Jorge Carlos Fonseca. JCAF, o único candidato que, no debate televisivo decisivo, se dirigiu em língua crioula e com alguma naturalidade à nação cabo-verdiana, já é decididamente o candidato que pode e deve consolidar a democracia cabo-verdiana, mas o erro do sistema é que na democracia não existem grupos destituídos de interesses, apenas preocupados com o bem colectivo, e o facto desse sistema ser auto referente, é terrível para qualquer candidatura. É que o sistema se encarrega, sempre, de dizer: «o povo é quem decide». E agora? Alguém se atreve a dizer que «o povo não tem razão»? Bem, se JCF perder na segunda volta eu mesmo me encarregarei de fazer essa afirmação e justificá-lo-ei como bom cabo-verdiano que sou.

8. Incidentes na Votação. O que, ainda, é irracional é o que leva a que uma orelha de um cidadão votante, em Achadinha Cima, seja despregado da cabeça, à catana.

9. Prato preferido de JCAF. Caldo de peixe misturado com yogurte?

quarta-feira, julho 27, 2011

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

100...1000...10000...10n...

Mouamar Kadhafi

“Danzam com sus padres, sus niños tambien y com sus esposos, en soledad…
un dia danzaremos sobre sus tumbas: libres.»
Sting

Que caiam todos os Kadhafi’s, Pol Pot’s, Id Amin Dada’s, Nero’s, Mobutu’s e que no terreno baldio, onde eles estão, não cresça mais nada … nem capim.

quarta-feira, janeiro 19, 2011

2

2 apagões (com segundos de intervalo) antes de poder ver o debate na televisão.
2 lideres ás voltas com a "moral dos fortes".
2 dossiers fulcrais: a energia e o emprego.
2 mandatos que já dão «para inglês ver». Chega!
2 secções compartimentadas com uma abertura: a dos ataques pessoais.
2 minutos de tempo de discurso á nação,dirigindo-se a um «nós» em vez de um «tu» (mais real).
2 pontos fortes a instalar no sistema: a despartidarização da função pública (e em todos os outros sectores, até os mais improváveis como a cultura) e a pessoa como centro nevrálgico.

sábado, janeiro 15, 2011

1+1+1+1=2

O debate histórico de ontem foi, na verdade, um ajuste de contas de dois líderes dos dois maiores partidos. Houve um desrespeito total da parte de José Maria Neves (PAICV) e Carlos Veiga (MPD) para com os outros dois candidatos. Em nenhum momento um ou outro se virou para João do Rosário (PTS) ou António Monteiro (UCID) para refutar o que quer que seja. Uma desconsideração completa pelos argumentos esgrimidos pelos dois. Muitos desses argumentos revelaram-se, até, superiores aos do JMN e do CV; como aconteceu, de facto, na questão das energias renováveis, da regionalização e da segurança. O que deveria ser um debate a quatro reverteu-se, a dada altura, numa troca de acusações entre dois senhores que afinal actuaram de forma menos democrática. Houve algumas ideias fantasiosas que poderiam animar esse debate, nomeadamente a da criação de casas oficinas, pavilhão permanente para empresários, energia eólica em quantidade suficiente para dar potência á electricidade, entre outros voos mais arrojados pelos dossiers centrais. É claro: como sempre faltou senso de humor a esta classe.
Penso que não faz sentido os dois maiores líderes terem actuado daquela maneira quando já no próximo dia 18 de Janeiro terão essa oportunidade única de se verem frente a frente. Começamos, pois, a rosnar e a uivar!
A democracia deve ser vivida do interior. Mais do que vangloriar por uma constituição ou leis democráticas, há algo que já devia estar na mente dos políticos e, sobretudo, nos seus hábitos.
Parabéns á TCV. Já existe uma vitória: a do jornalismo cabo-verdiano.

segunda-feira, abril 06, 2009

O DESEMPREGO DE LICENCIADOS

"Good Will Hunting" (1997) Gus Van Sant



Oito (8) dicas para enfrentar o desemprego de licenciados no país:




1. Criação de agências de emprego nacionais como actividade geradora de rendimento. Emprega-se quem precisa e ajuda-se outros a empregarem-se: só assim se cria a consciência de busca não só como fim como um meio em si;


2. Sistematizar a aplicação de testes psicotécnicos e de inteligência emocional nas candidaturas: desta forma criamos uma sociedade baseada no mérito e não em favores políticos;


3. Promoção de auto-emprego aliada ás ideias e ao empreendorismo nacional;


4. Criação de laços umbilicais entre a universidade e o mercado de emprego de forma a que estudantes que tenham aproveitamentos possam ter acesso directo ao emprego;


5. Maior divulgação acerca das ofertas de emprego existentes nos países da CPLP que passa por uma agencia de intermediação de ofertas e de buscas;


6. Criação de cursos superiores de turismo e de agentes culturais!!

7. Incutir maior responsabilidade nos nossos estudantes e lembrar-lhes que o país começa a deixar de ser para todos que simplesmente queiram viver nele;

8. Promover o micro-crédito para sectores não antes contempladas. Que tal apoiar uma empresa que queira produzir uma revista de moda e de beleza, um dos sectores mais badalados nos ultimos anos no país ?;


8 1/2. Incentivar o audiovisual e a industria cinematográfica tornando-a uma actividade lucrativa e geradora de empregos.


Leia a seguir o que diz a malta do blog joint:


segunda-feira, março 23, 2009

BLOG JOINT: do ABUSO da burocracia e do USO dos equipamentos (ideológicos)

"Tempo de Lobos" (2003) - Michael Haneke



Negar a um grupo cultural a possibilidade de se aperfeiçoar é negar-lhe o ambiente, no melhor dos casos: uma descriminação. E isso já é uma praga NACIONAL. Há muito tempo que os abusos nas questões admnistrativas e burocráticas flagelam este país (com as devidas ressalvas para a CASA DO CIDADÂO, mas aí não se alugam os equipamentos sociais). A praga é tal que já atingiu ONG's e estruturas sociais que não têem nada a ver com gestão admnistrativas e que deviam estar mais preocupados com PESSOAS. È difícil lidar com as pessoas e muitos se defendem por detrás de papeladas, carimbos e trâmites vários. A praxis admnistrativa e burocrática tornou-se ela própria quase uma ciência: num processo de relativização que cria uma bombinha algures sem ninguem dar por isso. Há perfeitos peritos nesta área: amarram bem todo o processo, metem-lhe algns ingredientes de intrigazinhas, arregimentam-lhe como nó cego e esperam. Há aqueles que já o tornaram uma arte do ardil e do engano. Por vezes não há outro nome a dar a todo este imbróglio que o RAIZ DE POLON, grupo com créditos firmados, foi obrigado a engolir: é mesmo malvadez.



Quem já foi rapaz nesta cidade da Praia lembra-se certamente daqueles jogos de futebol que chamamos seca pele e que só se joga quando todo o mundo está cansado e já se exibiu o suficiente ou já deu provas de ki: «é bale o é ka bale». A bola fica isolado no meio do terreno de campo e só lá chega quem pode com a sua canela. Há sempre aquele que está pronto a partir-te a perna se puseres os pés na bola. Por isso a bola fica sempre só, no mesmo lugarzinho no centro do campo porque todo o grupo tem medo de lá pôr os pés. Pois, então, a bola é esse equipamento social.




Cenários de desolação já os vi aos pares, em conjuntos de horas e aos pulos durante a semana de trabalho. Aqui nas nossas repartições em lugares que menos desconfiamos e que deviam estar prenhes de vida e dinamismo. Funcionários obscuros, kafkianos, preenchem as funções, locais de relevante importancia para a vida social e cultural nacional estão ás moscas, com gente a desertar.


Olho para esse cenário dos abusos da burocracia e só vejo uma coisa no enquadramento: um homem está de braços cruzados no cimo de uma estrutura de barras de ferro (algo por construir) e no piso abaixo, na parte esquerda da estrutura, um macaquinho de olhos agudos e flamejantes segura uma barra de ferro solta da instalação. Mais abaixo na parte direita da estrutura estão umas belíssimas e longas pernas crioulas. Uma Calhandra está no piso inferior com o bico voltado para leste.



Como diz aquela bonita canção de Sting:

"...danzam com sus padres, sus niños tambien y con sus esposos... en soledad..."

Leia a seguir o que diz a malta do blog joint:









segunda-feira, fevereiro 23, 2009

BLOG JOINT: (IN)SEGURANÇA

"Cidade de Deus"(2002). Fernando Meirelles


Há momentos atrás andava eu com uma quantia considerável em cash para depositar e deparei-me com um dos thugs da capital: um tipo bem alto, lenço na cabeça, de chinelos, e mau aspecto. Naturalmente que qualquer pessoa sente-se-se impelido a pensar coisas perfeitamente banais do estilo «sera que ele sabe que eu tenho esse dinheiro», «será que ele desconfia de alguma coisa», «será que ele adivinha os meus pensamentos». Não cheguei a pensar essas coisas mas coloquei-me, logo, em autodefesa. Com um pouco de paciência e sangue frio ainda pude pensar «o que leva este jovem á minha frente a me atacar e roubar, nesta horita?», «claro que ele tem necessidades, mas não vou tirar o meu dinheiro que ganhei com muito suor para lhe dar. Isso nem pensar», «ou ele vai fazer esse ataque por pura vingança - para vingar os pais que tambem não foram bem sucedidos na vida. E que culpa tenho eu disso?» , «com que arma ele me vai atacar? O ódio dele vai em quantas gramas?». A distância entre nós começa a ficar mais curta, em tensão psicológica e em metros. Cruzamo-nos. Não acontece nada. Reparei até que ele levava atrás, pendurado nos calções de ganga suja, um pano seco, desses que os limpadores de carro levam sempre atrás. «Está, afinal, a ganhar honestamente o seu pão». Isso me deixa feliz mas não descansado. Porque não estudou? Quem se descuidou? Ele ou os pais?». Que consciência carrega ele enquanto anda e trabalha. Quantas revoluções já não terá pensado esse jovem, meu conterrâneo, meu desconhecido mas não meu estranho. Seguramente.




Leia a seguir o que diz a malta do blog joint:


quarta-feira, fevereiro 11, 2009

$ 800.000.000.000: NÚMERO "BLOCKBUSTERS"

"The Pursuit of Happyness" (2006).Gabriele Muccino



... é o Big Bang na nova economia americana.



Depois da aprovação pelo Senado Americano «stimulus package» de Obama o governo norte-americano pode agora energizar a economia. Esse novo pacote, na quantia módica de $ 800.000.000.000 consiste basicamente em novas obras públicas e investimentos em áreas básicas, como saúde e educação. Tambem parte do bolo irá beneficiar pequenas e médias empresas o que significa que deverá haver um ressurgimento de ideias novas, pequenas produções de qualidade e diversificação de ofertas. "So, Buy American". Melhor ainda: como disse Bruce Springsteen "I want My America Back". É a «pimbalhada» geral.



É sobejamente conhecido o chavão americano "it's economy, stupid!", talvez uma resposta lendária dado por um camone a um transeunte qualquer que não compreende porque a sua vida não sai dos mesmo "sítio", mas que serve perfeitamente para aquele que só admite esperança, o que chega a ser ridículo quando não se age. Daí aquele novo chavão que saiu da cartola de palavras mágicas de Obama: "I believe in Hope but I do believe in Action, too!" .



Aposto, aqui, que Hollywood irá tambem aumentar o seu pacote de blockbusters (vulgo «pimbalhada») para acompanhar a nova onda de esperança e determinação trazido pelo actual protagonista de cena.



Com este bloody good number, todos vão paparicar e papaguear Obama. "So, Action, Mr Obama".


Não importa quem realize. O número fala por si.


segunda-feira, fevereiro 09, 2009

BLOG JOINT: TURISMO E AMBIENTE [Decreto Lei nr. 3 / 2003 de 24 de Fevereiro]



"The 11.th Hour"(2007). Nadia Conners, Leila Conners Petersen



O Decreto Lei nr. 3 /2003, de 24 de Fevereiro, declara a baia da Murdeira como Reserva Natural Parcial Marinha, o que dá margens legais para se fazer construções turísticas e hoteleiras por se considerar haver um impacto reduzido a nivel ambiental (as mesmas considerações iniciais que estão a levar ao degelo o Polo Artico: é porque fica lá longe, imune ao sobreaquecimentos da atmosfera, não é?). Eu só acho que é altura de se ver as orlas marítimas com as mesmas convicções que levaram a que existissem Parques Naturais em Cabo Verde, fortemente protegidos pela Lei, isto é, com cientificidade e amor á terra e sem parcialidades. Leia a seguir o que diz a malta do blog joint:


terça-feira, janeiro 27, 2009

BLOG JOINT: ENSINO SUPERIOR

O Clube dos Poetas Mortos (1989) . Peter Weir



Congratulo-me com este primeiro tema no blog joint. Penso que Redy Wilson avançou, bem a propósito, e com a sua frontalidade costumeira, a situação actual do nosso ensino superior. Daí que eu prefereria arriscar o cenário possivel para este problema, criado prematuramente uma vez que já não adianta chorar sobre o leite derramado. Acho, tambem, que tudo isso é fruto do oportunismo de alguns que vêm mascarados como empreendedores de um novo desenvolvimento na educação e no ensino em Cabo Verde. Focou-se a questão da exigência de qualidade (passageiro em trãnsito) do controle, da fiscalização e monitorização do sistema de ensino superior. Uma das exigencias que se devia fazer, a meu ver, é que essas universidades estejam, pelo menos, munidos de meios tecnológicos que possibilitem a realização de video-conferencias e de e-learnings criando uma fígura híbrida de ensino, quiçá um novo modelo universitário que passa a bola para o lado dos alunos, atribuindo-lhes uma verdadeira responsabilidade na forma como aprendem. Isso deixará pelo caminho muitos mas é assim a vida. Não há lugar para todos no topo.


Sendo a figura do professor catedrático importante no processo de assimilação das matérias, urge daí criarem-se convénios com universidades mais fortes de forma a trazer autoridades na matéria e a multiplicar as palestras, workshops participados e oficinas de debate.
Não está em causa a criação de universidades que «pipocam» por aí (Bianda). Pode haver mil universidades em meio metro quadrado já que «o saber não ocupa lugar» (laughing) ... mas o que se requer é que estas universidades sejam capazes de proporcionar o grau de qualidade desejado para o desenvolvimento do país. Seja como for o esforço recairá sempre sobre aquele que se quer instruir. Penso que estes, qualquer que seja a situação criada, terão obrigatoriamente de criar laços e familiaridade imprescindível com as novas tecnologias, acompanhar o ritmo imposto internacionalmente pelas estruturars do saber e estar atento às mudanças nos paradigmas da ciencia em causa. Será que os nossos alunos que saem de um ensino secundário demasiado permissivo e postura «laxista» estarão preparados para tal?


É aqui que entra talvez o poder político e a máquina partidária. O cenario posivel é que esses novos licenciados a nivel interno criem pequenas organizações de saber co-organizado e co-financiado pelos partidos políticos com a simpes vocação de retroalimentação do sistema político. É o que já acontece mesmo com aqueles que se formam no exterior. Porque é que não há-de a máquina partidária aproveitar-se desse jogo de saber aumentando-lhe o nivel de sofisticação? Os poucos que conseguem superar-se e daí se tornarem mais esclarecidos não nos devem preocupar mas aquela maioria que simplesmente está na lógica de sobrevivência, essa maioria só tem uma unica solução: servir um ou outro interesse com a «mediocridade» que se pede nestes casos. Esta será de facto a única forma dessa nova «fornada» de licenciados internos criar um vínculo social vital legitmando o seu saber - aliando-se à práxis política e á pragmática associativa da moderna sociedade caboverdeana. Os partidos ganham, assim, responsabilidades acrescidas e vida política torna-se o refúgio para muitos que sem essa via iriam para o desemprego. Basta olhar á volta: a sociedade caboverdeana tem vindo a ser uma sociedade fortemente politizada e as soluções para os jovens, consciente ou inconscientente, são unicamente equacionadas nessa óptica. «Não se pagam sábios, técnicos e aparelhos para saber a verdade mas para aumentar o poderio.»


Admite-se outro cenário não menos provável, coexistindo ao que já foi apontei. Guiné-Bissau, S. Tomé e Príncipe, Angola receberão licenciados caboverdeanos para trabalhar nas suas estruturas, no que poderá constituir num novo fluxo histórico da emigração caboverdeana, a juntar á época da pesca da baleia, do trabalho nas roças de S. Tomé e Príncipe, e da vaga dos anos 70. Cabo Verde transforma-se, dessa forma, num país exportador de recursos humanos para os PALOP: «o saber não ocupa lugar».