TEMAS

sexta-feira, janeiro 16, 2009

HABEAS CORPUS

«Tudo Bons Rapazes» (1990). Martin Scorcese



Agora que o juiz conselheiro Raúl Varela emitiu um despacho que autoriza a soltura do cidadão José Barbosa, condenado em primeira instância a 25 anos de prisão por envolvimento no ataque a um bar na Holanda ( de que resultou na morte de três pessoas) é bom dar uma espiadela á onda de opinião dos juristas nacionais e da diáspora. Sugeria a leitura do texto opinativo do nosso colega bloguista Virgílio Brandão de Terra Longe . Excertos:

«(***)



Não é a função dos tribunais aplicar as leis, interpretando-as no melhor sentido, conformando essa interpretação com a Constituição e o sentido de Justiça que emana da comunidade e de arcana e constituída ciência? Mas que riscos existem para um Juiz, formado em Direito e conhecedor da Ordem Jurídica e da ciência a ela subjacentes, em interpretar a lei de acordo com o sentido de Justiça e a Constituição? Parece que o CSMJ entende que outra(s) entidade(s) que não os Tribunais deveriam se encarregar de interpretar o Direito – nomeadamente os códigos penal e de processo penal – e, depois da «papinha feita», dá-la aos Magistrados judiciais para aplicação.


(***)



É uma solução mais fina a do legislador cabo-verdiano e, de todo, mais de acordo com os direitos fundamentais dos cidadãos que a estatuição portuguesa – essa, sim, ambígua… pois tem permitido muitas interpretações no seio dos tribunais. É irónico que seja uma norma clara e esclarecedora a criar nuvens que ela mesma dissipa… e bem. Mas, pelos vistos, bastou uma pequena alteração legislativa que ultrapassa o sentido libresco e costumeiro de entender-se as leis para se fazer uma confusão desnecessária a interpretar a mesma.


(***)


A questão da prorrogação automática dos prazos não é, em si mesma, o problema; aliás, não é problema que se coloque. A questão ou problema tem sido a de saber se se aplicava a lei, de forma automática, sem necessidade de despacho judicial, ou se era necessária a intervenção do Juiz para declarar a especial complexidade. O STJ, é manifesto, não soube colocar a questão no plano da especificidade da legislação nacional – falha num simples juízo que um simples mutatis mutandis sistémico e interpretativo resolveria.

(***)


In "Comentário ao comunicado do CSMJ. A Independência dos juízes e a apologia da magistratura cábula" »

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Erros (ou Atrasos) do Sistema

«The Godfather» (1972). F.F. Coppolla

A interpretação que um juiz dá da Lei não pode ser posta em causa, esta é a justificação que BMR ex-PR do STJ. O que é feito daquela justiça simples, crua e nua como ela está definida na consciência do Homem desde os primórdios? (Digo, dentro da Lei). Onde é que está agora a consciência do sistema? Pelos vistos ela é apenas um «signo» que se redistribui de interpretação em interpretação como a própria dinâmica do poder nas sociedades modernas: sofisticado, complexo mas, por vezes, ambíguo. Acho que a partilha do poder judicial, ou de qualquer outro tipo de poder, deveria ser definida em termos mais claros e precisos, sem ser meramente opinativa ou processual. Quem age sob o signo do poder não pode só dar uma opinião.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

O QUE DEVE TRIUNFAR?

Satyricon (1969). Federico Fellini


«Ou avançamos com a criação de porcos ou com o desenvolvimento do turismo (na ilha do Sal).»


Antero Alfama - Vereador. Pelouro de Protecção Civil da Câmara Municipal do Sal




Confesso que fiquei maravilhado com esta espantosa afirmação, relativa ao derrube de barracas (quintas) de criação de porcos ( e outros animais).


Esta opção pode ser aparentemente fácil de se tomar, mas não o é ... meu caro Vereador, na verdade ambas coexistem perfeitamente em muitos lugares turísticos, diga-se de passagem...

quinta-feira, janeiro 08, 2009

HISTERIA MORAL


«Boccacio 70» - 1962. Fellini, Visconti, De Sica, Monicelli

Quem já viu «Magnólia» de Paul Thomas Anderson lembra-se de ter visto sapos a cair do céu. Depois desse filme pensei que talvez não houvesse outro cineasta que ousasse algo do género: o absurdo e o insólito dado depois de 2 horas de filme (quando toda audiência estava metida na histeria moral das diferentes estórias, acontece o quê?! Chove sapos).


Quando A. Fuqua em «Training Day» «descolou» um Ethan Hawke que parece ter caído do céu para cima do carro de Denzel Washington (como poderia a personagem ter sobrevivido a todos aqueles golpes, ainda por cima ter embatido com violência no capote do carro, áquela altura; manter-se de pé para toda a cena de captura do malfeitor, não se tratando de «cartoon»!? Inverosímil, no mínimo!) pensei, outra vez, em «Magnólia» de P.T. Anderson mas não o considerei plágio - achei-o até mais ousado. «Para grandes males grandes remédios» define na perfeição a cena.


Agora, quando vi a ultima cena do «No Country For a Old Man» de Joel e Ethan Cohen - saiu um carro vindo do nada para embater na viatura do serial killer - pensei e disse-o: uma das cenas mais inesperadas que eu já vi no cinema... algo tinha que acontecer, algo tinha que parar esse serial killer (o mais recambolesco do cinema colou-se á pele de Javier Barden) - o «diabo em pessoa» pela mão de ... Joel e Ethan Cohen.


mas lembrei-me outra vez de «Magnólia» de P.T. Anderson e só aí percebi que se tinha tornado um movimento. Estava tudo aí: na câmara lacónica e desencantada de Joel e Ethan Cohen, na intrepidez do estilo em Antoine Fuqua ... na duração que é necessária para se conseguir esse efeito...

Mas que movimento é esse afinal? - é querer o BEM a qualquer preço.

quarta-feira, janeiro 07, 2009

GAZA: ABRIU-SE 3 HORAS PARA ... RESPIRAR


«Roma, città aperta» (1945). Roberto Rosselini


Depois de uma pausa de três horas, hoje, Israel retomou os ataques na Faixa de Gaza. Segundo a «GI Mundo Notícias» os ataques foram reiniciados logo após as 15 horas (de Cabo Verde).

Calcula-se que, pelo menos 680 palestinos morreram desde o início da operação militar israelense, em 27 de dezembro.




"Jerusalem will remain the capital of Israel, and it must remain undivided," disse Obama, num cenário em que um palestiniano e um israelita reclamam com a mesma convicção : Jerusalém é a capital do meu país!!.


Bem, quer queiramos ou não, temos sempre que responder nos momentos cruciais: aqueles em que nos põem contra a parede para nos fazer a pergunta fatal, imprópria para corações moderados «és por nós ou contra nós?».


Por não ter sido involuntária, acredito que a memória inteligente e voluntária de Obama encontrará uma abertura diplomática ao mais alto nível para esta crise.



Mas ainda na minha ignorância pergunto: será que Bush (friend?), metido á besta nos corredores diplomáticos, tramou alguma coisa no intervalo antes da tomada de posse? Naquela onda de pintar o sete há sempre quem goste de fazer borrões no caderno bonitinho, bem escrito em letras e linhas correctas, do colega certinho do lado, assim que ele se distrai: ... a religião, o país, que se lixe! quando é o nosso orgulho e vaidade que estão em causa. Ainda serão capazes de andar lado a lado? O republicano e o democrata; o árabe e judeu;... o padre e o comunista; ...

terça-feira, janeiro 06, 2009

TRIÂNGULO AMOROSO


«À bout de souffle» (1960). Jean Luc Godard

segunda-feira, janeiro 05, 2009

NOVO ANO! COMEÇANDO PELO EGO!

«Masculin Feminin» (France, 1966). Jean Luc Godard



Ufff!! Consegui chegar a mais um novo ano! Passar mais este portal! Eu, que tenho a mania dos riscos no tempo. Eu ... que não dou uma trégua á «educação rosa, choné, chunga, hipócrita»; eu que não entendo «patavina» de política; eu que não entendo porque Israel anda matando civis inocentes; eu que já não sei o que é um Conselho de Segurança; eu que até agora não percebo porque anda a TCV a expor, continuamente, no Jornal da Noite - horário nobre -, doentes de SIDA, miséria abjecta, caixões, entre outras narrativas macabras enquanto estou a comer! (porque não deixar isso para outro género - o documentário!); eu, que já acredito de uma vez por todas que o 7 é deveras o número mágico, que se pode tirar assim: de cartolas ( neste país estamos agora ocupados a «pintar o Sete»**); eu, que gostava de ver uma via ... na capital chamada C7, em homenagem a TSMR; eu, que aposto que os políticos caboverdeanos não conseguem rir de si próprios sem perderem a face; eu, que já não entendo nada...de nada... eu que nem sou naif...nem tão ingénuo assim...




... eu que estou de ressaca ... e que me congratulo, agora, com o regresso em 2009 da Kamia ao nosso convívio na blogosfera: aquela que justamente me incentivou a fazer este blog. ... Eu, que gosto de mim ... e que acha que um pouco de narcisismo não faz mal a ninguem.
































































































































































quarta-feira, dezembro 31, 2008

BOAS ENTRADAS!

«Les 400 Coups» (1959). François Truffaut



terça-feira, dezembro 30, 2008

RECORD NACIONAL

O homem que mais vezes apareceu na televisão pública do país em 2008.


JMN é uma figura digna de um musical inspirado na sua cruzada politica, nacional, televisiva, discursiva ... um musical já escrito no Ala Marginal, a ser encenado no Café Margoso, com Bianda como contraregra. Inevitável, meus caros!

segunda-feira, dezembro 29, 2008

RACCORD NACIONAL

Ontem estive a ver um daqueles vídeo amadores feitos com a tal vontade de cinema. Bom, uma das coisas mais difíceis de se conseguir no cinema /vídeo amador é, de facto, o raccord**. A maior parte desses vídeos realizam falsos raccords (é por esse facto que são video-amadores). A transição perfeita de um plano para o outro trabalha-se, ao ínfimo pormenor, se houver paciência. Mau é quando na tentativa de evitar esse defeito incorrer-se no tal vício de artificialismo por artificialismos, camuflando as coisas pelo uso de efeitos de fusão (seja ela por fusão a negro, encadeada, a íris, sobreimposições, ou outros).
Nos videos nacionais, um dos maiores esforços no sentido desse perfeito raccord, talvez seja a mais recente publicidade de Cola, da Cavibel, em que um grupo de acrobatas parkour executa movimentos sincronizados num processo de montagem criteriosa. Interessante!
Ontem exibiu-se mais um filme, produzido com poucos recursos e á revelia de uma política para esse sector - um puro acto de reivindicação em prol do cinema nacional. Chama-se Pegadas e é da responsabilidade da equipa de produção Fladu Fla. Espero vê-lo numa próxima oportunidade. Não sei é se é Bom ou Mau. Já agora, alguem viu-lhes as pegadas?!

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** O raccord, que se estabelece ao nível da imagem, do som e da luz, constitui em muitos casos o fermento teórico do realizador para definir a sua visão de cada cena, nos casos em que não se trata de uma simples tarefa para o montador. O raccord perfeito de som vi-o (não, ouvi-o) numa cena de «Leaving Las Vegas». Á primeira, Ben (Nicolas Cage) se embebeda e ouve-se o som de fundo – o jazz misturado com ruidos de copos. Mas para quem estiver atento percebe nas profundezas desse magma sonoro uma transição quase imperceptível entre o som de um trompete, o grito abafado do personagem Ben ( Nicolas Cage) e dali para para o ruído das ruas. O raccord de luz mais longo e subtil vi-o em «Primavera, Outono, Verão, Inverno» de Kim Ki Duk - talvez o mais comprometido cineasta contemporâneo, neste aspecto.

sexta-feira, dezembro 26, 2008

PENSAMENTO DO ANO!



10 Desejos para 2009

Formulei dez desejos que gostaria de ver realizados no ano 2009. Umas são deveras irrealistas outras concretizáveis outras mais do tipo: okay, va lá!... Não estão por ordem de importância; escrevi-o, entre um suspiro e outro, na ressaca do Natal, num pedaço de guardanapo salpicado de migalhas de bolo de mel:


1 - Que se faça realidade pelo menos metade das ideias culturais propostas por João Branco em Sítios da Cultura I;

2 - Que se traduza F. Nietszche e Goethe, directamente do alemão para crioulo ALUPEC;

3 - Que todo o Plateau se transforme num espaço cultural nocturno, sui generis, para noctívagos e amantes do bonheur;

4 - Que esses putos misóginos de rap deixem, finalmente, as raparigas cantar rap (já estão gastos esses discursos de meia-tigela, sejam elas de boa ou de má consciência);

5 - Que tenhamos verdadeiramente uma Praia limpa e segura (estou a referir-me aos thugs);

6 - Que os jornalistas da TCV acabem com essa mania de nos vender três notícias num só ocorrido, como postas de um mesmo peixe;

7 - Que Obama realize 1/3 daquilo que prometeu, já este ano;

8 - Que «Bianda» não pare de atirar tomates podres ao governo sempre que houver motivo;

9 - Que o Carnaval (assim como é conhecido) aconteça, pela primeira vez, na cidade da Praia;

10 - Que se produza com orçamentos chorudos a primeira ópera crioula «Cabo Verde 2008» com uma cereja em cima do bolo: um coro apoteótico de crianças, como querubins, rodeando o JMN no final da peça.

quarta-feira, dezembro 24, 2008

BON NATAL

Bon Natal Pa Nhôs. Nu ta odja dipós na ressaka. Tchau!

terça-feira, dezembro 23, 2008

AQUELA MULHER

Se você quer mesmo saber

Por que que ela ficou comigo

Eu digo que não sei

Se ela ainda tem seu endereço

Ou se lembra de você

Confesso que não perguntei

As nossas noites são

Feito oração na catedral

Não cuidamos do mundo Um segundo sequer

Que noites de alucinação! Passo dentro daquela mulher

Com outros homens, ela só me diz

Que sempre se exibiu

E até fingiu sentir prazer

Mas nunca soube, antes de mim

Que o amor vai longe assim

Não foi você quem quis saber?






Se você quer mesmo saber

Por que que ela ficou comigo

Eu digo que não sei

Se ela ainda tem seu endereço

Ou se lembra de você

Confesso que não perguntei

As nossas noites são

Feito oração na catedral

Não cuidamos do mundo

Um segundo sequer

Que noites de alucinação

Passo dentro daquela mulher

Com outros homens, ela só me diz

Que sempre se exibiu

E até fingiu sentir prazer

Mas nunca soube, antes de mim

Que o amor vai longe assim

Não foi você quem quis saber?





Chico Buarque

segunda-feira, dezembro 22, 2008

O RACCORD DE JIM JARMUSCH

Desde o emblemático «Coffee and Cigarettes» (2003) e «Broken Flowers» (2005) que Jim Jarmusch não realiza. Já lá vão três anos desde que ganhou o Grande Prémio de Júri no Festival de Cannes. Dormindo á sombra da bananeira? Imagino-o mais como um Luke Luke (ainda com a pontinha de cigarro na boca) deitado numa ilha deserta com umas latas de cerveja e uma canoa vazia que chega, já sem o seu «Dead Man». O que é que nos trará o mais minimalista, melancólico, independentista dos realizadores americanos (adjectivos unânimes quando se fala dele)? No cinema em cena já há cinéfilos a «arriscar» o título da próximo obra prima: «The Limits of Control» - uma estória centrada num fora da lei que está próximo de terminar um trabalho em Espanha (?).
Bem, até que faz raccord com o ultimo «Broken Flowers», no qual a personagem interpretada por Bill Murray, em busca do suposto filho, saído de uma relação do seu passado de playboy, perde a cabeça na ultima cena: dada por uma incrível câmara em plongée rodando por cima da cabeça do personagem. Um filme em que o vazio, experimentado pela personagem, ao longo do filme, «cola-se» á tela com planos monótonos, em jeito de documentário.
Sem perder a cabeça a especular qual será o plot point no seu próximo trabalho o meu favorito na sua filmografia continua a ser esse fiasco comercial que é «Ghost Dog» (1999) com Forest Whitaker em grande estilo: a frieza do samurai em atmosfera gangsta rap e máfia. È tambem a película com a maior banda sonora assente na música rap, composta pelo RZA (ex-Wu Tang Klan) .
Faz raccord...

BlogJoint

Subscrevo com frontalidadi a ideia de Redy Wilson em «escrevermos a nossa humilde opinião sobre as prioridades do Governo, das Câmaras Municipais da nossa região ou da sociedade civil». Um balanço na primeira semana de 2009 como mote para o arranque da blogjoint.

RETRATO DO POETA ENQUANTO ESCAVA

Só, com o espanto por companhia;

embora co'a morte por fiel vizinha.

Seus olhos, sonhando claro o absoluto,

se espedaça onde a treva é mais

combusta; que á alma em busca

até a estrela mais augusta

traz presságios de delita angústia.


Sombras sem além, a núbila ternura

onde se espojando transitara a solidão;

a que é névoa esgarçando o coração;

por quantos dias o céu é avaro em bençãos.



Mas se perto advinha a candura

de um ido jubiloso estio, embora

astral cúpula donde o brilho desertou,

tal o céu de outubro e seu matiz adulto,



até onde o silêncio é canga

lucila essa luz veneranda

vincando na alma exangue

o lustro das gloriosas madrugadas.



José Luis Tavares


sexta-feira, dezembro 19, 2008

terça-feira, dezembro 16, 2008

"I can't get no satisFASHION!" - MITO

o corpo envolve a alma, mas é esta quem o agasalha
Valentinous Velhinho


«Neste natal dê as suas velhas roupas, que já não usa, a quem de mais agasalho precisa».

Esta é a saudação do Mito nesta quadra natalícia.

NA RESSACA

«Tenho confiança na juventude cabo-verdiana»
José Maria Neves

Na teoria económica existe aquilo a que se chama lei rendimento decrescente que afirma que o produto marginal de uma determinada produção diminui à medida que a utilização do insumo aumenta, quando a quantidade de todos os demais fatores de produção se mantêm constantes. Por exemplo um determinado terreno de cultivo quando cultivado intensamente e sempre com o mesmo cultivo, sem variação na utilização de adubos, fertilizantes e insecticidas, esgota-se rapidamente e rende cada vez menos. Reduzida a sua capacidade de reprodução o terreno definha e acaba em pedregulhos.

Passa-se o mesmo com a maioria da nossa actual juventude. Bombardeadas continuamente por mensagens unilaterais e campanhas intoxicantes sobre álcool, sida, programas altamente institucionalizados, festivais acaba «aparvalhado», boçal, destituída de espírito crítico. A maioria desses jovens cabo-verdianos, que vivem que nos centros urbanos, está a perder a capacidade de pensar por si próprio, operando mais por clichés culturais, publicitários ou políticos.


Essa apatia cresce perante a enormidade de factos políticos, do ritmo avassalador de desenvolvimento imposto ao país pelos interesses internacionais porque não coabita neste momento com um ensino universitário de qualidade. Jovens alunos universitários, em conversas informais, que trazem queixas acerca dos professores, de cenas que ultrapassam o nosso entendimento. Professores que andam a recitar apontamentos aos alunos sem nenhuma troca de ideias; outros que afrontados com questões mandam os alunos procurarem na internet; uns que chegam mesmo a dizer descaradamente com desplante que não entendem nada de números quando a aula que ministra é a contabilidade. Cumpridores, talvez responsáveis, mas pouco críticos: essa á a maioria jovem.


Assumir cargos políticos á frente de uma juventude politizada é mesmo a mais procurada das «responsabilidade» e aquela que se entende como elevado sentido de cidadania. Esse é o primeiro jovem. Há outro jovem comprometido que veio de gente humilde que assume com convicção os seus valores de solidariedade e entreajuda á frente de uma associação de jovens. Que comove pela opção corajosa que assume: esse é o segundo jovem. Esses dois jovens co-habitam, todavia, em vizinhanças políticas e é norma ver um deles passar o outro lado numa ponte levantada pelos interesses partidários.

Um terceiro jovem discute politica, revela inteligência e capacidade de intervenção. Compara os discursos e consegue dissecá-lo até mais não haver argumentos dissuasores. Não prova necessariamente que é capaz de assumir porventura essas mesmas funções mas é sempre algo reprodutível e algo com consequências num plano moral e opinativo que pode até se materializar numa figura política posterior. Opinion maker, spindoctor, no matter, vale o respeito e o efeito que suscita nos demais.


Mas eu pergunto: onde é que está esse jovem que procura caminhos mais longos, mais tortuosos mas gratificantes por aquilo que trazem de sabedoria. Onde é que está aquele jovem que segue os poetas e não os políticos? Melhor, onde é que está aquele jovem que segue os poetas contra os políticos? Estará, neste momento, «enfiado» no seu quarto fazendo uma incursão silenciosa na poesia cabo-verdiana e misturando-a com o velho cinema europeu nas horas vagas em «permanent vacation», em permanente apatia?


Nem estou a falar daquele alien que se vangloria com um verso recém-descoberto do universo de Holderlin se ainda não tem maturidade para o sentir no peito mas aquele outro que se afunda na poesia de um conterrâneo seu, levado pela velha asserção filosófica «conhece-te a ti mesmo». Esta postura, aparentemente passiva e apática, pode revelar-se extremamente interventivo se ele começar a utilizar jargões literários/filosóficos em camisolas e não clichés de mera «javardice» moral e prevenção a qualquer «doença do fim do mundo»; ou no melhor dos casos se souber cortar esse cordão umbilical que o une ao status quo dos seus pais e afirmar uma cultura nova, contemporânea nos seus valores, liderando em espaços culturais da nossa praça.


Não. A sua apatia é diferente da apatia dessa maioria silenciosa que abunda as universidades nacionais. A sua raiva é diferente. Ele é a minoria «amordaçada» porque tem razão. Conheci-o a esse jovem. Mas já lhe perdi o rasto...

NA RESSACA DE ANTEONTEM EM IRAQUE





Editado por Mário V. Almeida

sexta-feira, dezembro 12, 2008

A VERDADE DE JOAQUIM ARENA

«Nalguns aspectos, V.S. Naipaul fez-me lembrar o nosso saudoso João Varela (pseud. João Vário, T Tiofe): a irrascibilidade e misoginia e algum complexo de superioridade que lhe eram conhecidos. Poucos sabem da sua zanga com o poeta Corsino Fortes, de longos anos, depois de este o ter apelidado de Poeta Negro Greco-Latino. O mesmo Corsino conta como numa viagem para Angola, o então neurocirurgião Varela dizia que esperava convencer as autoridades angolanas a permitir-lhe fazer experiências em pessoas, testando as suas teorias, com cujos resultados acreditava poder vir a receber o Nobel da Medicina.

Lembrei-me dele, também, pela qualidade superior da sua poesia e da enorme capacidade de análise teórica que o caracterizava.»



Isto é o que vem escrevendo meu amigo Joaquim Arena, o homem que está por detrás do selo cabo verde blog . Talvez promovendo outros esqueceu-se de si própio mas o pessoal da Sapo CV convenceu-lhe a fazer um blog em forma de bloco-notas. E já o temos aí ao seu estilo low profile, sem delírios de vaidade: Mar de Kepóna ou a verdade de Joaquim Arena aqui

«O GRANDE SILÊNCIO» - PETER GRÕNIG

Um colosso de documentário realizado quase como uma profissão de Fé. Se este género audiovisual alguma fez sentido é com este este trabalho prodigioso de Philip Grõnig, que esperou 15 anos para finalmente ter autorização de entrar no santuário dos ascetas de um mosteiro, a norte de Grenoble, em França. Realizado com toda a paciência do mundo, é o primeiro filme sobre a casa-mãe da Ordem dos Cartuxos.
Fala-nos da presença do absoluto e a vida dos homens que aí dedicam a sua existência a Deus. Seduz ,pelo rigor, na escolha dos momentos de rezas, rituais e confissões e tambem pela subtileza com que revela um modo de vida, apartir de um subtexto donde emana a própria ideia da ascese. Utilizando interítulos como «Senhor tu me seduziste e eu me deixei seduzir por Ti» ou Se não és capaz de largar tudo e vires então não és meu discípulo» Philip Grõnig quis sublinhar o sentido de todo o trabalho de ascese praticado nesse mosteiro. Querendo perseguir o Absoluto, conduz-nos, ao longo de duas horas e meia de absoluta contemplação, com planos memoraveis da Natureza e dos rostos dos ascetas. A mim nunca o céu me pareceu tão pleno de sentido no cinema como agora. Aliás, só por acaso é que o filme termina porque na verdade não chegamos a apercebermo-nos disso: este filme é a arte da contemplação no seu auge e revela que o artista é, na verdade, mais parecido com um asceta, algo que não chegamos a entrever noutros trabalhos. Imprescindível para quem quer entender o porquê e para quê se fazem documentários.

INCONGRUÊNCIAS

I

as palavras fecham-se
numa cápsula cinzenta
sobre a cabeça de scharansky

e contudo
o ar que expira txibita
não tem química particular nenhuma
e é incolor e dolorido

por isso
txibita deixou
de aspirar a brisa da beira-mar,
o seu barulho
de respirar as palavras
e os alaridos dos outros
entre as flores da praça grande

por isso
txibita deixou
de conversar com o alcatrão das ruas
de conspirar com a esquizofrenia da cidade
de cativar-se com a intimidade do fedor circundante

por isso
txibita deixou
de inspirar quaisquer noites
de serenatas de musas ao luar
ou de revoltas de mendigos

por isso
txibita mais não faz
do que afagar deleitado os cabelos crespos
do seu crânio e do seu turbilhão de ideias
de acariciar o seu corpo
sem fronteiras sem limites
sem margens sem dimensões

por isso
txibita mais não faz
do que suster-se
na trôpega dimensão
da miséria

e txibita
é apátrida na sua pátria c.v.

II

o amor enclausura-se
num tempo exausto
em torno de scharansky e avital
e dos seus lábios lacrados
com nove anos de espera e de esperança

e txibita
com a sua vívida ternura
com a sua lívida carícia
nem sabe das pontes
que podem estender-se
entre a agonia e o abraço
de kiev a tel-aviv

e txibita
com os alvoroçados gestos
com os seus precários monólogos
nem sabe das labaredas
que se ateiam
do gulague ao colonato

e txibita
com a sua diária e introspectiva estupefacção
nem sabe das vozes dissidentes
que se extenuam em incendiários clamores
de aguerridos inventores de povos eleitos
e devastam o silêncio as oliveiras as almas
e as profecias inúmeras e férteis de terra prometida
e conspurcam o mel e o leite as águas escassas
do chão dividido das pátrias ensanguentadas da palestina
alimentadas
a holocausto nakba e jihad
endurecidas
pela intifada dos corpos
pela incandescência dos corações
na busca do afago materno
dos lares antiquíssimos
inscritos nas pedras sagradas
do muro das lamentações
da esplanada das mesquitas
e das suas memórias
indeléveis assassinas…

JOSÉ LUIS HOPFFER ALMADA

Lisboa, 2003/Agosto e Setembro de 2008

(versão reformulada do poema com o mesmo título constante do volume I de À Sombra do Sol, Praia, 1990)

quinta-feira, dezembro 11, 2008

NÔ GORDIANO

Depois de uma antologia de escritores e poetas pos-claridosos o que é que se faz com Vadinho Velhinho, José Luis Tavares e outros poetas (irreverentes) da nossa praça?

LEIGUS Y DOUTORIS

Há uma expressão em inglês «it's sound good to me» que no português significa mais ou menos «soa melhor». Na lingua crioula não há ainda uma expressão parecida, pelo menos que eu saiba. talvez equivale a algo como «ta txigan drêtu na nha obídu». Mas vendo bem a expressão hiperpragmática na sua origem inglesa penso que « dá ku nha sal» ta fika medjor na nos kultura, se ativermos apenas à parte que diz respeito ao som (sound). Enfim sem muitas confusões linguísticas ou impropérios de qualquer natureza vejam lá se não soa melhor isto assim:


«

(...)

Artigu 12


Ningen ka pode ser invadidu na se vida privadu o de si família, na se kaza, o na se korespondensia, nen ser atakadu na se onra y bon nomi. Tudu algen ten direitu di proteson di lei kontra intromison o ataki di kes tipu li.


Deklarason Universal di Direitus Umanu

(Livrinhu di bolso publikadu pa CNDH na dia Internasional di direitus umanu) »



Assim sim dja ta sirbi pa Leigus y Doutoris, ka si? Se isso é só pa ken ki pôde ê ôtu stória ...

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Dia Internasional do Direitus Umanus



PROJECÇÃO DE DOCUMENTÁRIO SOBRE ESTUDANTES CABO-VERDIANOS EM PORTUGAL E DEBATE



‘Redefinições’,


de António Santa Maria e Redy Wilson Lima, 90’


Convidados
CATARINA ALVES COSTA e JOSÉ LUÍS HOPFFER ALMADA


dia 11 de Dezembro às 18 horas


AUDITÓRIO I - TORRE B - 1º PISO


Faculdade de Ciências Sociais e Humanas - Universidade Nova de Lisboa
_____________________________________________________________
Organização: NEA - Núcleo de Estudos Africanos CEMME - Centro de Estudos de Migrações e Minorias Étnicas / CRIA Departamento de Antropologia, FCSH - UNL

terça-feira, dezembro 09, 2008

OUTRA VEZ!!

Para quem já não se lembra recorda-se, aqui, que no livrinho do Programa de Governo VII Legislatura 2006-2011 editado em 2007 [ logo na página inicial (7)] estava, Á PRIMEIRA, isto:

«ASSEMBLEIA NACIONAL

Moção de Confiança n.º 1 / VII / 2006
de 24 de Abril

Por mandato do povo, a Assembleia nacional vota por termos da alínea c) do artigo 179º da Constituição, a seguinte

Moção de Confiança

O povo cabo-verdiano no dia 22 de Janeiro ultimo expressou, de forma inequívoca, em eleições livres e justas, a sua soberana vontade de manter a actual maioria na governação do país nos próximos cinco anos (…)

Cabo Verde está num momento crucial da sua história. O futurro depende essencialmente da nossa capacidade de ousar, de criar, de inovar, de empreender, de competir e de ganhar.»

(...)

e por aí adiante

Posto isto, o Governo de JMN, ou melhor, o próprio JMN teve um golpe de génio: fez um soberbo salto acrobático entre o seu ego governativo e o seu ID instigado pelas «selváticas» declarações de Jorge Santos.
Algo como isto:

Com este salto JMN e o seu governo passam a ver o seu programa numa nova dimensão e numa posição de quase omnisciência, com um olho clínico sobre o seu próprio texto.

APLAUSOS!!!

É UM PÁSSARO? É UM AVIÃO? NÃO! É...

... o SUPER SUJEITO!

Este fenómeno ocorreu em 2007 na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, na apresentação de «Mitografias». Segundo uma testemunha ocular: «...Arménio Vieira (o alter ego do SUPER SUJEITO) apareceu-me como uma revelação. Poeta nos modos e nos gestos, sobremaneira silencioso, metido consigo mesmo, na Casa Fernando Pessoa sustentou um debate curioso em torno das questões identitárias que se colocam à actual Literatura Cabo-verdiana, dando resposta pronta àqueles que o interpelaram».

segunda-feira, dezembro 08, 2008

OLHA QUE ...!


1º plano (esq. á dir.): criança, Arnaldo Andrade, José Hopffer Almada e Mito


Que espectáculo anda a assitir esta ilustre plateia? O que é que anda a espantar uns e a deixar outros completamente indiferentes?

COUNTDOWN TO BASIE'S BLUES

COUNTDOWN TO BASIE'S BLUES


Uma exposição do Mito inspirada na musica do mítico Count Basie, o pianista de jazz que liderou a segunda maior orquestra middle jazz nos anos 30/40, depois de Duke Ellington.

A contagem apoteótica do Mito até One O'clock Jump - uma das canções-temas de Basie mais populares na história do jazz.

sábado, dezembro 06, 2008

É VITAL

È preciso alguma coragem para se pegar no dossier crime ecológico em Cabo Verde e no mundo inteiro, onde quer que haja ganância e capitalismo selvagem.
Os malefícios causados a ecologia e á biodiversidade do planeta começam a assumir contornos dantescos no nosso país. Só a título de exemplo: no caso específico de apanha de areia, a agua do mar quando desagua numa praia não encontra areia que deveria funcionar como filtro protector; e em vez de areia encontra pedras por onde se infiltra pelas frestas até desaguar em terra batida e apartir daqui já não há retorno: mete-se pelo subsolo que se estende até aos campos de cultivo, vai, daí, ganhando terreno até que chegue a um pé de papaia ou de feijão fazendo estragos consideráveis. Muitos terrenos de cultivo já sofrem com este desequilibrio ecológico. Aquilo que no principio começara, apenas, como um acto de sobrevivencia de familias carenciadas (que deveriam e devem ser protegidos por uma politica social mais justa, salve-se!) teve (e tem) as suas concequências, podendo resvalar em catástrofe ecológica se se reverter em actividade empresarial/industrial.

Diga-se de passagem, que essa atitude predatória está já a ser avaliada pelo nosso realizador de documentários Mário Benvindo que anda agora com um projecto sobre a preservação das tartarugas marinhas - «Tarturismo». O realizador pretende revelar uma certa «hipocrisia» á volta desta questão, pois ao mesmo tempo que se fala em protecção das tartarugas marinhas as motos de praia - aquelas de duas rodas - andam a espezinhar os ovos de tartarugas e tartaruguinhas que começam a nascer. Isso sem esquecer a matança de tartarugas.

Esta delapidação da reserva ecológica do país causado por actividades empresariais ilícitas e pelo turismo perverso é resultado das opções políticas. Não é á toa que o poder judicial (?) custa a munir-se de uma verdadeira Magistratura. Sem tirar nem pôr.
... como diz «Bianda» estamos FU...

PETICÃO! APROVADU.


sexta-feira, dezembro 05, 2008

ÕNTI Y ÔJI - Parte II

Numa das minhas longas temporadas em Lisboa entrei por acaso na Sociedade de Geografia de Lisboa, na Rua Portas de Santo Antão, no Rossio, para pesquisar um assunto do meu interesse e fiquei maravilhado com a quantidade de coisas que se pode retirar do baú da nossa história. Fui dar com um daqueles grandes livros cheios de pó servidas por uma dessas funcionárias «libidinosas». Mas naquela hora ninguém me podia tirar a concentração! Acotovelei-me por sobre a tampa da mesa (okay, agora sou Ulisses amarrado pelos seus homens no mastro do navio) e li como se nunca o tivesse feito antes.

Fui folhando e relendo o Boletim de Propaganda e Informação de Cabo Verde até chegar ao n.º 125 Ano XII, de 1961. Parei aí, porque entrevi um caso que me pareceu um desses episódios literários pouco comuns. Escrevia no referido boletim um jovem Arménio Vieira no mês de Janeiro de 1961 um poema que foi censurado de forma hedionda por um tal de Emílio Machado, obscuro português, que re-escreveu o poema de novo e á sua maneira! [algo como uma espécie de censura poética (isso existe?!)]. Sentida uma vez sentida sempre, não há volta nem justificações]. Pensei «mas que brincadeira é essa!?». Isso é como se a natureza do poema ou da pessoa que o escreveu fosse «corrigível» ou «empadronizável». Acho que o poema se chamava «Nem sei o que daria» (corrija-me o leitor, se este leigo no assunto estiver em erro).

Bom, nesse mesmo ano no mesmíssimo referido boletim Corsino Fortes, publicava um poema no qual, a meu ver e na minha modesta visão literária, «vingava», poeticamente o seu compatriota numa asserção ontológica que não admitia quaisquer «amarras»:

Só as palavras vencem
A inércia do esquecimento
Só elas lavam
O sangue do presente
E só a partir delas descobriremos
O perfil do Todo e do Nada

Num momento
Apagam as estrelas
E decantam o mundo

Não lhes arranquem
Nem o jogo que as aquece
Nem o gelo que os entorpece.

Nem as vistam
De noite nem de dia
Nem os moldem
No buraco que ficou
Do furacão que passou

São outras tantas vidas
Com existência e alma própria.

Corsino Fortes

Naquele momento, na minha leitura, á luz dos novos tempos era um acontecimento que mexia com algo. Aquilo que parecia apenas uma disputa literária prefigurou-se a mim como a mais flagrante chamada de atenção, naquilo que foi desde sempre, em Cabo Verde, um campo de batalha contra o poder colonial.

Nesse mesmo ano, em Fevereiro de 1961 novos dirigentes de Rádio Clube de Cabo Verde tomavam posse a 2 de Janeiro e nesse mesmíssimo ano realizava-se no arquipélago o documentário cinematográfico «O Homem e o Trabalho» por Miguel Spiguel com a ajuda de um cameraman chamado Aquilino Mendes. Foi também em Abril desse mesmo ano que se inaugurou o Palácio da Justiça e foi no mês seguinte, que ocorreu uma série de sessões de cinema educativo promovidos pelos serviços das instituições de vários pontos das ilhas com um público formado por crianças das escolas e adultos.

Isso foi o que lá estava registado mas o que contava lá, mais do que o menear das ancas da «libidinosa» funcionária, era a minha experiência intimista, o meu diálogo com o passado, e toda a minha vã «guerrilha intimista» contra aquelas anc... evidência histórica. Nada de factível para a nossa história oficial ...


Mas sim, voltando ao nosso presente já é altura do Arquivo Histórico Nacional ter essas relíquias ou pelo menos as suas réplicas, não é? È pa traze tud de volta otu bez.


quinta-feira, dezembro 04, 2008

quarta-feira, dezembro 03, 2008

PÔ - MITO (à memória de DÉCIO PIGNATARI)

Poema gastronómico dedicado à cidade de S. Paulo Nas palavras do Mito: « o poema aconteceu acidentalmente, ao servir uma entrada de choucroute, cebola & queijo mozzarela, quando estava almoçando com a minha querida amiga Helô e seus pais no restaurante Sujinho na Consolação».


Vou mas é comer qualquer coisa, a ver se cresço mais uns centímetros... inté!


O DESTERRO DO POETA (versão cedida pelo autor)

O DESTERRO DO POETA
(versão segunda)

ao Arménio Vieira, inveterado mestre da palavra
e das incongruências do quotidiano

Num dia qualquer
de Junho ou Março
expulsaram-te da tua taverna predilecta!

Dizem
consumias demasiado café
(ah! essa tua mania
de fazer o vagar do dia
vogando na solidão
recostado ao fumo teu e dos outros)

Dizem
trazias a poesia
para o coração
dos marginais dos desesperados
das vítimas da cidade e da rotina

Dizem
enchias de vaticínios e paradoxos
a nudez das tardes e a rispidez dos enredados
nas incongruências do dia e do quotidiano

Mas
- chateiam-se -
porque enxertas a poesia
aos estádios
e a outras rotas circulares
dos fanáticos da bola?

O poeta deve ser discreto
e exemplar na sua pose austera
mas tu
-desesperam-se –
dás trela aos que no futebol
são os sábios dos sábios
(e são quase todos os habitantes
destas urbes e suburbes)
e perdes o teu lato tempo
pormenorizando os dribles
discorrendo sobre as fintas de tal e tal jogador
(afinal um simples proletário
da várzea da companhia
ou, lastimam urbanos e cépticos, de ribeirão chiqueiro!...)

Um poeta deve ser
sisudo e sorumbático
e protótipo de uma postura filosófica!

Mas tu
- arrepiam-se -
cabelos em desalinho
em mangas de camisa
as sandálias franciscanas desapertadas
o peito ao sol e à bruma
discutes futebol
e pagas bicas e água tónica
a todos os que se vangloriam
de serem cortesãos do teu condado

Será isso
digno de um poeta
ademais consagrado?

Por isso
instaram-te a mudar
o teu indeclinável percurso
de todos os dias
e proibiram-te de consumir café
na tua irremediável taverna
das tardes todas
(diacho de poeta
que não cumpre a sina da boémia
e não consome nem scotch nem ceris!)
e colocaram o teu assento predilecto
num recanto da penumbra
(agora aí se senta
um velho funcionário reformado
em matrimónio indissolúvel
com o seu imperceptível silêncio)

Oh! pior
quando o teu poema saiu
numa das revistas da cidade
negaram-se a vender a revista
e em magotes amontoaram-na
com os restos de velhas publicações ilustradas
e com os dejectos dos turistas alemães
incomodados com a tua inconfundível conversa
sobre a gramática o futebol
e o non sense do quotidiano…

Lisboa, Julho/Novembro de 2008

(versão refundida do poema com o mesmo título
publicado na revista Fragmentos, nº 5/6, 1989)

REMÉDIO (Para Bloguistas)

"Faço todos os possíveis para parecer indiferente. Quero impor silêncio ao meu coração que julga ter muito que dizer. Receio sempre ter apenas escrito um suspiro quando acreditava ter dito uma verdade."


«Do Amor*» - Stendhal


Página 41


* Cheers!

terça-feira, dezembro 02, 2008

SOLIDÁRIO

Estamos todos solidários com o Abrãao estes dias. Convenhamos, caros amigos, que não é fácil um diálogo com este país, com esta cidade e com a sua mentalidade. São atitudes de tipo boçal que não abonam a favor da arte. Não há como fugir: xungaria ás tortas e ás direitas; esquerdismos infantis em problemas de gente grande, banalidades em política séria, lugares de sentido intoxicados por uma sucessão de erros de interpretação, ... Mas digo-te uma coisa, Abrãao, de coração aberto: com esta corrida desenfreada em direcção ao non sense vale mesmo é ficar em último e sermos sempre os eternos incompreendidos... por isso não percas a lanterna, meu caro.

segunda-feira, dezembro 01, 2008

REFORMAS DE MISÉRIA

Não percebi porque é que no jornal «A Semana», da sexta-feira recente, aparecem dois orientais de chapéu, á conversa, a proposito de Reformas de Miséria em Cabo Verde. Não há fotos dos nossos reformados? Ou já morreram todos à fome?

A MORAL DOS FORTES


Stá na moda jantares de beneficiência y, por obra y grasa, tud un variedadi de diskursos sobre assunto. Ma é komoventi rapara un certu djôgu de cintura pa eskiva expressons konstrangedor, ki ta leba a un certu tipo de reason moda kel ki Mizé Badia de Renascer teve na ultimu entrevista de Abroni na 180º. Em vez de kel expreson menos dignifikanti nu ta dal uns retokis ti ki fika ka ta parce me kelá ki, na fundu, nu sta objectiva ... na verdadi é un realidadi txeu duro y txeu presenti na nos vida social y ki nu ta «maskaral» ku ideias di responsabilizason social , di sensibilizason, etc, etc, ... problema é ki é ka ten un vínkulo objectivável nes tipo de relason mas apenas un dimenson di konsciencia ki nu debe ganha dia pa dia ... sê si, nton basta nu ka torna'l un relason perversu ou kompassivu, do tipo amo y escravo...


Ka nu mésti inkomoda txeu, si nu ka kre fla'l na kriôl, na inglês anglo-saxóniku kurrectu é ta fladu «hey...pssst...just share it back».

Oferendas, jantares de beneficiência social, espectáculos de beneficiência, apadrinhagem, etc, etc

é pamodi un Bem divinu ki dêbe repôdu …

Se kel argumentu li é radikal, nton nhos ôdja kel di un autêntico incivilizado di un tribo di ôtu lado di mundo ta pápia !!. È ta txoma Papalaguiu a kes guêntis ki pôde, ki ta fazê y ta disfazê ...



I'm just sharing it back:



"Quando um homem diz: « a minha cabeça é minha e de mais ninguem!» tem razão, tem muita razão e contra isso ninguem terá nada a objectar. Aquele a quem uma mão pertence será quem mais direitos tem sobre ela. Até aqui estou de acordo com o Papalagui*. Mas ele tambem diz: «a palmeira é minha!», só porque ela cresce, por acaso, diante de sua cabana, como se tivesse sido ele a fazê-la crescer! Nunca a palmeira poderá pertencer-lhe, nunca! A palmeira é a mão que Deus nos estende, através da terra; Deus tem muitas mãos,. cada árvore, cada erva, o mar, o céu e as nuvens são outras tantas mãos de Deus. Podemos tocar-lhes e regozijar-mo-nos com isso, mas lá por isso não temos direito de dizer «A mão de Deus é a minha mão!» No entanto é isso que o Papalagui faz."


Discurso de Tuiavii - chefe da tribo de Tiavéa nos mares do pacífico Sul


Sim, nô ta faze'l sim.

sexta-feira, novembro 28, 2008

«PRISON BREAK» (FUGA DA PRISÃO)

Não, a sério. Estou mesmo a curtir a escolha da TCV, ultimamente. Boas séries e tal, filmes bons aos fins-de-semana (todos devidamente com direitos de transmissão, não é?!). Água boa.
Gosto de filmes sobre as prisões afro-amer... (não)... norte-americanas. Em todas elas a violência e a corrupção dominam todo o argumento. Os Condenados de Shawshank (EUA, 1994) de Frank Darabont, com Tim Robbins, e Prison Break (EUA, 2004), criado por Paul Scheuring são provavelmente os melhores exemplos disso. Nos dois filmes ambos os personagens chegam á prisão nas mesmas condições: inocentes (mesmo)!
Scofield (Wentworth Miller) e Andy Dufresne (Tim Robbins) têm razões completamente diferentes e o seu confronto com a dura realidade das prisões é tambem distinta, em grau e parentesco cinematográfico: o espectáculo de uma consciência em acção que está presente em Os Condenados de Shawshank quase que aproxima este filme do universo cinematográfico do «enorme» cineasta japonês OZU; o frenesim presente na série televisiva Prison Break - uma conspiração política para acabar com a vida um homem inocente - está, talvez, mais próximo de um Oliver Stone ou de um Ridley Scott, quando este muda de pele.
A hiper-tranquilidade de Andy Dufresne (Tim Robbins), o seu aspecto silencioso reverte-se na própria estrutura do filme que nada mais é do que uma longa e penosa travessia simbolizada na fuga fabulosa do protagonista «por um inferno de lodo e esgotos». Os longos planos-sequências respeitam esse tipo de cinema mais reflexivo, dado pelo voice-over de Red / Morgan Freeman, aspectos esses ausentes em Prison Break, no qual dominam mais as acções violentas com travellings rápidos, planos serrados que criam a sensação de aflição como é próprio das prisões. Se a personagem Scofield (Wentworh Miller) tem todo o mapa da prisão tatuado no corpo, n' «Os Condenados de Shawshank», Andy Dufresne (Tim Robbins) tem o mapa tatuado na sua consciência, forjado no silêncio de uma cela.
Entretanto ambos, por questões comerciais, não tocam as baínhas do cinema hiper-realista e radicalmente contemplativo de Robert Bresson que tambem filmou a realidade das prisões com «Um Condenado á Morte Escapou» (1956). Este cineasta reinventou o conceito de cinema substituindo-o pelo de «cinematográfico» ao pretender mostrar ao espectador a essência das personagens, substituindo os actores por «modelos» cujos gestos, olhares e expressão facial ganham relevo no esquema argumentativo e na direcção do filme.
Isso, sim, seria uma catástrofe para quem quer apenas ... divertir-se.

quinta-feira, novembro 27, 2008

MALA EDUCACIÓN

No parlamento, Fernando Freire, lider parlamentar, amua e não quer falar.

Jorge Santos faz birra e quer abandonar a sala.

Na câmara da Praia, Edna Oliveira está sempre a falar na vez da Rosa.

Claudia Rodrigues deu um grito que perturbou os católicos conservadores...

A Isaura Gomes anda a assustar as criancinhas e a deitar a lingua de fora aos estilistas.

A jornalista Elizabete Correia anda a massacrar toda a gente em horário nobre, na TCV,

só porque confundiu um salão de cabeleireiro com um programa de televisão.

«Bianda» anda a atirar tomates podres ao governo ...



... e eu ? Apetece-me aqui puxar as trancinhas da Eilleen ...

MALA EDUCACIÓN

terça-feira, novembro 25, 2008

RESGATE


Foto: Abraao Vicente

A criança vê mas guarda algo dentro de si. É, talvez, isso o olhar. É tambem a visão de um fotógrafo: o seu resgate pessoal.

sexta-feira, novembro 21, 2008

OBAMA E O CINEMA

Exemplos há muitos. As comparações e epítetos não param sobre ele: é Mr. OBAMA, aquele que Ridley Scott definiu como um “excelente actor, cálido, humano, preciso”. A sua história é muito parecida com aquela de que o cinema adolescente adora abusar no argumento: sempre aquela estória de autosuperacão, de fé em si mesmo apesar das adversidades e, enfim, a exaltação de uma sociedade que permite o éxito a quem o demonstra. Tambem a noção de «superpoderes» não está posta de parte.
Já o comparei, aqui, á figura real do imperador etíope Haile Selassie [uma comparação, de resto, demasiado absurda para que faça sentido (é para isso que servem os blogs)], mas no cinema, a película que mais me ocorre, de imediato, quando se trata de Obama não é uma longa-metragem mas sim uma série televisiva: o 24 horas (4.ª Série) e a figura iconográfica do Presidente Afro-americano, na personagem Robert Palmer [demasiado óbvio para que seja uma comparação interessante (é, tambem, para isso que servem os blogs)].

Palmer / OBAMA é amigo pessoal de Jack Bauer/PODERIO TECNOLÓGICO-MILITAR ... especialista na detenção e eliminação de acções terroristas.

A série foi concebida uns dois/três anos antes e, já que estamos em maré de comparações a OBAMA, apetece mencionar «Viagem na Lua» (1902) de George Meliés , a antecipar a verdadeira viagem do homem á Lua ( em 1969). Desta vez, se usarmos, meramente, o mecanismo causa-efeito, o efeito foi mais depressa: .... é o real que fomenta a ficção... ou é a ficção que persegue o real ?!

quinta-feira, novembro 20, 2008

Teatro

Fui espreitar, ontem, a peça de teatro «Máscaras» do João Branco [com Mano Preto escondido por trás de uma máscara]. Gostei da peça, do primeiro ao ultimo acto, que não foi no palco mas na plateia, com a improvisada (?) provocação aos presentes. Essa espécie de desenredo, que desperta pela sua imprevisibilidade, quase que responsabiliza as pessoas por aquilo que andaram a ver, confrontando a arte com as suas vidas. O melhor exemplo disso, no cinema, talvez esteja presente n' «O Sabor da Cereja» de Abbas Kiarostami: depois de passear, pelo enredo, a figura trágica do protagonista até ao suicidio, o cineasta nos deixa ver os bastidores das imagens das filmagens, questionando por dentro a própria obra, sem ligar aos «anseios» ficionistas do público. O efeito é estranho e obriga todos, igualmente, a questionar. Estranho, tambem, é o modo como soa a mediação de um fragmento textual, tirado a papel químico, das composições de Orlando Pantera no decorrer de uma cena teatral desse estilo. Fantástico!



Ontem só faltou mesmo aquele beijo real (de que tanto se poetizou) a um felizardo qualquer que estivesse nessa halloween de alta definição.


Challenge: «War»

WAR


Until the philosophy which hold one race

Superior and another inferior

finally and permanently discredited and abandoned

Everywhere is war, I say it's war.



That until there are no longer first class

and second class citizens af any nation

Until the color of a man's skin

is no more significance than the color of his eyes

I say war



That until the basic human rights are equally

guaranteed to all, without regard to race

This is war.



That until that day

the dream of lasting peace, world citizenship

rule of international morality

will remain in but a fleeting illusion

to be pursued, but never attained


Now everywhere is war, war.


And until the ignoble and unhappy regimes

that hold our brothers in Angola, in Mozambique,

South Africa sub-human bondage

have been toppled, utterly destroyed

Well, everywhere is war, I say war.



War in the east, war in the west

war up north, war down south

war, war, rumours of war.



And until that day, the African continent

will not know peace, we Africans will fight

we find it necessary and we know we shall win

as we are confident in the victory.



Of good over evil, good over evil, good over evil

Good over evil, good over evil, good ever evil.



(Discurso de Haile Selassie na Liga das Nações em 1936)


Picture Edited by «Tempo de Lobos»

terça-feira, novembro 18, 2008

Economia da Cultura?!...ahnnnn!! Agô dja N' tendi...

Agora falando sério. O que é eu compreendi, na minha pouca frequência ás «aulas» da cultura é que: fala-se d' «a cultura como actividade geradora de rendimento» que, por sua vez, precisa de investimento, que pode vir de Portugal, Brasil, Espanha, Luxemburgo, Senegal, Canárias e Holanda, estando, no forum, para tal, especialistas destes países que nos vão ajudar a pensar como chegar, com os seus investimentos, a criar uma indústria da cultura, com controle fiscal e de propriedade, no nosso país. Certo?!


Ok, então espera aí. Há muita gente no planetário da cultura a querer algo mais silencioso e menos pomposo: um centro de investigação em audiovisual, documentário e cinema, bem financiado. Seria um bom começo ... para artes, inventos, experimentações,... um silicon valley caboverdeano? Dá para deitar umas moeditas cá pro sectorzinho, no finalzinho bom?


hey... dinheiro ... é dinheiro... e tudo vai parar ao valley da economia... é, não é?

Economia da Cultura?!!!

João Branco, tragando o seu café margoso, disse, de soslaio: «neste momento estamos a tentar entender o que é isso da Economia da Cultura». E eu, que adoro o meu café com açucar, digo, com olhos escancarados: « vejam a Economia que está na plateia e a Cultura que sobe ao palanque e façam as contas».

Le Racisme vient de l'avenir» - Jacques Lacan

Quanta ironia e enigma não estará nesta frase singela, porem intrigante, de Jacques Lacan: «Le Racisme vient de l'avenir»!!

quarta-feira, abril 23, 2008

Aimé Cesaire - O Poeta

« Parfois on me voit d'un grand geste du cerveau,
happer un nuage trop rouge
ou une caresse de pluie, ou un prélude du vent,
ne vous tranquillisez pas outre mesure:
je force la membrane vitelline qui me sépare de moi-même,

Je force les grandes eaux qui me ceinturent le sang

C'est moi, rien que moi qui arrête ma place sur le
dernier train de la derniére vague du dernier raz-de-marée

C'est moi rien que moi
qui prends langue avec la derniére angoisse
C'est moi, oh, rien que moi
qui m'assure au chalumeau
les premiéres goutte de lait virginal!»

In "Cahier d'un retour au pays natal"

sexta-feira, abril 04, 2008

MARTIN LUTHER KING, Jr. (15 de janeiro de 1929, Atlanta, Geórgia – 4 de abril de 1968,

Polítika: «burro é na ladera ki ta dexadu»

Sobre ultimu okurridu ridíkulu na campanha pulitiku pa autarquica, na kual José Maria Neves fla ma «Burro é na ladera ki ta dêxadu...» nu tem ki sabe un kusa: ômi é um animal pulitiku y animal tem txêu: burro, cabra, bódi, leon ô tigre. Se na cena pulítiku kauberdianu skodjêdu «burro» pa kria comparasons foi mal skodjêdu apesar di nu tem poku variedadis di animal na país. É ki tem um animal mas representativo nes katan-katan di campanha: bôde !! Dos bôdes ki djunta kabesa ku kabesa riba kutelu di Somada ( lokal txoma mesmu Cutelo: foi lá ki kes dos campanha bai stanka).



N kel bram-bram um fika biradu pa Nhagar e mas pa lá na direson di vales e montes; kel ôtu fika biradu pa skola secundáriu y camara municipal. Purtantu: na kutêlu somada de kostas voltadu num korrida pa ganha eleison autarquica. Na kel (i) lógika di burrice kenha ki stá bai ganha?! Um bôde difícil di razolvi ...


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Deselegante afirmason pa um ministru mé, diga-se de passagem. Até porque se logika mas profundu for um kiston mas toponimiku y ku ordenamentu ti territóriu, kal foi ultimu bez ki ministru dá um vista di olhos na mapa toponímiku di sê país? Se nu bai pa mapa nu ta rapara ma país sta xeiu di burros, tudo pa ladera. Un psikanálise geral pa tudu alguem ... debia ser rakumendadu.

quinta-feira, março 27, 2008

Teatro ou ... «my mental condition is illegal»

Está aí uma arte que ainda não esgotou todas as suas possibilidades. Uma pessoa está à beira da loucura e porque leu uma obra de Beckett que lhe sussura «podes aproveitar isso» ou uma frase de Nietzche que lhe segreda aos ouvido «a loucura é rara nos indivíduos mas que é norma nas colectividades» resolve, por isso, subir para palco e terapiar-se em meia ou uma hora. Mas há técnicas que é preciso aprender - a colocação de voz, o timbre, a postura corporal, o controlo de si e do público, etc, etc. Já vi muito teatro por aí que não é exactamente o que se prega á volta disso. «Será isso teatro!?» Quantas vezes fazemos essa pergunta ao sair de um espectáculo. Bem, «tudo é teatro» - responderá certamente alguem com bom senso. Não é por acaso que certos criadores têem aproveitado dos loucos e doentes mentais para a sua criação inserindo-os em contexto alheios aos estabelecimemto psiquiátricos. E as prisões? O que se faz com o facto de hoje em dia sentirmo-nos prisioneiros, refens das pessoas sem que tenhamos físicamente correntes ou mordaças . Que teatro se pode fazer apartir disso? Há algum que tenha já sido feita na cidade da Praia? Ah, espera aí não há nenhum teatro ou cinema a funcionar no país. Com o actual estado do mundo e neste tempo de lobos o teatro não deveria funcionar a tempo inteiro em várias sessões diárias para todas as idades e mentalconditions ? Ou estarei enganado? Mas não sou eu quem poderia dizer mais sobre o assunto até porque, a meu ver, alguem já disse tudo o que precisamos saber sobre as origens do teatro. E não é nenhum historiador ou director teatral. Basta ler as obras de Michel Foucault.

sexta-feira, março 14, 2008

Mulher

Estou de castigo estes dias. Chamaram-me de criança, infantil e mandaram-me escrever uma composição sobre a mulher por ter infringido uma das suas regras básicas. Por isso cá vai a composição, como as que costumamos fazer na escola primária:


Composição


«A Mulher»


A Mulher é uma criatura rara (ponto). Faz as coisas com determinação, pensa em vários assuntos ao mesmo tempo e é demasiado séria nas negociações (ponto). Decididamente ela já fez cair o mito do sexo fraco. Mas numa coisa continua sempre mulher, sempre ela: a sua própria composição (ponto parágrafo).

A necessidade imperiosa de se sentir adorada leva-a, por vezes, a trair-se nesse intento quando, por exemplo, leva involuntariamente os dedos ao cabelo a meio de uma reunião de trabalho enquanto observa o potencial admirador ou mesmo quando, abusivamente, não quer parar de falar sobre um não sei quê de inovação (ponto). Para se elevar ao pedestal de idolatrada e venerada está disposta a tudo até a transmutar-se nas suas origens e modos (ponto e continua na mesma linha). A mulher africana quer parecer-se com a latina alisando o cabelo, pintando os lábios; a mulher latina quer parecer-se nórdica, alisando ainda mais o cabelo, branqueando-a, acinzentando-a e esforça-se para que a sua expressão facial pareça mais fria e glacial possível; a mulher nórdica quer parecer-se com a africana trançando o cabelo e, não raras vezes, vestindo os seus trajes tropicais.(ponto e espera aí: onde é que está a minha mulher?). Só sei sei uma coisa sobre a mulher: de que nada sei sobre a mulher senão aquilo que me é dado saber. Eureka.(final da composição).


Nome: Mário C.F.V Turma: @ Fila: dos Traquinas e Terríveis


segunda-feira, março 03, 2008

Amistad

Ainda não percebi porquê essa euforia toda por uma réplica do Amistad, atracada no Porto da Praia? Culpa da história (que não abona a nosso favor) ou de Spielberg?

sábado, março 01, 2008

Cabo Verde: País de Desenvolvimento Médio

A UE doa um fundo de 3 milhões de euros para iniciativas culturais dos PALOP, valor esse que será gerido pela Guiné-Bissau (salva-se os escultores Joaquim e N'Djai ... espero bem que sim). A Embaixada de França doa 150.000 euros para a Associação de Cineastas Moçambicanos sendo 30 % desse valor para as primeiras produções. E nós?! Isso de País de Desenvolvimento Médio já nos está a afastar da mesa do bolo ! O sector Audiovisual em Cabo Verde será muito provavelmente da inteira responsabilidade e autoria do seu governo. Está na cara: o dinheiro não vem para cá. Os cineastas e realizadores têem que ir busca-lo a outras paragens devendo criar, para o efeito, uma associação que terá ainda que pressionar a nível interno o governo. Em Novembro próximo realizar-se-á um Fórum sobre Cultura e Economia idealizado por Leão Lopes e, em princípio, sairá desse fórum a estrutura mais adequada para gestão do sector e sua regulamentação, segundo o Ministro da Cultura, que afirmou ainda que a portaria para a atribuição de uma Bolsa de Criatividade já está aprovada desde ontem. Anualmente será atribuída 1.000.000 de escudos caboverdeanos para suportar uma obra mas apenas numa area específica. A primeira área a ser privilegiada é ... a música. Como se a odisseia da Cize não fosse prova suficiente de que somos bons nessa matéria. Valha-nos Deus!!

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

«Wetland Bird Outside of its Natural Inhabitat» - Joe Underwood




O meu compromisso com Joe Underwood mantem-se. Já lhe prometi mil vezes de que um dia ainda conseguirei fazer uma viagem até Londres para bebermos uma caneca de cerveja num bar irlandês. Só que o meu amigo já deixou de beber e eu já não sei que argumentos inventar. Agora enviou-me esta tela irónica «Wetland Bird Outside of its Natural Inhabitat». Publico-a com a naturalidade com o qual que olho para a minhas próprias reflexões nestes tempos difíceis em que quase todos os dias uma pessoa se sente estrangeiro na sua própria terra sem que para isso lhe dêem muitos motivos. Basta que lhe digam duas ou três palavras entrecortadas com sorrisos maliciosos e esgares maquiavélicos.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Era uma vez um país...



Hoje em dia toda a gente vai para Londres. Eu fui parar a Guiné-Bissau para participar num workshop sobre documentários naquele continente, pois, foi lá que deixei o meu cordão umbilical. Ando em busca das origens ... e isso é já uma boa razão para reiniciar este blogue depois de uma inter-missão (entenda-se intervalo para realizar uma missão).


Ah..., para quem tem lido este blogue ao longo destes dois anos devo dizer que decidi não disponibilizar aqui as minhas imagens video, por uma questão de bom senso (conselho do meu amigo realizador de documentários Miguel Clara Vasconcelos, da Andar Filmes). Para este suporte de informação a internet já está a tornar-se um local pouco seguro. Alem disso o fenómeno do video-instalação parece ser mais consistente do que ter um V.log na internet, pois acaba por criar uma experiência mais humana no espaço relacional da arte, mais interessante do que esse espaço impessoal e virtual da net. Claro que isso não é novidade para ninguem mas eu procurei descobri-la do modo mais radical possível ...


Portanto fui parar á Guine-Bissau, considerado já um narcoestado. Aí, valiosos Jeeps e outros carrões percorrem ruas arruinadas e parece que, como em qualquer governo corrupto, lá as coisas são obtidas não pelo esforço de construção de um país mas sim por expedientes obscuros e continuados que não atendem ás concequências morais e sociais que daí advêem. As ruas da capital Bissau são despojos da guerra e da pobreza; os passeios estão literalmente arrancados do chão; o antigo palacio do governo está todo esburracado e, pasme-se, é diante dela que se levanta a bandeira do país ás duas horas da tarde. Conheci lá dois jovens talentos da escultura - o Joaquim e o N'Djai - que ocupam o seu espírito durante o dia, no Centro Artístico Juvenil, na produção em pau de sangue de figuras e símbolos da sua cultura étnica como régulos e irans, cuja força mitológica equivale no mundo moderno ao papel dos nossos parlamentaristas, políticos e religiosos. A partilha destes dois universos não os confunde. Agarram-se a velhas formas e ontologias porque acreditam que é dali que vem a sua força e é talvez por isso que os centros urbanos (a capital do pais espelha isso) não tem importância enquanto construção do espírito humano. Enquanto trabalham morosamente o seu material o mundo lá fora deixa de existir: se não se puder salvar um país em vias de se transformar na «Colombia da África» salve-se pelo menos o Joaquim e o N'Djai. Se fores a Guiné Bissau visite o Centro Artístico Juvenil da capital e salve o Joaquim e o N'Djai. Outros esforços em relação aos problemas desse país em http://www.odiaquepassa.blogspot.com/.


Eu, por enquanto, vou salvando as minhas memórias ... neste tempo de lobos ... e o meu blogue já leva - faz hoje - 2 anos de existência, portanto ... velinhas!!