«Tudo Bons Rapazes» (1990). Martin Scorcese«(***)
In "Comentário ao comunicado do CSMJ. A Independência dos juízes e a apologia da magistratura cábula" »
«Tudo Bons Rapazes» (1990). Martin ScorceseIn "Comentário ao comunicado do CSMJ. A Independência dos juízes e a apologia da magistratura cábula" »
O homem que mais vezes apareceu na televisão pública do país em 2008.
Desde o emblemático «Coffee and Cigarettes» (2003) e «Broken Flowers» (2005) que Jim Jarmusch não realiza. Já lá vão três anos desde que ganhou o Grande Prémio de Júri no Festival de Cannes. Dormindo á sombra da bananeira? Imagino-o mais como um Luke Luke (ainda com a pontinha de cigarro na boca) deitado numa ilha deserta com umas latas de cerveja e uma canoa vazia que chega, já sem o seu «Dead Man». O que é que nos trará o mais minimalista, melancólico, independentista dos realizadores americanos (adjectivos unânimes quando se fala dele)? No cinema em cena já há cinéfilos a «arriscar» o título da próximo obra prima: «The Limits of Control» - uma estória centrada num fora da lei que está próximo de terminar um trabalho em Espanha (?). Um terceiro jovem discute politica, revela inteligência e capacidade de intervenção. Compara os discursos e consegue dissecá-lo até mais não haver argumentos dissuasores. Não prova necessariamente que é capaz de assumir porventura essas mesmas funções mas é sempre algo reprodutível e algo com consequências num plano moral e opinativo que pode até se materializar numa figura política posterior. Opinion maker, spindoctor, no matter, vale o respeito e o efeito que suscita nos demais.
Mas eu pergunto: onde é que está esse jovem que procura caminhos mais longos, mais tortuosos mas gratificantes por aquilo que trazem de sabedoria. Onde é que está aquele jovem que segue os poetas e não os políticos? Melhor, onde é que está aquele jovem que segue os poetas contra os políticos? Estará, neste momento, «enfiado» no seu quarto fazendo uma incursão silenciosa na poesia cabo-verdiana e misturando-a com o velho cinema europeu nas horas vagas em «permanent vacation», em permanente apatia?
Nem estou a falar daquele alien que se vangloria com um verso recém-descoberto do universo de Holderlin se ainda não tem maturidade para o sentir no peito mas aquele outro que se afunda na poesia de um conterrâneo seu, levado pela velha asserção filosófica «conhece-te a ti mesmo». Esta postura, aparentemente passiva e apática, pode revelar-se extremamente interventivo se ele começar a utilizar jargões literários/filosóficos em camisolas e não clichés de mera «javardice» moral e prevenção a qualquer «doença do fim do mundo»; ou no melhor dos casos se souber cortar esse cordão umbilical que o une ao status quo dos seus pais e afirmar uma cultura nova, contemporânea nos seus valores, liderando em espaços culturais da nossa praça.
Um colosso de documentário realizado quase como uma profissão de Fé. Se este género audiovisual alguma fez sentido é com este este trabalho prodigioso de Philip Grõnig, que esperou 15 anos para finalmente ter autorização de entrar no santuário dos ascetas de um mosteiro, a norte de Grenoble, em França. Realizado com toda a paciência do mundo, é o primeiro filme sobre a casa-mãe da Ordem dos Cartuxos.
Com este salto JMN e o seu governo passam a ver o seu programa numa nova dimensão e numa posição de quase omnisciência, com um olho clínico sobre o seu próprio texto.
APLAUSOS!!!
... o SUPER SUJEITO!Este fenómeno ocorreu em 2007 na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, na apresentação de «Mitografias». Segundo uma testemunha ocular: «...Arménio Vieira (o alter ego do SUPER SUJEITO) apareceu-me como uma revelação. Poeta nos modos e nos gestos, sobremaneira silencioso, metido consigo mesmo, na Casa Fernando Pessoa sustentou um debate curioso em torno das questões identitárias que se colocam à actual Literatura Cabo-verdiana, dando resposta pronta àqueles que o interpelaram».
COUNTDOWN TO BASIE'S BLUES
Poema gastronómico dedicado à cidade de S. Paulo Nas palavras do Mito: « o poema aconteceu acidentalmente, ao servir uma entrada de choucroute, cebola & queijo mozzarela, quando estava almoçando com a minha querida amiga Helô e seus pais no restaurante Sujinho na Consolação».
No parlamento, Fernando Freire, lider parlamentar, amua e não quer falar.
Exemplos há muitos. As comparações e epítetos não param sobre ele: é Mr. OBAMA, aquele que Ridley Scott definiu como um “excelente actor, cálido, humano, preciso”. A sua história é muito parecida com aquela de que o cinema adolescente adora abusar no argumento: sempre aquela estória de autosuperacão, de fé em si mesmo apesar das adversidades e, enfim, a exaltação de uma sociedade que permite o éxito a quem o demonstra. Tambem a noção de «superpoderes» não está posta de parte.
Fui espreitar, ontem, a peça de teatro «Máscaras» do João Branco [com Mano Preto escondido por trás de uma máscara]. Gostei da peça, do primeiro ao ultimo acto, que não foi no palco mas na plateia, com a improvisada (?) provocação aos presentes. Essa espécie de desenredo, que desperta pela sua imprevisibilidade, quase que responsabiliza as pessoas por aquilo que andaram a ver, confrontando a arte com as suas vidas. O melhor exemplo disso, no cinema, talvez esteja presente n' «O Sabor da Cereja» de Abbas Kiarostami: depois de passear, pelo enredo, a figura trágica do protagonista até ao suicidio, o cineasta nos deixa ver os bastidores das imagens das filmagens, questionando por dentro a própria obra, sem ligar aos «anseios» ficionistas do público. O efeito é estranho e obriga todos, igualmente, a questionar. Estranho, tambem, é o modo como soa a mediação de um fragmento textual, tirado a papel químico, das composições de Orlando Pantera no decorrer de uma cena teatral desse estilo. Fantástico!Sobre ultimu okurridu ridíkulu na campanha pulitiku pa autarquica, na kual José Maria Neves fla ma «Burro é na ladera ki ta dêxadu...» nu tem ki sabe un kusa: ômi é um animal pulitiku y animal tem txêu: burro, cabra, bódi, leon ô tigre. Se na cena pulítiku kauberdianu skodjêdu «burro» pa kria comparasons foi mal skodjêdu apesar di nu tem poku variedadis di animal na país. É ki tem um animal mas representativo nes katan-katan di campanha: bôde !! Dos bôdes ki djunta kabesa ku kabesa riba kutelu di Somada ( lokal txoma mesmu Cutelo: foi lá ki kes dos campanha bai stanka).
N kel bram-bram um fika biradu pa Nhagar e mas pa lá na direson di vales e montes; kel ôtu fika biradu pa skola secundáriu y camara municipal. Purtantu: na kutêlu somada de kostas voltadu num korrida pa ganha eleison autarquica. Na kel (i) lógika di burrice kenha ki stá bai ganha?! Um bôde difícil di razolvi ...
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Deselegante afirmason pa um ministru mé, diga-se de passagem. Até porque se logika mas profundu for um kiston mas toponimiku y ku ordenamentu ti territóriu, kal foi ultimu bez ki ministru dá um vista di olhos na mapa toponímiku di sê país? Se nu bai pa mapa nu ta rapara ma país sta xeiu di burros, tudo pa ladera. Un psikanálise geral pa tudu alguem ... debia ser rakumendadu.

Hoje em dia toda a gente vai para Londres. Eu fui parar a Guiné-Bissau para participar num workshop sobre documentários naquele continente, pois, foi lá que deixei o meu cordão umbilical. Ando em busca das origens ... e isso é já uma boa razão para reiniciar este blogue depois de uma inter-missão (entenda-se intervalo para realizar uma missão).
Ah..., para quem tem lido este blogue ao longo destes dois anos devo dizer que decidi não disponibilizar aqui as minhas imagens video, por uma questão de bom senso (conselho do meu amigo realizador de documentários Miguel Clara Vasconcelos, da Andar Filmes). Para este suporte de informação a internet já está a tornar-se um local pouco seguro. Alem disso o fenómeno do video-instalação parece ser mais consistente do que ter um V.log na internet, pois acaba por criar uma experiência mais humana no espaço relacional da arte, mais interessante do que esse espaço impessoal e virtual da net. Claro que isso não é novidade para ninguem mas eu procurei descobri-la do modo mais radical possível ...
Portanto fui parar á Guine-Bissau, considerado já um narcoestado. Aí, valiosos Jeeps e outros carrões percorrem ruas arruinadas e parece que, como em qualquer governo corrupto, lá as coisas são obtidas não pelo esforço de construção de um país mas sim por expedientes obscuros e continuados que não atendem ás concequências morais e sociais que daí advêem. As ruas da capital Bissau são despojos da guerra e da pobreza; os passeios estão literalmente arrancados do chão; o antigo palacio do governo está todo esburracado e, pasme-se, é diante dela que se levanta a bandeira do país ás duas horas da tarde. Conheci lá dois jovens talentos da escultura - o Joaquim e o N'Djai - que ocupam o seu espírito durante o dia, no Centro Artístico Juvenil, na produção em pau de sangue de figuras e símbolos da sua cultura étnica como régulos e irans, cuja força mitológica equivale no mundo moderno ao papel dos nossos parlamentaristas, políticos e religiosos. A partilha destes dois universos não os confunde. Agarram-se a velhas formas e ontologias porque acreditam que é dali que vem a sua força e é talvez por isso que os centros urbanos (a capital do pais espelha isso) não tem importância enquanto construção do espírito humano. Enquanto trabalham morosamente o seu material o mundo lá fora deixa de existir: se não se puder salvar um país em vias de se transformar na «Colombia da África» salve-se pelo menos o Joaquim e o N'Djai. Se fores a Guiné Bissau visite o Centro Artístico Juvenil da capital e salve o Joaquim e o N'Djai. Outros esforços em relação aos problemas desse país em http://www.odiaquepassa.blogspot.com/.
Eu, por enquanto, vou salvando as minhas memórias ... neste tempo de lobos ... e o meu blogue já leva - faz hoje - 2 anos de existência, portanto ... velinhas!!