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quarta-feira, outubro 26, 2011

REFILADOR: SERVIÇO PÚBLICO PARA AS PESSOAS.




O SÉC. XXI É QUE É O SÉCULO DO POVO!



quinta-feira, outubro 13, 2011

Presidente duas vezes, Presidente para toda a vida.

A Fundação Mo Ibrahim acabou de laurear Pedro Verona Pires pela sua visão e por «transformar Cabo Verde num modelo de democracia, estabilidade e maior prosperidade. Durante os seus dez anos como presidente, a nação tornou-se apenas no segundo país africano a classificar-se na categoria dos Países Menos Desenvolvidos das Nações Unidas e ganhou reconhecimento internacional pelo seu histórico de direitos humanos e boa governação» refere-se no site oficial da fundação.


O ex-Presidente da República receberá 5 milhões de dólares mas de acordo com o que está especificado numa das cláusulas do prémio, o premiado tem até 200 mil dólares por ano para atribuir a projectos filantrópicos. Terá, ainda, que desdobrar-se em conferências, acções de filantropia, viagens e trabalhar com a sociedade civil para o resto da sua vida. Por aquilo que se espera dum laureado com o prémio Mo Ibrahim as instituições governamentais e do estado, este e os próximos Presidentes da Republica, terão que partilhar a esfera de poder com sua excelência Pedro Pires que vê a sua importância histórica aumentada ainda mais com este reconhecimento. Só para se ter uma ideia do peso que esta distinção tem, basta notar que o prémio é muito superior ao dos laureados com o Prémio Nobel e que à frente da instituição estão pessoas que apostaram definitivamente na boa governação em África como a única forma de resolução dos seus problemas e que elogiam pacotes de investimento como o do Millenium Challenge Account. Uma dessas pessoas é o próprio Mo Ibrahim, empresário sudanês, que fundou esta instituição, em 2007 para chamar a atenção para as questões da governação e liderança em África. Na entrevista que deu ao Council on Foreign Relations o milionário fundador da Celtel International, empresa de telecomunicações com presença em 15 países africanos (que foi vendida ao MTC Kuwait por 3,4 mil milhões de dólares), destacou o facto dessas figuras históricas premiadas puderem continuar a servir o continente como um todo, asseverando que «não é necessário ser presidente para prestar serviço; por vezes, a capacidade de servir é muito maior se não estivermos amarrados a protocolos e etiquetas».

Tempo de Lobos congratula-se com este prémio atribuído ao político africano mais hábil da costa ocidental africana: isso para quem sabe a diferença entre um porco-espinhos e uma raposa.




segunda-feira, outubro 10, 2011

"O Caboverdiano" em vídeo experimental!

Veja aqui ao lado uma curta-metragem experimental Ride With It do Caboverdiano que vive na Diáspora, Holanda. Quando começa a haver este tipo de abordagens mais artísticas é porque tudo vai bem no audiovisual crioulo.

sexta-feira, outubro 07, 2011

Ellen Jonhson-Sirleaf y Leymah Gbowee, Prémios Nobel de la Paz.


Tempo de Lobos manifesta a sua satisfação pela concessão do prémio Nobel da Paz 2011 a duas mulheres liberianas: a presidente do país, Ellen Jonhson-Sirleaf (acima) e a advogada e activista Leymah Gbowee (abaixo). Depois da activista yemení, Tawakkul Karman premeia-se, mais uma vez, a coragem e determinação das mulheres africanas na resolução de conflitos humanos e políticos.

quarta-feira, outubro 05, 2011

ELECTRA

TOP STORY

No recente comunicado do Governo, o Ministro da Industria Energia e Transporte, Dr. Humberto Brito, referiu-se à uns contadores inteligentes que, em princípio, irão ajudar a solucionar, em parte, a problemática do roubo de energia. O ministro, que me pareceu muito melhor e mais seguro de si nesta intervenção à comunicação social (sem aquela coisa penosa de empenar para um lado ou para outro das razões governamentais), deixou claro que o problema da Electra implica toda a gente deixando, indirectamente, a ideia de que em vez de imputar tudo a medidas governamentais o cidadão deveria estar a pensar como ajudar o país a sair da crise. Aliás, esta atitude dos governantes começa a ser propalada a quatro ventos: recentemente a Ministra-adjunta, Cristina Fontes, referiu-se a isso mencionando a famosa frase de John F. Kennedy «não perguntes o que o país pode fazer por ti mas o que tu podes fazer pelo teu país». Até aqui tudo bem: as pessoas não deviam roubar energia da casa dos vizinhos e sobrecarregar, com isso, a Electra. Só que, ironicamente, isso tornou-se um problema político, neste país, em que a solidariedade, entreajuda comunitária e o «omerta» da vizinhança em relação ao desenrascanço do fulano-de-tal que roubou energia para sobreviver, configuraram todo o quadro sociológico cabo-verdiano. Como solucionar um caso assim? Separando o trigo do joio?

Convém dizer que «duas electrinhas» (como o líder do MPD o chamou) pode ser uma solução política para atacar a vaga de cortes de energia no país (uma vez que a energia renovável ainda está longe de se constituir como uma solução) mas nunca conseguirá resolver o problema na sua totalidade. Assim como está, só mesmo com uma central nuclear resolveremos o problema. Um outro país africano, a Nigéria já anunciou um controverso plano de construção de central nuclear depois de 30 anos de crise de electricidade num país em constante crescimento económico. Actualmente somente a Africa do Sul (ª) detém uma central nuclear e é preciso saber que, através de empresas especializadas e com acordos frutíferos com este país, se pode ter em Cabo Verde uma central nuclear pequenina mas que resolve tudo. Porém, o caso Fukushima no Japão abala muito essa confiança pois põe em causa o controle que se pode ter dessa energia. Portanto, energia nuclear: demasiado perigoso!

Por isso, até agora, a única solução criativa passa, sim, por contadores inteligentes, mas de histórias. Em vez da narrativa política desgastada há que saber contar histórias como antigamente, isto é, de modo criativo, que cria expectativas, provérbios e memória colectiva. È que no meio desta escuridão da Electra só nos resta mesmo: ...história...história...kem ki sabe mas konta medjor...
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(ª) A propósito da África do Sul relembramos aqui o alerta que lançamos, num outro post (aqui) para que se veja nesse país uma base frutífera para futuros acordos de desenvolvimento na área da cultura e da arte. É cada vez mais realidade, a a partir desse país do sul do continente, a ideia de que é preciso fomentar a construção de infra-estruturas e a circulação de pessoas e bens culturais entre países do continente africano que, devendo proporcionar um prazer estético de primeira ordem aos seus cultores, tanto africanos como europeus ou asiáticos, criará uma nova forma de economia. A ganância, a especulação e o enriquecimento por enriquecimento (que afundou as economias europeias e americanas) devem ceder lugar ao bem espiritual (emanados em produtos artísticos e culturais) que, ao ser valorizado, criará sustento na maior parte das economias domésticas e comunitárias. Trata-se de um novo modelo de desenvolvimento, mais consentâneo com o espírito dos tempos que vivemos, denominada economia criativa.

quinta-feira, setembro 22, 2011

Coisas inevitáveis!

Aristides Maria Pereira, enquanto 1.º Presidente da República de um país libertado como Cabo Verde teve a tarefa mais difícil de todos os presidentes cabo-verdianos, pois tinha que lidar com uma terra com um clima difícil para o desenvolvimento da agricultura, actividade primária indispensável ao sustento de uma economia que pretendia emergir do nada. Ele, praticamente, teve que "pedir" para todos nós o que, em termos diplomáticos, equivale a dizer "negociações a fundo perdido". O que Cabo Verde tinha a dar, nessa altura? Nada. Só um povo jovem, inteligente e ávido de saber, tinha Aristides Pereira, como «garantia», para «negociar». Tal como os primeiros grandes líderes, saídos da independência dos países africanos, ele teve que viajar para todos os cantos do mundo, mas não o fez para engordar a sua conta bancária, contrariamente às outras figuras históricas que se degeneraram em ditadores monstruosos dessa África libertada.

Se Amílcar Cabral é o arquétipo do que se entende por «herói» clássico, Aristides Pereira é a personificação do «herói» moderno que, ciente das suas fragilidades, fez dela a sua maior força. Isso é o panteão dos notáveis.

Inevitável!

terça-feira, setembro 20, 2011

Coisas que já vêm tarde!

A taxação dos mais ricos, pelo Presidente Barack Obama, retirando-lhe isenções fiscais revela liminarmente as reais injustiças do progresso económico-financeiro que podem estar no fundo civilizacional (sobre esse assunto basta ver o documentário ultra-moderno "Zeitgeist"). A firme determinação do Presidente de que não pode admitir que um cidadão comum norte-americano pague um imposto de 15% sobre os seus rendimentos se os ricos não o fizerem, também, na mesma taxação, é uma posição clarividente que lança um "facho de luz" sobre uma longa amnésia da história, que favorece os mais ricos e afunda os mais pobres. Esse plano de taxação é das coisas que já vem tarde.

O endurecimento da lei de porte de armas ligeiras é outra das coisas que já vem tarde, como o referiu Carlos Veiga, recentemente. Aliás, isso é algo gritante, face à constante leva de assassinatos de jovens na capital do país: jovens que, por vezes, não são suficientemente homens para matar mas somente impelidos pelo ódio e movidos pela facilidade do disparo, sem nenhuma ponderação.

O Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica prevê chuva para esta semana em Cabo Verde, mas, infelizmente, isso é daquelas coisas que, como uma sina milenar , já vem tarde para garantir um bom ano agrícola.

HOMENAGEM A LEÃO LOPES NO BRASIL

Dr. Leão Lopes, o "pai" da moderna cultura audiovisual cabo-verdeana, realizador e escritor, é laureado com o Troféu Humberto Mauro. Aqui.

"Toda a gente deve estar lembrada daquela “conheço Felini, conheço Kurosawa, mas quem é Leão Lopes”? O mal dissente que parecia conhecer estes grandes nomes do cinema, afinal não conhecia nada. A única verdade contida nessa diatribe era que de facto não conhecia Leão Lopes. Porque se o conhecesse tinha tudo para o aproximar da história destes criadores, que tal como Leão Lopes, fizeram um dia o seu primeiro filme; tal como Leão Lopes, foram artistas plásticos antes do cinema e continuaram sendo; que os três entraram no cinema pelos mesmos caminhos. Mas Leão Lopes tinha tudo a perder; não nasceu na Itália, nem na China. Pagou caro por ter ousado fazer um filme na sua terra. Pena é que nunca tenha sido possível fazer-se a estreia do filme na Praia, nem nunca a nossa televisão passou a série que produzi para esse formato e realizado em simultâneo ao filme, de 3 episódios de 50 minutos cada. Os cabo-verdianos nem sabem que “Ilhéu de Contenda” foi premiado algumas vezes lá fora, incluindo no Fespaco (melhor música), que teve sua banda sonora editada, entre outras apreciações que mereceu durante a seu percurso."

Leão Lopes (numa entrevista concedida a este blogue, em 2010).

segunda-feira, setembro 12, 2011

“Trompe D’Oeil” - Video– Ficção – 08’32’’ (Praia. 2009)

Nesta curta-metragem vídeo (ficção), de 2009, produzida sem nenhum orçamento, o realizador Mário V. Almeida, utiliza os recursos estilísticos de documentário. O assunto parodia o acto terrorista de 11 de Setembro, contra o World Trade Center, visto enquanto um fenómeno de repercussão global que mantem uma relação remota com todos os actos bárbaros de destruição. Decorre, igualmente, em torno da questão da visibilidade e do alcance que os sonhos, e sua projecção, têm nas nossas vidas.

sexta-feira, setembro 09, 2011

JORGE CARLOS FONSECA EMPOSSADO COMO PRESIDENTE DA REPÚBLICA DE CABO VERDE

Foto: Liberal On Line

O discurso de Jorge Carlos Fonseca no acto de empossamento é um sinal claro e inequívoco do Poder que vai passar a exercer de ora em diante. Todas as referencias foram apontadas, num estilo directo, incisivo e académico, como é seu timbre. Trata-se de um discurso que deve ser incorporado / assimilado por todos os cidadãos que assim poderão acompanhar a par e passo as peripécias do governo e da própria presidência. É também um discurso que deve ser estudado depois da sua alocução porque, depois de escrito e lido para uma audiência, pertence a todos.

terça-feira, setembro 06, 2011

ESTES JOVENS PERDERAM A FÉ!

Há dias tive numa conversa taciturna com o meu sobrinho de 17 anos. Ele foi apunhalado quatro vezes em plena luz do dia quando ia ao encontro da namorada. Três jovens, da mesma idade que ele, aguardavam-no num beco do Bairro empunhados cada um de uma arma branca e de um boca bedju que não chegou a ser disparado, porque alguém gritou «por favor, aqui não!». Ferido e mal pago foi parar ao HAN inconsciente, levado por umas freiras. Esteve a contar-me como foi e quando lhe confrontei com a questão «mas porquê?» ele foi lacónico: «queriam aquilo que é meu e não lhes dei!» (disse isso como se confirmasse uma verdade há muito esquecida). «E o que é que eles queriam?» repliquei. «Os meus tênis Nike». Esses putos já matam por umas "míseras" sapatilhas! Nos EUA, que há muito deixou de ser só um lugar na terra, ou num cenário de guerra encarniçada e irracional, até se compreende que tal fenómeno aconteça, mas aqui em Cabo Verde temos que ir mais a fundo para compreender melhor. Já nem se trata de querer a todo o custo um bem ou um produto. Já não é só cobiça. È que esses putos que o atacaram dividiam antes, na mesma casa da zona, a panela de arroz e cachupa que a minha pobre irmã preparava para todos. Estamos a lidar com algo completamente novo! Anteontem um desses jovens, pertencente a um outro bairro, foi baleado enquanto comia à porta da casa. Algo errado e miserável anda a acontecer! Algo profundamente mau aos olhos cristãos! 

E não me atrevo a equacionar nenhuma causa ou efeito. Porque já não se trata de Ciência. Estes jovens perderam a Fé! Pura e simplesmente! Para mim faz mais sentido, para o que se passa, falar em Bem e Mal do que apontar possíveis causas económicas, sociais ou políticas. Eu não vejo nenhum efeito imediato entre querer umas sapatilhas e matar por elas, senão a voz ancestral do Mal, tal como é contada na Bíblia, sem tirar nem pôr. Eu, que até gosto da Ciência, não quero desmistificar essa ideia do Mal. Seria demasiado perigoso para a humanidade se reduzirmos essa questão a um conjunto de preceitos psicológicos ou socializantes. Não se trata de nenhuma regressão de carácter medieval mas de saber o que se deve ou não se deve fazer num ser humano. Estes putos passam horas na internet e não acertam  com www.thewaytohappiness.org que até faz questão de dizer que não é religioso (para quem já desconfia das religiões!) mas sim, e apenas, a common sense guide to better living.  

Foto: Carlos Santos - 20 anos (Liberal On Line)

sexta-feira, setembro 02, 2011

CONTEÚDOS PROGRAMÁTICOS NA TV: O PRODUCER.

                                           Filtro: Glowing Edges (Adobe Photoshop CS3)

 A figura domi­nante no actual panorama de produção televisiva é a do programador e responsável de conteúdos: o Producer. Actualmente, face à enorme necessidade de gerar uma mul­tiplicidade de conteúdos, se impõe o valor emergente desta espécie de produtor-gestor que deve ter uma forte componente de criatividade. Essa figura, para além de gerir inteligente­mente os projectos, traz os valores singulares aos novos produtos, gera ideias para produzir com agilidade e destreza novos formatos de não-ficção.
O seu perfil profissional atesta-se pela sua capacidade de desenvolver um projecto até a sua difusão, na sólida formação dos processos de produção vídeo e televisivo, na capacidade de implementação das tecnologias digitais, no processo de aquisição e pos-produçao, nos sólidos conhecimentos da narrativa e linguagem audiovisual, assim como no facto de estar na posse conhecimentos do funcionamento do mercado audiovisual, dos sistemas de financiamento, de regulações das normas jurídicas e direitos de propriedade.

quinta-feira, setembro 01, 2011

180º: A mais longa publicidade na história da televisão caboverdeana

Olhemos, em 2009, para esse objecto televisivo de elevado teor publicitário ou o programa que quis ser o mais polémico da história da nossa televisão: o 180 graus com Abrãao Vicente. Esse foi, talvez o único talk show, digno desse nome, a ser produzido pela TCV, apesar de não haver uma banda de serviço, nem gags acompan­hados de risos de plateia, tendo-se pautado, antes, por uma sátira política e por um tipo (raro) de revisionismo da cultura e arte nacional. Apresentado em prime-time, o aspecto essencial do programa teve a ver com o facto de se ter publicitado muita gente e ter-se aproximado do modelo de fazer televisão comparável a das networks norte-americanas. Intraduzível se tornou, a determinada altura, o desenrolar das conversas e das atitudes que se assistiram no programa, funcionando mais a adrenalina publicitária que necessitava para poder avançar [em vez duma análise aprofundada dos assuntos]. Essa adrenalina não provinha do nível de discussão dos assuntos nela abordados mas, pre­cisamente, da novidade do programa e da áurea de polémica que pairava nele. O seu encerramento, que ficou envolto em mistério deveu-se, provavelmente, à perda dessa adrenalina.

sexta-feira, agosto 26, 2011

PARA MÁRIO LÚCIO SOUSA COM OS CUMPRIMENTOS DE STUART HALL

“As estratégias culturais capazes de fazer diferença são o que me interessa – aquelas capazes de efectuar diferenças e de deslocar as disposições de poder. Reconheço que os espaços «conquistados» para a diferença são poucos e dispersos, e cuidadosamente policiados e regulados. Acredito que sejam limitados. Sei que eles são absurdamente subfinanciados, que existe sempre um preço de cooptação a ser pago quando o lado cortante da diferença e da transgressão perde o fio na espectacularização. Eu sei que o que substitui a invisibilidade é uma espécie de visibilidade cuidadosamente regulada e segregada… [numa descriminação positiva (itálico meu)]. (HALL: p.321).

HALL, Stuart*. (2009). Da Diáspora: identidades e mediações culturais. Belo Horizonte: Edições Horizonte.

A LÓGICA DOS TRÊS E: ÉTICA, EGOS E EGOCENTRISMO (EEE)

«Ser sujeito é auto-afirmar-se situando-se no centro do mundo, o que é literalmente expresso pela noção de egocentrismo.»

Edgar Morin

Quem vai dizer agora à Dona Engrácia, mulher do povo, que vive na localidade de Pensamento que não, que o Presidente que ela viu na televisão já não é o Presidente da República, se ela insiste em dizer que sim, porque o viu, ainda, a atribuir medalhas aos jornalistas ontem á noite na televisão. Não, Dona Engrácia a senhora tem que parar de ver a TCV. Ontem, a senhora apenas assistiu a uma meta-representação. «Meta-quê?».«Pois é, Dona Engrácia, a senhora não iria compreender. É que nestas coisas o povo não tem razão, não tem olhos nem ouvidos. É massa amorfa!».

O que pensar da responsabilidade para com a visibilidade das coisas quando são os próprios profissionais que aparecem no centro dessa visibilidade? Levado por quem? Conduzido por quem, à visibilidade máxima? Por um ex-Presidente altruísta ou egocêntrico? Talvez, altruísta com o ego dos outros, que o digam os jornalistas que vêem o seu ego «engordar» um bocadinho. Bem o merecem! Pelo trabalho meritório que têm desenvolvido desde sempre em Cabo Verde.

Mas porque só agora? E só para a maioria dos profissionais da RTC? E os da imprensa escrita? Porque não antes das eleições presidenciais? Bem, são coisas que devemos guardar dentro de nós: é isso a ética**. Face a isto nem é preciso a Constituição da República para validar o acto.

Edgar Morin ao falar de ética afirma que «o seu imperativo provém de uma fonte interior ao indivíduo que sente no seu espírito a imposição de um dever» mas para Wittgenstein, o senhor do Tractado Logico-Filosófico, bem vistas as coisas, «é impossível falar de ética».

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** Em “Amistad” o líder da rebelião interpretado por Djimon Hounsou, desalentado, por ainda ter que permanecer nas terras do Tio Sam, por que se remeteu recurso no tribunal, afirma com veemência que na sua terra não existe um seria, ou seja, não existe uma conjugação vital na condicional. Para ele existe um Ser e ponto final - uma coisa é ou não é. Demasiado redutor, mas constitui, igualmente, uma ética.

quarta-feira, agosto 24, 2011

FILÚ - A LENDA DAS PAIXÕES

1. A Imagem Política. Filú** é das coisas mais apaixonantes que há na política cabo-verdiana. Cai junto com o Pai político, Pedro Verona Pires. Comovente! Mas, quando muito, é só até aqui que se consegue salvar a sua figura.

2. O Homem. O ministério que lhe fora atribuído é a sua cara, como um fato feito à medida. Porém, entra em desacordo com o líder do Partido e apoia a candidatura de AL. O seu pedido de exoneração, na consequência da derrota deste nas eleições, não deveria constituir necessariamente uma derrota política dele, para que fosse afastado do cargo. Até aqui ainda se aceitava a razoabilidade das suas acções. Porém, a sua derrota, a mais aparatosa, é o facto de ter pedido a todos que votassem no Manuel Inocêncio Sousa. Inaceitável para um espírito sóbrio! Isso fez tremer muito a sua imagem de homem de carácter.

3. O Carrasco. Agora que estamos no Presente do Indicativo, a cabeça dele é servida de bandeja à mesa do Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca e o seu carrasco é o Primeiro Ministro, José Maria Neves que vai despedaçar e distribuir o seu corpus ministerial pelos vários cantos ministeriais do seu governo

4. A Lenda. A História de Filú** terminaria aqui se os Homens não fizessem, também, Lendas. Não fosse, igualmente, a presença inexcedível do Pai Político que pelos vistos não arreda pé e já disse, uma vez, que se deve contar com ele. O próximo treino político de Filú pode já ter começado a estas horas. Assistiremos a uma rentrée política de Filú daqui há uns dias, meses, anos?

5. O Desfecho. Os militantes tambarinas sempre falaram em duas sensibilidades no seio do seu partido – a de Filú e a de José Maria Neves – e o facto de Pedro Pires ter, aparentemente, apoiado Aristides Lima, pondo-se ao lado de Filú, significa que é a sensibilidade deste que prevalece. E se o processo histórico desse partido não o confirmar, a Lenda se encarregará de fazê-lo. Pois claro, a Lenda: algo que só se compreende no coração dos Homens.

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**Nota: Filú é visto aqui como a imagem lendária do político que foi forjada e conduzida pelos seus militantes e não pelo indivíduo nascido de nome Felisberto Vieira (que deve estar a rir-se de si próprio como um bom cristão, nunca se compadecendo de si mesmo. Como ele deve saber: nenhuma divindade se compadece da nossa impotência.

terça-feira, agosto 23, 2011

JORGE CARLOS FONSECA É O 4.º PRESIDENTE DA REPÚBLICA.

Na democracia o Povo é quem decide. O povo sempre tem uma razão.

1.Vitória. A vitória de Jorge Carlos Fonseca nestas eleições presidenciais traz um dado novo à nossa política. A democracia caboverdeana está de parabéns! Basta ver o modo como tem oscilado, a esse nível, a sucessão dos senhores na casa cor-de-rosa. Nesse capítulo, as presidenciais escaparam às grandes jogatanas, ao tudo por tudo que empesta as legislativas.

2.Nova Realidade Política. Respira-se melhor no novo ambiente político que se formou. Provavelmente abrir-se-á um braço de ferro entre o Presidente e o 1.º Ministro; provavelmente cairá o governo; provavelmente haverá instabilidade política; provavelmente tudo corra pelo melhor sem grandes atropelos de poder; provavelmente … provavelmente…vamos ter que ouvir e ver melhor (o ranger de dentes, palavrões ditos entredentes, sorrisos amarelinhos depois de encontros governo vs. presidência, olhares cínicos, etc.).

3. Improbalidade da Comunicação. Improvável se torna, porém, a permanência da conjuntura anterior tal como temos vindo a assistir. A mudança que se queria com as legislativas chegará, certamente, com este novo Presidente de quem se espera alguma intransigência face aos riscos de inconstitucionalidade nas decisões governamentais. Como diria Niklas Luhman é preciso que o sistema e o meio estejam de acordo para que haja comunicação ipsis facto.

4. A Primeira – Dama. Mesmo sendo bonita, a nossa Primeira-Dama passará a pensar no estilo e nas roupas que passará a usar daqui para frente. Talvez arranje uma estilista particular que lhe oriente nesta fase em que todas as mulheres estarão de olhos postos na sua conduta e postura presidencial. E já se faz muita moda por aí. Uns mais sérios, outros mais naifs. Para já, ela é uma mulher à altura: tem presença e expressa-se bem. As boas acções sociais representarão, obrigatoriamente, a sua co-magistratura.

5. Casa cor de rosa. Mas fica a pergunta: onde é que os dois vão instalar arraiais já que a remodelação da casa cor-de-rosa onde deveriam ir logo nos primeiros dias do seu exercício irá demorar dois anos e meio num catabrum catabrum, sob a supervisão da China*? Um meio golpe de estado dado por PP que vai fazer sentir a sua sombra como um fantasma da ópera que ora se inicia? Mas que desfeita! Não deveria ser o novo inquilino a requerer a remodelação ao dono e proprietário? Um ex-inquilino nunca decide sobre uma remodelação, coisa alguma, só o dono e proprietário da casa o pode fazê-lo. Que significa isso?

Pela lógica escolástica (não erística) o conteúdo dessa anomalia fica assim: se PP manda remodelar a casa cor-de-rosa; logo PP é proprietário da casa; como o proprietário da casa é o Estado, logo PP é o Estado. Conclusão (forçosamente retórica): o PP é a personificação do Estado ?!! Bem, que eu saiba, mesmo que ele tenha sido isso ao longo destes 10 anos, já deixou de sê-lo a partir do dia 21 de Agosto de 2011.

Livra! Que prenda mais embaraçosa!

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* Obs: China não é só uma das maiores potências económicas mundiais. É também o maior aliado ideológico do PAICV e de todos os partidos africanistas independentistas. China, pelo seu poder económico e ideológico, tem servido de escudo protector da ex-políticas africanas de não-alinhamento, ocupando o lugar de sentido anteriormente equacionado pelo conjunto dos países não alinhados [com os valores das grandes democracias capitalistas planetárias]..

sexta-feira, agosto 19, 2011

COMUNICAÇÃO PUBLICITÁRIA (III)

Os spots publicitários em qualquer televisão, pública ou privada, tem menos a ver com os me­canismos, vectores e a criatividade, em si, do que com a sua fugacidade. A comunicação publicitária na TV é uma co­municação com um ritmo imposto. Podemos comportar-nos como um flaneur nas páginas de uma revista magazine mas o ecrã da televisão não nos dá essa hipótese. Uma vez que a cada spot se segue imediatamente um outro, perdendo-se sem deixar traços, o nosso espaço mental é constantemente preenchido o que faz com que a nossa memória tenha que ser constantemente renovada a cada instante publicitário.

Sabemos que o som proporciona um nível de envolvência superior a imagem, o que se deve às nossas características perceptivas: o nosso ân­gulo de visão limita-se a um máximo de 180 graus enquanto que a nossa amplitude auditiva possibilita-nos a captação de sons a 380 graus. Essa capacidade de que o som tem de nos fazer emergir é, evidentemente, aproveitada para se vincar, pelo tonitruante volume sonoro, o momento em que passa o spot TV, que destoa de tudo o resto que existe na programação televisiva. Uma loucura consentida.

È cada vez maior a enorme exigência à volta da criação pub­licitária no que toca á mensagem e originalidade do conteú­do publicitário. Vemos frequentemente spots televisivos nos quais se ensaiam novas abordagens um tanto ou quanto deslo­cadas da realpolitik vivida pelos citadinos caboverdeanos. Acresce a isso o facto da rapidez de ofertas e a multiplici­dade de incentivos ao consumo extravasar o próprio poder de compra dos nossos consumidores .