Terça-feira, Agosto 18, 2009

"Talking Jazz Cinema"

Foto: Nazra Parvez
Parece que por razões alheias ao normal funcionamento deste país (leia-se: ELECTRA)
o programa «Nôs Artista» só vai ser emitido no próximo Domingo, 23 de Agosto, ás 21 horas.

Não perca interesse!
É na Radio e Novas Tecnologias Educativas:

103.1 FM (Santiago)
103.5 (S. Vicente)

Sábado, Agosto 15, 2009

Chegamos ao Cinema ou aguardamos que o Cinema chegue até nós?

"Shadows" (1959). John Cassavetes

Caro bloguista: convido-o a ouvir o programa «Nôs Artista» na Rádio Educativa este Domingo (16 de Agosto) pelas 21 horas. Falo abertamente das possibilidades do cinema independente em Cabo Verde mediante o uso de handycâmaras, do experimentalismo como meio de expressão, mas sobretudo da mudança de atitude que é preciso ter para se fazer algo neste domínio. O essencial da conversa tida com o jornalista Nelson Pires abarca a realização do meu primeiro filme «Sábado á Noite» e os constrangimentos de se fazer cinema tout court no nosso país ao qual contraponho o recurso ás tecnicas de cine-verité e ao naturalismo na representação de que os actores amadores se podem munir. Foi o que se fez nos anos 60 em França e nos EUA. A Historia nos ensina.
Estou convicto que não se trata de utopia mas, talvez, de sombras que são projectadas por cúpulas de poder político, financeiro, lobbies culturais, e medos irracionais que impedem o jovem cinema caboverdeano de se expressar condignamente e em condições de maior visibilidade.

Opinamos?
Não perca na Radio e Novas Tecnologias Educativas:
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Quinta-feira, Agosto 06, 2009

Adeus BIUS

"Round Midnight"(1986). Bertrand Tavernier
Em 2000 entrevistei o Bius para uma revista «Àfrica Hoje», em Lisboa. Na altura trabalhava para a revista e o editor encomendou-me uma entrevista para a rubrica "Artista do Ano". Tinha que escolher entre as "Gingas" da Paty Faria ou Bius. Claro que escolhi Bius, como é evidente, não por ser um patriota meu mas porque gostava de vê-lo cantar e actuar nas noites quentes do clube "B. Leza". Só o podia apanhar mesmo ali a noite. Assim juntei o util ao agradável. Lá tive que esperar até que ele desse um intervalo aos seus músicos acompanhantes. Falamos breves momentos: o suficiente para umas linhas elogiosas e bem condimentadas uma vez que já conhecia a carreira dele. Ainda tenho esse n.º 145 do ex - Jornal «Àfrica Hoje», atafulhado em assuntos de imprensa, a minha primeira entrevista como jornalista estagiário mas tambem a ultima para a imprensa escrita. Ofereceu-me, na altura, o recem-nascido album musical «Dia e Noite». Sempre que cai a noite sobre Lisboa e sobre Mindelo a estrela Bius brilha. Incansável como ele era.

Deus ta dal um diskansu na sé glória.

Domingo, Julho 05, 2009

A TRANSAÇÃO ARTE E CIDADE

"Lost In Translation" (2003). Sofia Coppolla

A Oficina Arte / Ocupação de Território / Desenvolvimento Local promovida pela CIDLOT – Centro de Desenvolvimento Local e Ordemnamento de Território da UNI-CV agraciou-nos nos dias 01 e 02 de Julho, respectivamente na Praia e no Mindelo, com uma importante discussão á volta da relação entre a arte e a cidade, que nas ultimas décadas sofreu grandes alterações. A ideia central é esta: a cidade constitui uma relação simbiótica e indescirnível com a arte, tornando-se ela própria uma obra de arte.

Para compreender melhor esta relação nada melhor do que atermos ás poderosas contribuições de Dominique Malaquais, Historiadora de Arte, arquitectura e política africana, co-directora do projecto SPARCK – Space for Pan-African Research Creation and Knowledge (Africa do Sul) e da Kadiatou Diallo, artista visual educadora e activista na África do Sul. Ambas apresentaram interessantes novidades sobre o actual estado das coisas na arte, arquitectura e urbanismo africanos, sobretudo a dinâmica existente nas grandes cidades africanas. São novidades como:

- Networking Thinking, gente que se interessa pela ideia de tecnologias muito mais complexas mas que, todavia, não trabalha sistematicamente com tecnologias. Neste movimento surgem EWA BAMI JO = «come dance with us» uma organização muito nova em Kinshasa que lida com projectos sobre novelistas, poetas, etc.
- ACC – African Centre for Cities – University of Capetown - que implementa um programa denominado «Scenographies Urbanistique» na qual a ideia da transação é fundamental. São projectos como o Visual Arts Residency de KaKuDJi, o Performing Arts Residency de Mowoso, etc. Entre eles o caso mais paradigmático é o de KaKuDJi que contrapõe denúncias políticas filmando com câmaras pequenas, em viaturas em movimento, situações flagrantes de corrupção, atropelos aos direitos humanos, etc. Editou «The Secret Diary of a Paranoid Schizophrénique” no qual mistura fotos e desenhos com mensagens fortes sobre a esquizofrenia do capitalismo nas grande metrópoles.

Enfim, imaginary worlds como o de KaKuDJi , artista africano que imagina cidades europeias do futuro desde o contexto africano ou o colectivo estudantil universitário MATAHATI (traduzido: ‘olho da alma’) que produz obras sobre a história, a identidade, mudanças culturais e sociais em Malasia. Podem ser vistos no site http:\\www.universes-in-universe.de.

«No Centre, No Hierarchy, No One-way relationships», resume, na óptica de Dominique Malaquais e Kadiatou Diallo, o essencial destas propostas estéticas e activistas contemporâneas: cruzam-se vários caminhos na dinâmica das cidades e a transação é contínua, até em simples objectos como o sapato (neste particular, Dominique Malaquais fez questão de mostrar a plateia, ávida, os seus belos sapatinhos).

Outra contribuição de relevo foi o documentário «Lost Freetown», o primeiro da Nazia Parvez. Desta vez, na perspectiva inversa: a da destruição desse espaço de transação entre a arte e a cidade. Freetown, depois da guerra, transformou-se numa enorme catástrofe natural e humana e se há palavra que traduza as imagens apresentadas pela documentalista e fotojornalista de «The Guardian», tambem freelancer da Associated Press, ela está encerrada no próprio título do documentário: «cidade perdida». Não Transaccionável. Inóspita.

Sexta-feira, Junho 26, 2009

MICHAEL JACKSON MORREU ?

“A.I.” (2001). Steven Spielberg


É ... Michael Jackson morreu. Todos os fãs estão tristes. Lamento a sua morte porque marcou-me a mim e a toda uma geração adolescente. Ninguem ficou indiferente ao Rei da Pop. Mas fiquei deveras triste quando ele «morreu» pela primeira vez em 1987: foi quando vi a capa do album «BAD» e ouvi as canções. Nessa altura confirmava-se algo extraordinário no mundo do espectáculo o que despoletou mais tarde, um nunca mais parar de correr tintas e piadas. O desencantamento que isso suscitou em mim levou-me a outras paragens da música negra.

Já eu era crescido e sempre que me falhava a memória dos meus anos de adolescência lembrava do jovem cantor negro de «Don’t Get Still Enough», «Human Nature» e «Billie Jean». Da mesma forma quando lembramos de um brinquedo ou outro objecto qualquer de valor inestimável no qual depositávamos todo o nosso carinho e confiança nas más alturas.

Sim, para mim a verdadeira morte ocorreu antes. Foi mais triste porque era mesmo ele na capa do «Thriller», depois que se tornou «Bad» já não era ele: tornou-se o seu simulacro reinventado para o mundo do espectáculo em moonwalking interminável. Como ninguem tinha feito antes.

Não, já não era ele ... mas, todavia, era a arte pura no corpo e na alma, contemplando eternamente a sua, provavelmente,, única imagem adorável: a de Elizabeth Taylor.
Fica a Lenda para as outras artes.

Quinta-feira, Junho 04, 2009

RETRATO (V): ARMÉNIO VIEIRA (CABO VERDE)

"Finding Forrester"(2000). Gus Van Sant
ENQUADRAMENTO. Prémio Camões. 03 de Junho 2009. Um homem desce as escadas de uma cave escura. Ouve-se o ranger da madeira da pequena escada e vemos a poeira que se eleva no ar trespassada por uma luz ténue que vem de uma pequena janela na parte lateral do compartimento. O homem dirige-se a uma estante velha no extremo oposto contendo vários livros empoeirados. Pega num deles: «...hmmm...cof...cof...cof...», susssura para si próprio «tás aqui meu velho amigo. A ti ninguem deita mãos, minha relíquia ... aqui os aplausos não te perturbam».


... e o poeta regressa ao castelo...

Segunda-feira, Abril 06, 2009

O DESEMPREGO DE LICENCIADOS

"Good Will Hunting" (1997) Gus Van Sant


Oito (8) dicas para enfrentar o desemprego de licenciados no país:


1. Criação de agências de emprego nacionais como actividade geradora de rendimento. Emprega-se quem precisa e ajuda-se outros a empregarem-se: só assim se cria a consciência de busca não só como fim como um meio em si;

2. Sistematizar a aplicação de testes psicotécnicos e de inteligência emocional nas candidaturas: desta forma criamos uma sociedade baseada no mérito e não em favores políticos;

3. Promoção de auto-emprego aliada ás ideias e ao empreendorismo nacional;

4. Criação de laços umbilicais entre a universidade e o mercado de emprego de forma a que estudantes que tenham aproveitamentos possam ter acesso directo ao emprego;

5. Maior divulgação acerca das ofertas de emprego existentes nos países da CPLP que passa por uma agencia de intermediação de ofertas e de buscas;

6. Criação de cursos superiores de turismo e de agentes culturais!!
7. Incutir maior responsabilidade nos nossos estudantes e lembrar-lhes que o país começa a deixar de ser para todos que simplesmente queiram viver nele;
8. Promover o micro-crédito para sectores não antes contempladas. Que tal apoiar uma empresa que queira produzir uma revista de moda e de beleza, um dos sectores mais badalados nos ultimos anos no país ?;

8 1/2. Incentivar o audiovisual e a industria cinematográfica tornando-a uma actividade lucrativa e geradora de empregos.


Leia a seguir o que diz a malta do blog joint: