A 7.ª Arte e o Público
Vejamos
como Hauser (2000) olha para a questão do «público» no
domínio da 7.ª
Arte: segundo este autor a massa de
espectadores, no cinema, dificilmente poderia ser qualificada de «público»
“visto que só um grupo mais ou menos constante de patronos pode ser descrito
como tal: um grupo que, em certa medida, é capaz de garantir a continuidade de
produção num certo campo da arte diversa”. Ora
bem, essa
continuidade de produção só acontece por essa discreta
realidade a que
Dickie (2008) se refere: [o espectador] «não reage
ao que é artisticamente bom ou ruim, mas a impressões pelas quais se sente
tranquilizado ou alarmado em sua própria esfera de existência».
Porém, se levarmos em
conta o cinema de autor ou cinema de arte (terminologia utilizada
por João Bernard da Costa), a dicotomia colectivismo artístico vs.
personalidade de artista ameniza-se e pode-se afirmar, seguramente, que existe
um público fiel ao cinema de L. Buñuel ou que há um público afecto ao estilo
cinematográfico indie de Jim
Jarmusch. É isso que move os cinéfilos e as cinematecas, uma realidade distante
das grandes produções e hiper-salas de cinema comerciais: é que, para um
cinéfilo inveterado, um Orson Welles ruim, provavelmente, valerá mais do que um
excelente Tony Scott.
A experiência,
ao longo da história, deixa em aberto a questão das fronteiras da arte no
cinema, desde sempre alarmada por transgressões de ordem estética e formal. Quanto
ao público torna-se cada vez mais difícil delimita-lo por ser cada vez mais
heterogéneo e fragmentado no seu funcionamento e pelo acesso multi-mediático e
cibernético de que beneficia relativamente às obras cinematográficas dos
artistas.
BIBLIOGRAFIA:
ARGAN, C.G. & FAGIOLO, M. (1994). Guia
de História da Arte. Lisboa: Editorial
Estampa.
ARGAN, G. C. (1995). Arte
e Crítica de Arte.(2.ª edição) Lisboa: Editorial Estampa.
DICKIE, G. (2008). Introdução
à Estética. Lisboa: Editorial Bizâncio.
MARTIN, M. (2005). A
Linguagem Cinematográfica. Lisboa: Dinalivro.
READ, H. (2007). Educação
pela Arte. Lisboa: Edições 70.43
TAYLOR, C. (1993). El
multiculturalismo y la politica del reconocimiento. Ensayos de Charles Taylor.
México D.F.: FCE.






