
Toda a revolução introduzida por Welles está na profundidade de campo não habitual nas outras produções. Enquanto a objectiva da câmara clássica focava sucessivamente diferentes partes da cena, a de Orson Welles engloba com igual nitidez todo o campo visual.
Os efeitos dramáticos foram obtidos assim, não pela montagem, mas com a deslocação de actores no enquadramento, escolhido de uma só tomada de vista. Sem cortes, ficando a câmara imóvel.
A planificação clássica que começara com David Grifith, no Nascimento de Uma Nação, descompunha a realidade numa série de pontos de vista sobre um acontecimento. Mas Orson Welles resolveu apostar na continuidade de cena, isto é, já não é a planificação que escolhe para o espectador o que ele deve ver.
A planificação clássica que começara com David Grifith, no Nascimento de Uma Nação, descompunha a realidade numa série de pontos de vista sobre um acontecimento. Mas Orson Welles resolveu apostar na continuidade de cena, isto é, já não é a planificação que escolhe para o espectador o que ele deve ver.
André Bazin, crítico francês, chamou esse novo cinema de realismo espacial no qual «o espírito do espectador se vê obrigado a interpretar o drama particular da cena», uma «qualidade fundamental da realidade» uma vez que nós não vemos a realidade por cortes sucessivos mas numa só tomada de vista. O máximo que podemos fazer é confrontar ou aproximar as várias experiências do olhar, isto é, a nossa memória visual e afectiva.
Citzen Kane é um puzzle de imagens e de sons, um carrossel a alta velocidade com uma frase escrita em neons por Orson Welles: «A tragédia não é senão o espectáculo da desintegração de uma bela alma.»
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