TEMAS
quarta-feira, dezembro 03, 2008
O DESTERRO DO POETA (versão cedida pelo autor)
(versão segunda)
ao Arménio Vieira, inveterado mestre da palavra
e das incongruências do quotidiano
Num dia qualquer
de Junho ou Março
expulsaram-te da tua taverna predilecta!
Dizem
consumias demasiado café
(ah! essa tua mania
de fazer o vagar do dia
vogando na solidão
recostado ao fumo teu e dos outros)
Dizem
trazias a poesia
para o coração
dos marginais dos desesperados
das vítimas da cidade e da rotina
Dizem
enchias de vaticínios e paradoxos
a nudez das tardes e a rispidez dos enredados
nas incongruências do dia e do quotidiano
Mas
- chateiam-se -
porque enxertas a poesia
aos estádios
e a outras rotas circulares
dos fanáticos da bola?
O poeta deve ser discreto
e exemplar na sua pose austera
mas tu
-desesperam-se –
dás trela aos que no futebol
são os sábios dos sábios
(e são quase todos os habitantes
destas urbes e suburbes)
e perdes o teu lato tempo
pormenorizando os dribles
discorrendo sobre as fintas de tal e tal jogador
(afinal um simples proletário
da várzea da companhia
ou, lastimam urbanos e cépticos, de ribeirão chiqueiro!...)
Um poeta deve ser
sisudo e sorumbático
e protótipo de uma postura filosófica!
Mas tu
- arrepiam-se -
cabelos em desalinho
em mangas de camisa
as sandálias franciscanas desapertadas
o peito ao sol e à bruma
discutes futebol
e pagas bicas e água tónica
a todos os que se vangloriam
de serem cortesãos do teu condado
Será isso
digno de um poeta
ademais consagrado?
Por isso
instaram-te a mudar
o teu indeclinável percurso
de todos os dias
e proibiram-te de consumir café
na tua irremediável taverna
das tardes todas
(diacho de poeta
que não cumpre a sina da boémia
e não consome nem scotch nem ceris!)
e colocaram o teu assento predilecto
num recanto da penumbra
(agora aí se senta
um velho funcionário reformado
em matrimónio indissolúvel
com o seu imperceptível silêncio)
Oh! pior
quando o teu poema saiu
numa das revistas da cidade
negaram-se a vender a revista
e em magotes amontoaram-na
com os restos de velhas publicações ilustradas
e com os dejectos dos turistas alemães
incomodados com a tua inconfundível conversa
sobre a gramática o futebol
e o non sense do quotidiano…
Lisboa, Julho/Novembro de 2008
(versão refundida do poema com o mesmo título
publicado na revista Fragmentos, nº 5/6, 1989)
REMÉDIO (Para Bloguistas)
terça-feira, dezembro 02, 2008
SOLIDÁRIO
segunda-feira, dezembro 01, 2008
REFORMAS DE MISÉRIA
A MORAL DOS FORTES
sexta-feira, novembro 28, 2008
«PRISON BREAK» (FUGA DA PRISÃO)
quinta-feira, novembro 27, 2008
MALA EDUCACIÓN
No parlamento, Fernando Freire, lider parlamentar, amua e não quer falar.terça-feira, novembro 25, 2008
RESGATE
A criança vê mas guarda algo dentro de si. É, talvez, isso o olhar. É tambem a visão de um fotógrafo: o seu resgate pessoal.
sexta-feira, novembro 21, 2008
OBAMA E O CINEMA
Exemplos há muitos. As comparações e epítetos não param sobre ele: é Mr. OBAMA, aquele que Ridley Scott definiu como um “excelente actor, cálido, humano, preciso”. A sua história é muito parecida com aquela de que o cinema adolescente adora abusar no argumento: sempre aquela estória de autosuperacão, de fé em si mesmo apesar das adversidades e, enfim, a exaltação de uma sociedade que permite o éxito a quem o demonstra. Tambem a noção de «superpoderes» não está posta de parte.Já o comparei, aqui, á figura real do imperador etíope Haile Selassie [uma comparação, de resto, demasiado absurda para que faça sentido (é para isso que servem os blogs)], mas no cinema, a película que mais me ocorre, de imediato, quando se trata de Obama não é uma longa-metragem mas sim uma série televisiva: o 24 horas (4.ª Série) e a figura iconográfica do Presidente Afro-americano, na personagem Robert Palmer [demasiado óbvio para que seja uma comparação interessante (é, tambem, para isso que servem os blogs)].
Palmer / OBAMA é amigo pessoal de Jack Bauer/PODERIO TECNOLÓGICO-MILITAR ... especialista na detenção e eliminação de acções terroristas.
A série foi concebida uns dois/três anos antes e, já que estamos em maré de comparações a OBAMA, apetece mencionar «Viagem na Lua» (1902) de George Meliés , a antecipar a verdadeira viagem do homem á Lua ( em 1969). Desta vez, se usarmos, meramente, o mecanismo causa-efeito, o efeito foi mais depressa: .... é o real que fomenta a ficção... ou é a ficção que persegue o real ?!
quinta-feira, novembro 20, 2008
Teatro
Fui espreitar, ontem, a peça de teatro «Máscaras» do João Branco [com Mano Preto escondido por trás de uma máscara]. Gostei da peça, do primeiro ao ultimo acto, que não foi no palco mas na plateia, com a improvisada (?) provocação aos presentes. Essa espécie de desenredo, que desperta pela sua imprevisibilidade, quase que responsabiliza as pessoas por aquilo que andaram a ver, confrontando a arte com as suas vidas. O melhor exemplo disso, no cinema, talvez esteja presente n' «O Sabor da Cereja» de Abbas Kiarostami: depois de passear, pelo enredo, a figura trágica do protagonista até ao suicidio, o cineasta nos deixa ver os bastidores das imagens das filmagens, questionando por dentro a própria obra, sem ligar aos «anseios» ficionistas do público. O efeito é estranho e obriga todos, igualmente, a questionar. Estranho, tambem, é o modo como soa a mediação de um fragmento textual, tirado a papel químico, das composições de Orlando Pantera no decorrer de uma cena teatral desse estilo. Fantástico!Challenge: «War»
Until the philosophy which hold one race
quarta-feira, novembro 19, 2008
terça-feira, novembro 18, 2008
Economia da Cultura?!...ahnnnn!! Agô dja N' tendi...
Economia da Cultura?!!!
quarta-feira, abril 23, 2008
Aimé Cesaire - O Poeta
happer un nuage trop rouge
ou une caresse de pluie, ou un prélude du vent,
ne vous tranquillisez pas outre mesure:
je force la membrane vitelline qui me sépare de moi-même,
Je force les grandes eaux qui me ceinturent le sang
C'est moi, rien que moi qui arrête ma place sur le
dernier train de la derniére vague du dernier raz-de-marée
C'est moi rien que moi
qui prends langue avec la derniére angoisse
C'est moi, oh, rien que moi
qui m'assure au chalumeau
les premiéres goutte de lait virginal!»
In "Cahier d'un retour au pays natal"
sexta-feira, abril 04, 2008
Polítika: «burro é na ladera ki ta dexadu»
Sobre ultimu okurridu ridíkulu na campanha pulitiku pa autarquica, na kual José Maria Neves fla ma «Burro é na ladera ki ta dêxadu...» nu tem ki sabe un kusa: ômi é um animal pulitiku y animal tem txêu: burro, cabra, bódi, leon ô tigre. Se na cena pulítiku kauberdianu skodjêdu «burro» pa kria comparasons foi mal skodjêdu apesar di nu tem poku variedadis di animal na país. É ki tem um animal mas representativo nes katan-katan di campanha: bôde !! Dos bôdes ki djunta kabesa ku kabesa riba kutelu di Somada ( lokal txoma mesmu Cutelo: foi lá ki kes dos campanha bai stanka).
N kel bram-bram um fika biradu pa Nhagar e mas pa lá na direson di vales e montes; kel ôtu fika biradu pa skola secundáriu y camara municipal. Purtantu: na kutêlu somada de kostas voltadu num korrida pa ganha eleison autarquica. Na kel (i) lógika di burrice kenha ki stá bai ganha?! Um bôde difícil di razolvi ...
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Deselegante afirmason pa um ministru mé, diga-se de passagem. Até porque se logika mas profundu for um kiston mas toponimiku y ku ordenamentu ti territóriu, kal foi ultimu bez ki ministru dá um vista di olhos na mapa toponímiku di sê país? Se nu bai pa mapa nu ta rapara ma país sta xeiu di burros, tudo pa ladera. Un psikanálise geral pa tudu alguem ... debia ser rakumendadu.
quinta-feira, março 27, 2008
Teatro ou ... «my mental condition is illegal»
sexta-feira, março 14, 2008
Mulher
segunda-feira, março 03, 2008
Amistad
sábado, março 01, 2008
Cabo Verde: País de Desenvolvimento Médio
quarta-feira, fevereiro 27, 2008
«Wetland Bird Outside of its Natural Inhabitat» - Joe Underwood

segunda-feira, fevereiro 25, 2008
quarta-feira, fevereiro 20, 2008
Era uma vez um país...
Hoje em dia toda a gente vai para Londres. Eu fui parar a Guiné-Bissau para participar num workshop sobre documentários naquele continente, pois, foi lá que deixei o meu cordão umbilical. Ando em busca das origens ... e isso é já uma boa razão para reiniciar este blogue depois de uma inter-missão (entenda-se intervalo para realizar uma missão).
Ah..., para quem tem lido este blogue ao longo destes dois anos devo dizer que decidi não disponibilizar aqui as minhas imagens video, por uma questão de bom senso (conselho do meu amigo realizador de documentários Miguel Clara Vasconcelos, da Andar Filmes). Para este suporte de informação a internet já está a tornar-se um local pouco seguro. Alem disso o fenómeno do video-instalação parece ser mais consistente do que ter um V.log na internet, pois acaba por criar uma experiência mais humana no espaço relacional da arte, mais interessante do que esse espaço impessoal e virtual da net. Claro que isso não é novidade para ninguem mas eu procurei descobri-la do modo mais radical possível ...
Portanto fui parar á Guine-Bissau, considerado já um narcoestado. Aí, valiosos Jeeps e outros carrões percorrem ruas arruinadas e parece que, como em qualquer governo corrupto, lá as coisas são obtidas não pelo esforço de construção de um país mas sim por expedientes obscuros e continuados que não atendem ás concequências morais e sociais que daí advêem. As ruas da capital Bissau são despojos da guerra e da pobreza; os passeios estão literalmente arrancados do chão; o antigo palacio do governo está todo esburracado e, pasme-se, é diante dela que se levanta a bandeira do país ás duas horas da tarde. Conheci lá dois jovens talentos da escultura - o Joaquim e o N'Djai - que ocupam o seu espírito durante o dia, no Centro Artístico Juvenil, na produção em pau de sangue de figuras e símbolos da sua cultura étnica como régulos e irans, cuja força mitológica equivale no mundo moderno ao papel dos nossos parlamentaristas, políticos e religiosos. A partilha destes dois universos não os confunde. Agarram-se a velhas formas e ontologias porque acreditam que é dali que vem a sua força e é talvez por isso que os centros urbanos (a capital do pais espelha isso) não tem importância enquanto construção do espírito humano. Enquanto trabalham morosamente o seu material o mundo lá fora deixa de existir: se não se puder salvar um país em vias de se transformar na «Colombia da África» salve-se pelo menos o Joaquim e o N'Djai. Se fores a Guiné Bissau visite o Centro Artístico Juvenil da capital e salve o Joaquim e o N'Djai. Outros esforços em relação aos problemas desse país em http://www.odiaquepassa.blogspot.com/.
Eu, por enquanto, vou salvando as minhas memórias ... neste tempo de lobos ... e o meu blogue já leva - faz hoje - 2 anos de existência, portanto ... velinhas!!
terça-feira, outubro 16, 2007
Z de Zen (a Oriente) e Zweckrationalitãt (a Ocidente)
segunda-feira, outubro 15, 2007
Rainha li di bâxu* y ê sima stá skrebêdu.
Pôkus Kusas è ta flá dês governason,
Y é ka ta fika sô pa detalhes ki ta sobra
Mas pôntu krucial, na sê opinion, kel kusa ki nu ten ki ôdja:
Livre arbítriu ta pêsa, ta argumenta y ta parlamenta,
Dipôs pôbri-di-kurason ta dicidi y ta sigui sê kaminhu.
Kênha ki ta impidi'l? Sê ûniku deseju é ka ôtu
Sinon keli: stá, um dia, entre kel númeru di eleitos
Servidor poderosíssimo, soberânu poderosíssimo.
Pródigu y, acima di tudu, ka ta liga kusas materiais, di ten
Mas ta akumula sempri kûsas ke ba ta sabe:
Pa súbditu tan altivu y livre - ki rainha!
Paul Verlaine [Traduson ku tradison]
* Dicotomia céu-terra, paraíso-inferno.
terça-feira, outubro 09, 2007
Y libre!
quinta-feira, outubro 04, 2007
X e Z: duas variáveis presas a eXistenZ
terça-feira, outubro 02, 2007
X... pa Electra: nôs grandi inkógnita
na Avenida Marginal ou na Avenida Cidade de Lisboa na mei di sukuru, ta bai manenti ti instalason di Elektra pa bai deposita na sê porta milhares de velas. Ma parcen ma, sima tud alguem dja intendi, si tud bez ki tiver un apagon de Elektra fazedu um romaria, é ta kaba pa bira folklore i passadus di li uns tempos nu ta lê num obskuro revista de turismo internacional álgu n'es stilu li: «Cabo Verde é tambem um país conhecido pela sua romaria silenciosa de velas em tempos de apagão, um problema insóluvel do seu Governo, mas que já se tornou um hábito cultural naquele estranho país da costa ocidental africana». Ayan, parcem m'ê pa Pro Praia i ADECO, na Mindelo, poi di guarda en relason a es tXakóta contra residentes i consumidores.segunda-feira, setembro 24, 2007
W de What'a-Wonderfull-World-Wide-Web
A Web 3.0 será o futuro da internet. As actuais investigações vão no sentido da criação de uma nova mega estrutura destinada a substituir o actual world wide web. A Web 3.0 está em fase de preparação e representará uma nova forma de navegar, mais rápida e eficaz e principalmente com maiores potencialidades. A velocidade de navegação será de 50 Mb/seg. As causa desta revolução silenciosa que já foi iniciada deve-se ao boom das redes sociais (Myspace, Hi5,...), tv on line, vídeos e redes peer-to-peer. A world wide web deixará de existir, daqui há alguns anos, e passará a assumir a designação de World Wide Database: deixa de ser uma rede de documentos passando a ser uma rede de informação. Uma das grandes revoluções é que a extensão «.com» extinguir-se-á e surgirão dominios mais pessoais e particulares, do estilo http://www.minhapágina.helena.hn/.Recorde-se que a world wide web foi criada por um inglês Tim Berners-Lee e por um belga Robert Cailiau, cientistas do Centro Europeu de Investigação Nuclear da Suíça.
V de «Voyelles» e Visionário

O meu amigo inglês Joe Underwood pintou «The Pile Up of Progression» inspirando-se em «Voyelles»* do visionário-anárquico Arthur Rimbaud (1854—1891):
A noir, E blanc, I rouge, U vert, O bleu: voyelles, / Je dirai quelque jour vos naissances latentes: / A, noir corset velu des mouches éclatantes / Qui bombinent autour des puanteurs cruelles, / Golfes d'ombre; E, candeurs des vapeurs et des tentes, / Lances des glaciers fiers, rois blancs, frissons d'ombelles; / I, pourpres, sang craché, rire des lèvres belles / Dans la colère ou les ivresses pénitentes; / U, cycles, vibrements divins des mers virides, / Paix des pâtis semés d'animaux, paix des rides / Que l'alchimie imprime aux grands fronts studieux; / O, suprême Clairon plein des strideurs étranges, / Silences traversés des [Mondes et des Anges]: / — O l'Oméga, rayon violet de [Ses] Yeux!
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* [Tradução de Gaetan M . de Oliveira]:
Vogais
« A negro, E branco, I vermelho, U verde, O Azul: / Das vogais direi um dia os partos latentes: / A, veloso corpete negro das luzentes / Moscas que rondam fétido e cruel paúl, //
Golfos de sombra; E, candura de fumos e tendas, / Lanças de altivos gelos, reis brancos, tremor de umbela; /
I, púrpuras, cuspo e sangue, furor / No riso dos lábios belos, ébrias emendas; // U, ciclos, vibrações divinas
dos virentes / Mares, paz de pastos e gados, das pacientes / Rugas que a alquimia imprime em sábios sobrolhos; // O, Clarim supremo de estranhos gritos fundo, / Silêncios cruzados por Anjos e por Mundos: / — Ô, de Ômega, raio violeta dos Seus Olhos!»
sexta-feira, setembro 21, 2007
U de Utopia
«O homem não está só na história, mas leva sobre si próprio a história que explora» A crise da verdade televisiva e com ele o modelo de utopia da informação pôs em crise um modelo de realismo entendido como afirmação da objectividade e trouxe ao primeiro plano os limites da ficção. O efeito bigger than life hollywoodesco fornecido pelos relatos comoventes dos protagonistas das tragédias tão pouco resolve esta crise. Atente-se por exemplo no caso do casal McCann - cuja filha Madeleine foi supostamente sequestrada – que, para já, começa a ganhar contornos grotescos e assombrosos prefigurando-se, talvez, como o maior embuste televisivo infligido ao espectador.
O problema de fundo é que se começa a estabelecer uma fronteira volúvel e confusa entre o real e a ficção. Estabeleceu-se já, ao nível do conhecimento humano, uma reformulação do conceito clássico de ficção que voltou a centrar o debate na necessidade ficcional como instrumento para o conhecimento e questiona-se, cada vez mais no mundo académico-universitário, a importância que a ficção pode exercer dentro de uma cultura contemporânea na qual se impôs, para já, uma crise de objectividade informativa. Tal constitui, por exemplo, a posição de Jean Marie Schaeffer na sua obra Pourquoi la ficcion? ( Paris, Seuil, 1999).
Para chegar ao conhecimento das causas reais a história teria que deixar de ser explicação para transformar-se em interpretação das intenções, sentimentos e razões das pessoas envolvidas, defendia Georg Simmel, ainda, no inicio do sec. XIX. Deste modo, somos cúmplices de toda a realidade e estaremos, então, a buscar a nossa verdade ao elevar o nosso nível de interpretação, daquilo que levamos em nós, para ultrapassar essa contínua suspeita em relação á informação televisiva.
quarta-feira, setembro 19, 2007
T de Temperamentu, Tíru y Têra-Têra
T di TêmperamentuT de Tíru
terça-feira, setembro 18, 2007

segunda-feira, setembro 17, 2007
S de Site-Sapo.cv
R de Roberto Rosselini [«Roma-cidade aberta» (1945)]
sábado, setembro 08, 2007
Q de Quero-Que-Quebres-e-te-Quedes-Quente, Querida.
terça-feira, setembro 04, 2007
P de ... ?
Mágica de bastidores, figuras clownescas, burlescos cinematográficos, intimidadis ... tudo isso apaga-se perante um facto que já comprovei: as pessoas são sempre mais sofisticadas do que aquilo que parecem. Kantu grau di sofistikason stá na bô, leitor? É tan forti ki ta bai ti pou kai na vaziu, moda cinema de Robert Bresson? Ô é moda sonoridadi di Charlie Parker kantu kumesa ta toca? [ a' êl é foi di tan grandi sofistikason k' es mandal studa ôtu bez]. Ô kel grau é similar a kel di Vasco Martins ki dja tinha sê composisons na obidu stranjeru, mesmu antes de um estudanti di têra sábe kem el ê? Ô é môda kel ki Ferro Gaita traze pa funaná di têra? Ô bô é tan poko sofistikadu k'es ta txomou koitadu?sexta-feira, agosto 31, 2007
O de OUT
Há umas semanas atrás ajudei uns colegas brasileiros a procurar apartamento aqui em Lisboa. Depois de várias olhadelas e senhorios ansiosos por alugar chegamos finalmente á zona da Ajuda (Deus estava connosco). A senhoria até era uma boa senhora: daquelas mulheres portuguesas que parece que ainda vivem no tempo da monarquia. Tratou-nos como a seus súbditos e alugou aos meus colegas o apartamento calmo e tranquilo. A rua chamava-se Rua Filinto Elísio. (isso mesmo! aqui mesmo em Lisboa!) Daí, pensei: mas não será o ...? Bem mas a minha preocupação não era bem essa: a minha única preocupação era esse colega, meio andrógeno, que eu queria ajudar mas que não parava de me lançar sinais. E que sinais!! Eu já não sabia o que fazer. «Deve ser um tique ou uma mania qualquer do rapaz.» Passado uns dias fui visitá-los a ver como estavam acomodados. Só lá estava o meu amigo com aspecto de quem tinha acabado de bater uma pívea. Umas conversas de circunstância e convidou-me para ir ver o quarto que ele tinha escolhido (faço aqui uma elipse para cabeças confusas). Minutos depois estava ele na internet. Também fui á internet dar um check. Sem querer abrí uma janela e encontrei lá um blogue chamado todo o Mundo te quer, cheia de fotos de homens nus. Uauuu!!! No meu humor tranquilo de sempre achei bem que ele se declarasse daquela forma. Fiquei-lhe grato por isso. Curioso é que a rua se chamava Rua Filinto Elísio: não vou dizer em que zona. Um daqueles grandes mistérios? Bem, aproveitei para pesquisar quem é Filinto Elísio na internet e encontrei isto:Estudou os clássicos e foi admirador incondicional de Horácio.
Filinto Elísio foi um defensor incondicional do purismo da língua portuguesa e é considerado por muitos como um dos precursores do Romantismo português. Se quiseres saber amis click
Mas apartir desse incidente curioso uma coisa ficou: ocorreu-me que o nosso Filinto Elísio, da blogosfera kauberdianu, age como se todo o mundo lhe queresse, actuando como um seu superintendente. Sim, todo o mundo te quer, Filinto Elísio. Filinto Elísio: ès Gay. Não me admira que quando chegues ao meu blogue batas uma punheta. [«O besteirol de Mário Almeida há de me chamar hermético. Vê-se que é alguém que não se masturbou em tempo dos lobos. Too bad. Mais uma vez, concordo com o Abraão Vicente, mais substantivo do que os betinhos, neoradicais, lobinhos e seus afluentes, de pequenas causas.» http://www.albatrozberdiano.blogspot.com/]
terça-feira, agosto 28, 2007
N de Natural
Desde que li «A um Deus desconhecido» de John Steinbeck percebi o que é representar de forma ontológica o natural. O imaginário nele expresso apela a qualquer coisa de intrinsicamente bravio e silvestre. Natural não se confunde com sapiência. Natural é a voz e musicalidade de Nancy Vieira sobretudo no seu mais recente album «Lus» que confirma todo o seu potencial e carisma de crioula desprendida e sensual. Natural é o que me ocorre também quando oiço as canções de Norberto Tavares que, na sua busca formal e estilístico, quase que antecipou a revolução operada por Pantera, década mais tarde.«Lembras-te, Txokáti
do nocturno requiem
dos ciprestes e das buganvillas
dos olhos cintilando
vigilantes escrutando o vôo das garças e das pombas
sobre o rude verde das lemba-lembas
nas noites longas de Assomada?
Todos nós éramos verde poilões resguardando no ventre
rugosos e centenário
os colectores dos espíritos da chuva da vegetação e do tempo
e os salteadores da cobardia
acossados pela polícia
foragidos da lei e da ordem
Todos nós éramos túmulos de lendas e mitos
esconderijos da secular condição
de primogénitos das montanhas
da humanidade das ribeiras
da vastidão do verde
ressumando
sobre o corpo dos sequeiros
em raízes contorcidos.
[in «Assomada Nocturna», cadernos da Lusofonia, pag. 66-67]
sexta-feira, agosto 24, 2007
M di MINTIRA!
quinta-feira, agosto 23, 2007
L de Lei e Lobbie [para Sector da Criação Audiovisual]
Pensei numa proposta de Lei, que faça de Cabo Verde um paraíso para os criadores audiovisuais: funda-se um Instituto vocacionada para a cinematografia e artes audiovisuais que dependeria não de um Ministério da Cultura mas sim de um ministério da educação, ciência e tecnologia (penso que de deveria juntar a ciência e tecnologia á educação). Esse ministério proclamaria, então, uma espécie de lei de fomento e promoção de cinematografia e de sector audiovisual que contemplaria ajudas automáticas que se poderiam obter em percentagens adjudicadas pelas grandes empresas que actuam em Cabo Verde e que por seu turno obteriam incentivos fiscais por parte do governo. Com as convocatórias anuais que o nosso Ministério fizer para projectos de novos realizadores, filmes de carácter experimental ou documentários, as pequenas produtoras audiovisuais, que já existem no país, em vez de centrar os seus esforços apenas na publicidade institucional poderiam optar pela exploração da ficção e documentário. Teria ainda que haver, por parte dos intelectuais de esquerda no país, alguma vontade de premiar obras experimentais de decidido conteúdo artístico e cultural nas áreas de escrita de guiões, de realização de curtas e longas metragens de ficção e documentário. Cada convocatória fixaria o número de projectos fílmicos a serem beneficiados, assim como a sua quantia. Sim: isso seria o paraíso para qualquer criador na área das artes audiovisuais.quarta-feira, agosto 22, 2007
K de Kafuka Cine Clube
O Kafuka Cine Clube deve ter sido das coisas mais originais que já surgiu na cena cultural praiense e caboverdeana. A visão de uma cultura cinematográfica concebida partir de uma pequena lamparina a óleo é proverbial. Na altura em que fora criado muito se discutiu acerca da sua pertinência na vida cultural cabo-verdiana. Mesmo que não tenha resultado num empreendimento de grande envergadura prefigurou, na altura, um cenário na qual os cinéfilos pudessem desfrutar de grandes filmes e, ulteriormente, os cineastas amadores pudessem definir, com visionamentos e workshops, uma estética e um estilo pessoal. O grupo reunia-se ocasionalmente para definir e debater os programas (kau ki staba ami, Paradela, Mónica, Vanilde, Paulo, Catarina, Luísa, Eveline,entre outros). Parece ter sido apenas uma utopia ... ou provavelmente não. È que depois dessa espécie de «parto histérico», o Kafuka Cine Clube entrou em coma profundo. Mas, segundo li por aí, parece que as coisas deverão voltar á normalidade: espero que, mantendo-se a ideia original. Seria uma pena não continuar: é que foi bonito a forma como tudo começou e seria bom se a chama da pequena lamparina se mantiver sempre acesa. quinta-feira, agosto 16, 2007
Juventude
Gustave Flaubert
sábado, agosto 11, 2007
quinta-feira, agosto 09, 2007
João Vário (1937-2007)
quarta-feira, agosto 08, 2007
Eileen
segunda-feira, agosto 06, 2007
MEDIA II. Rupert Murdoch - o «Citzen Kane» do sec. XXI
Rupert Murdoch o magnata detentor de um vasto império mediático comprou a Dow Jones & Company editora do importantíssimo diário económico The Wall Street Journal por cerca de 4 mil milhões de euros: o mesmo diário que tecia duros editoriais contra ele e que o tinha acusado, numa grande reportagem, de utilizar os seus jornais e televisões para promover os próprios interesses económicos e ideológicos por todo o mundo. A família Bancroft que detinha a maioria dos votos da cia. não resistiu á pressão financeira imposta pelo multimilionário, vendo-se «engolido» pelo seu enorme império. Rupert Murdoch é já o mais poderoso media mogul neste tempo de lobos - o «Citzen Kane» do sec. XXI.MEDIA I. A bloguista mais popular do mundo
Xu Jinglei, actriz e realizadora chinesa é a bloguista mais popular do mundo. Cem internautas por minuto visitam o seu sítio. A pesquisa levada cabo pela Technorati refere que o seu blogue bateu no passado 12 de Julho todos os recordes chegando aos cem milhões de visitas. O sucesso da Xu Jinglei não se deve a tricas e mexericos, mas sim ao estilo de escrita acessível que faz sobre o seu dia-a-dia (0s textos falam do seu trabalho no mundo do cinema ou da comida de que gosta, por exemplo). Ganhou projecção internacional quando venceu o prêmio para melhor realizadora com o filme Cartas de uma Mulher Desconhecida, em 2004, no Festival de Cinema San Sebastián, em Espanha. Outro jovem blogueiro pode vir a ultrapassar a actriz. Trata-se de um jovem escritor de 24 anos que conta as histórias de uma existência problemática quando ainda estava na escola, para alem de escrever sobre a sua obsessão por corrida de carros. sexta-feira, agosto 03, 2007
O Adeus á Michelangelo Antonioni
Com uma cerimônia sóbria marcada por cantos fúnebres a cidade de Ferrara se despediu nesta quinta-feira de seu notável filho Michelangelo Antonioni, o último nome dos grandes mestres que deram fama e prestígio ao cinema italiano, na basílica de San Giorgio.Na elegante e antiga igreja de sua infância, 500 pessoas se reuniram, entre amigos íntimos, familiares e pessoas comuns, para dar o último adeus a Antonioni, que faleceu na segunda-feira em Roma aos 94 anos.

"Agora está além das nuvens, onde pode voltar a falar", comentou ao término da cerimônia o diretor de cinema alemão, Win Wenders, que foi seu amigo e co-autor de um de seus últimos filmes, "Além das nuvens", realizado em 1995, quando o mestre estava doente e sem fala.
"Seu corpo exposto aqui me transmite serenidade. Michelangelo terminou como sempre quis, em meio à neblina de Ferrara, sua cidade", disse o roteirista e poeta Tonino Guerra.
"Eram maravilhosas as suas discussões e gestos democráticos", lembrou Guerra.
Na primeira fila, diante do caixão de madeira clara com uma cruz fina dourada, cercado de poucas coroas de flores, estava sua esposa Enrica Fico, sua companheira por 35 anos e sua sobrinha Elisabetta, a quem o cineasta havia pedido no ano passado que o enterrasse no cemitério de Ferrara, ao lado da tumba de seus pais.
Ninguém chorava, ninguém deixou transparecer a emoção, apenas o respeito e a admiração dominaram a cerimônia, celebrada pelo padre Massimo Manservisi, um sacerdote apaixonado por cinema, que elogiou a visão aberta aos questionadores e curiosa de Antonioni.
"Como Nicodemo (líder dos fariseus que defendeu Cristo), Michelangelo estava atento aos sinais, dissecava o ser humano, seus olhos eram como os de um pintor flamenco", disse o religioso.
Diante das autoridades locais e regionais, a vice-prefeita da cidade, R
ita Tagliati, que decretou um dia de luto, anunciou que o museu de Antonioni, aberto desde 1995 pelo próprio mestre, será completamente remodelado para alojar mais obras e filmes.Apesar de ter sido ligado ao Partido Comunista italiano, o "intelectual do cinema" e "mago da luz", como foi chamado, quis que um tradicional funeral católico fosse celebrado em sua homenagem.
"Uma vez perguntaram a Antonioni em uma entrevista se acreditava em Deus e respondeu: sim, algumas vezes, à noite", contou o padre, que ressaltou a capacidade do artista de superar a doença que o manteve paralisado e sem fala por 22 anos após um derrame cerebral.
Uma longa fila de pessoas, muitas delas idosas, passou pelo caixão fechado para se despedir deste gigante do cinema que foi enterrado com discrição e elegância, características marcantes deste gênio da sétima arte.
"Viemos muitas vezes com Michelangelo a Ferrara, pelo rio, Pó e vir a Ferrara era uma viagem à luz, à luz de sempre. Buscava sempre essa luz, sua cidade, por isso descansará aqui", disse sua viúva.
Bergman fala sobre Antonioni
«O filme é um medium curioso no sentido em que se tens algo para dizer podes realmente dizê-lo com um filme, mesmo que sejas um tanto ou quanto desajeitado...» - disse Antonioni. «Esses jovens realizadores que mergem agora conhecem já muito bem esta profissão e seus aparatos técnicos mas muito raras vezes têem algo para dizer...» corrobora Bergman.
quinta-feira, agosto 02, 2007
Bergman «sobrenatural»
João Bernard da Costa escreveu recentemente que Ingmar Bergman é dos poucos cineastas que se pôde orgulhar de ter epítetos como «bergmanomania». Já se disse dele coisas como «Bergman saved my life» ou «família de bergmanistas inveterados» . Cada qual tem o seu Bergman. O «meu» Bergman (apesar de não ser o meu cineasta de eleição) descobri-o progressivamente, á medida que ia, ao acaso, á Cinemateca Portuguesa. Cheguei tarde mas uma das primeiras coisas que verifiquei foi a riqueza textual nos seus filmes e que só o teatro pela sua natureza formal consegue. Só mais tarde vim a saber que ele foi primeiro dramaturgo e encenador e só depois cineasta, relação essa que ele veio a comparar ao conflito «mulher fiel» (o teatro) vs. «amante» (o cinema, evidentemente). Dizia, o «meu» Bergman é o Bergman do sobrenatural e do agnosticismo mais do que o Bergman das mulheres (aquilo porque ele é mais conhecido). Saboreei o jogo de xadrez com a morte em «O Sétimo Selo» e fartei-me de rir quando a personagem do insubmisso adolescente Alexander leva, no final da película «Fanny e Alexandre», um tabefe do fantasma do bispo, seu padrasto, que o castigara pela sua insubmissão e protesto aos horrores antes inflingidos á ele, à irmã e à mãe. Enternecedor foi vê-lo, depois, a procurar o quarto da avô e a aninhar-se aos pés dela. Esse tipo de cenas da vida conjugal são verdadeiramente sublimes em Bergman. Compreendo, ao mesmo tempo, a sua posição enquanto agnóstico quando coloca na boca desse mesmo personagem esta frase: «Se Deus existe então é um deus de caca e mijo». quarta-feira, agosto 01, 2007
Crepúsculo dos Deuses

Anteontem, quando morreu Ingmar Bergman todos os cinéfilos lembraram-se de imediato da ultima grande figura de vulto ainda viva : Michelangelo Antonioni, outro revolucionário da 7.ª arte. Mas passadas 12 horas este último morria calmamente sentado na sua poltrona. Desapareceram ambos no mesmo dia e num final simbólico o cinema perde, desta forma curiosa, dois dos seus maiores criadores. Assombroso! Assim como o legado ficcional que ambos deixaram.



